
Há alguns dias o Corinthians apresentou o seu novo terceiro uniforme, a ser utilizado no ano do centenário do clube. Novamente o roxo, que tanto divide opiniões na torcida, faz-se presente, mas agora dentro de uma suposta cruz de São Jorge.
A camisa é predominantemente dourada preta, os patrocínios seguem a tendência 2009 e continuam em excesso, mas isso já é papo para outro post. A intenção era representar a cruz de São Jorge, padroeiro do Timão, na camisa, mas não é bem isso que acontece quando se muda a cor da cruz do santo guerreiro. Esta, do uniforme, é apenas uma cruz (e roxa), que já não é novidade em camisas de clubes, embora o Corinthians, tão vanguardista, merecesse algo mais original. O símbolo também mudou de cor neste novo uniforme, agora é desbotado dourado. Logo o escudo corinthiano, clubismo à parte, o mais bonito do mundo! Que é o mais belo inclusive por ser muito diferente de quase tudo que se vê por aí. É difícil entender a razão que leva alguém a modificar algo tão significativo, ainda mais no ano do centenário do clube.
Além de, pessoalmente, ter achado a camisa horrível, de péssimo gosto mesmo, não consigo mais suportar a cor roxa. Tudo bem, nunca neguei meu saudosismo e gosto pelo tradicional, mas entendi, embora não tenha apreciado, a primeira camisa de tal cor. Era só um terceiro uniforme e foi sucesso de vendas. Ocorre que, depois disso, ônibus, muro, loja e tudo que se via relativo ao Corinthians tinha algo de roxo. Uma espécie de tricolorização do alvinegro. Não fosse tricolorização o roxo ficaria restrito ao terceiro uniforme, como ocorre nos times europeus, que foi onde buscaram este modismo. A loja do Manchester United, por exemplo, é vermelha e branca; a do Corinthians é tricolor. E, particularmente, considero este um erro crasso do nosso Departamento de Marketing.
A maioria dos defensores da camisa que vi e li até agora justificam sua defesa com o argumento das vendas, dizem se tratar de apenas um produto para arrecadar mais receitas. Não concordo quando o caso se trata de três anos de roxo, com acréscimo da cor em todos os utensílios do clube nas lojas e afins. E penso que tradição se respeita, principalmente na hora de passa-la adiante, como é o caso das lojas, pois os valores do clube são representados e passados dessa forma a todos os corinthianos e assim também se forma uma torcida. Que torcida pretendemos formar desta maneira?
O Corinthians sempre foi diferente do resto, justamente por representar outros valores, por ser muito mais que um time de futebol. O preto e o branco da camisa corinthiana não são só cores, há toda uma simbologia inclusa, há significado, carrega toda nossa a história, as nossas tradições. As cores do manto devem ser honradas e não tratadas como simples detalhes, como se não fizessem toda diferença.
Se o caso fosse realmente apenas um terceiro uniforme, tudo bem. Acho modismo, acho desnecessário, mas tudo bem, que comprasse quem quisesse. Mas é inacreditável que não tenham percebido que o roxo ultrapassou as fronteiras da camisa há muito tempo e está quase incorporado às cores do clube.
Ademais, só consigo enxergar o roxo como vaidade. É a marca da gestão Rosenberg à frente do marketing corinthiano e é por este motivo que, mesmo com todos os protestos da torcida, a cor segue, pelo terceiro ano consecutivo, na camisa do alvinegro. Ainda que faça mais sentido, no centenário, um terceiro uniforme bege, como foi o primeiro utilizado pelo Corinthians na história.
De volta ao assunto da nova camisa em si, opinião pessoal, seria feia ainda que não tivesse o roxo. Nada original e com o símbolo do clube completamente descaracterizado, o que para o meu gosto saudosista é até um ultraje. Vi desenhos de uniformes feitos por corinthianos que superaram a Nike e o marketing em 100%, mas vamos de camisa forro de caixão, pois a vaidade de alguns predomina e a vontade de milhões tanto faz.
Nota: vale ler aqui também.
Fonte: Corinthians: Preto no Branco