
O paranaense Adílson Baptista foi o escolhido da diretoria para assumir o cargo de treinador do Corinthians. Ele se apresenta ao clube na próxima terça-feira e, segundo dirigentes, firma contrato até de dezembro de 2011.
O currículo do novo treinador é semelhante ao que Mano Menezes tinha antes do Corinthians, isto é, sem grandes façanhas e conquistas. Outra semelhança é a maneira de entender futebol. No Cruzeiro, seu último clube, Baptista foi bastante criticado pela insistência em escalar três volantes e pelo excesso de improvisações. O futebol daquele time, no entanto, era mais vistoso que o do Corinthians de Mano, embora não mais eficiente. Rendeu apenas dois campeonatos mineiros e culminou no vice da Libertadores, quando o Cruzeiro deixou o título escapar de forma equivalente ao Timão da Copa do Brasil de 2008.
Adílson Baptista estava disponível no mercado, assim como Carlos Alberto Parreira, por isso era até evidente que fosse sondado. Parreira realizou o último grande trabalho de um treinador do Corinthians, mostrou entender o que é o maior clube do país e foi, na época, uma aposta de Roque Citadini. Já Adílson deixou o Corinthians, enquanto jogador, com uma dívida trabalhista por obra do mesmo Citadini, que é oposição à gestão de Andrés Sanchez. Os vaidosos dirigentes do Parque São Jorge, então, uniram a fome e a vontade de comer. Contrataram Adilson em vez de Parreira e assim realizarão um acerto de contas com o novo treinador, que passa a ser uma aposta de Sanchez, uma vez que não se trata de um técnico com vasta experiência em grandes clubes.
Mais importante para o torcedor do que as picuinhas entre dirigentes é que a chegada de Adílson Baptista significa renovação. O ciclo de Mano Menezes se encerrou lá na derrota da Libertadores diante do Flamengo (com técnico interino) e só não viu quem não quis. A contratação de um novo treinador ao menos traz perspectivas, o que era impossível com a continuidade de Mano Menezes.
Resta saber se o novo comandante receberá da torcida o mesmo carinho cego que Mano recebeu. Ao contrário de seu antecessor, Adílson não terá tempo de pré-temporada, de forma que não se pode exigir, em poucas semanas, que um time desequilibrado, que não apresentou um futebol convincente até o momento, passe a dar espetáculos de desenvolvimento tático.
Deve-se lembrar que Mano Menezes partiu, mas sua herança permanece no time, que nunca foi talhado ofensivamente e sequer possui alternativas para tal. O agora treinador da seleção preferiu ocupar as vagas do ataque com seus pupilos agenciados por Carlos Leite, que não jogam, mas recebem salário de estrela e empatam a contratação de opções efetivas para o setor. Por isso, se o novo comandante conseguir, em um curto período, ao menos criar alguma alternativa para o ataque, forçar alguma jogada mostrando que existe uma orientação nesse sentido, já será possível falar em bom início de trabalho.
Vale destacar, ainda, que a obrigação de todo treinador que for dirigir o maior clube do Brasil é entrar em qualquer campeonato para ser campeão. Que Adílson Baptista trilhe um caminho de sucesso no Corinthians, tenha boa sorte e que enfim o alvinegro comemore um centenário à altura, com as glórias de sempre.
Fonte: Corinthians: Preto no Branco