Linha 2014, sentido Corinthians-Itaquera

Antes de qualquer coisa é bom que se leia e, se necessário, releia.

No país, não se fala em outra coisa: a diretoria da Corinthians, a CBF e a prefeitura de São Paulo negociam projeto de construção de estádio para abertura da copa de 2014.

É fato que, embora o terreno seja o mesmo cedido ao Corinthians no final da década de 70, nunca houve uma chance como essa para se construir a arena do Timão. O bonde da copa está passando e traz consigo: um projeto de sustentabilidade no qual, segundo a Ernst & Young e a FGV, o setor mais beneficiado será o da construção civil (com geração adicional de R$ 8,14 bilhões), empresas brasileiras capitalizadas e o principal: a oportunidade de fazer muito dinheiro com ações da copa, dentro e fora das arenas.

Trata-se do melhor cenário possível para o Corinthians, mas ainda assim é preciso mais cautela e menos ufanismo, porque no terreno especulado, que já tem até histórico de pedra fundamental, a demanda vai além, bem além da própria construção do estádio.

É primordial estudar a acessibilidade para definir o local  da arena. Também é necessário pensar em um projeto que possibilite um retorno maior do que o Corinthians já tem no Pacaembu, senão de que adianta ter estádio próprio? E aí vale ressaltar o infeliz exemplo do elefante branco situado no Jardim Leonor. Esse retorno terá de valer a pena – não só durante copa – já que o clube de qualquer forma herdará a fatura depois.

O lugar pré-definido para a construção do estádio é Itaquera, zona leste da cidade, há 15,7 km do centro. Um tanto longe, especialmente se considerado o trânsito naquele sentido. Tem metrô na porta, mas se trata da linha mais saturada da cidade e isso sem o agravante de eventos que atraiam público de outras regiões para lá, pois a área carece mesmo de polos atrativos. Em contrapartida, Itaquera é um dos distritos mais corinthianos da cidade, com um contingente de 41% de torcedores alvinegros, segundo pesquisa Datafolha/2009. Vale ressaltar que o Corinthians também lidera o ranking nos bairros arredores, em toda a Zona Leste e na cidade de São Paulo quase que completamente.

A grande questão é que para se distinguir das outras centenas de maquetes e sair do papel, o projeto de estádio em Itaquera requer, para se pagar, manter-se e futuramente gerar lucro, toda uma modificação das atuais condições de acessibilidade ao local, que não comporta esse contingente extra, pelo menos não em condições minimamente dignas. Implica, portanto, em expansão e melhoria do metrô, criação de novas linhas de ônibus e desenvolvimento das vias de acesso, a virada do Rodoanel, Jacu-Pêssego etc. São obras que a região requer há algum tempo, mas que nunca foram feitas. Se concretizadas, deixarão um legado incrível não só ao povo corinthiano, como também aos milhões de moradores da Zona Leste e inclusive aos paulistanos em geral, pois facilitarão o crescimento econômico, com geração de empregos fora do eixo Centro-Jardins, e principalmente a descentralização, tendência das grandes metrópoles atulhadas de gente. Incrível, mas não tão simples quanto anunciar um estádio.

Por essas e outras, embora não negue ter me emocionado com o vídeo abaixo e estar na torcida de dedos cruzados, acreditarei em estádio, outra vez, somente quando o corinthiano mais próximo me beliscar ao apito final do jogo inaugural no Fielzão.








Fonte: Corinthians: Preto no Branco

Blog do Larissa Beppler

Por Larissa Beppler

Blumenauense de 85, paulistana de 2009. sócia do Sport Club Corinthians Paulista e, acima de tudo, corinthiana incurável.

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