
O goleiro Felipe, perto de completar a marca de 100 vitórias pelo Timão, deve deixar o Parque São Jorge nos próximos dias. Tudo começou com uma inusitada nota oficial do clube, que informava o desejo do camisa 1 de se transferir para o exterior. Desde então, inúmeros boatos e notícias sobre o assunto pipocam na mídia todos os dias. Neste blog, não se tocou no assunto enquanto não havia algo mais concreto, isto é, uma proposta de fato, mas ela chegou.
Quem conhece um pouco do Parque São Jorge sabe que Felipe é persona non grata no local. Não é de hoje que os próprios dirigentes tentam deixa-lo mal com a torcida, possivelmente para livrarem-se de críticas quanto a ficar sem um goleiro, já que, digam o que disserem, não há nenhum melhor que Felipe disponível no mercado atualmente.
O Genoa (ITA) é o clube interessado em roubar o goleiro da Fiel, a proposta parece ser irrecusável e dessa vez Felipe pode mesmo deixar o Corinthians. Em outras sete oportunidades, o arqueiro recusou propostas e escolheu permanecer no clube pelo desejo de disputar uma Libertadores pelo Timão. Mas ninguém lembra disso. Já fizeram questão de vir a público esbravejar que ele não merecia aumento, que desejava sair, etc., mas nunca falaram que em sete ocasiões anteriores Felipe permaneceu.
Pior do que perder o goleiro sem ter reposição à altura, só o tratamento dado ao caso. Bem diferente do que ocorreu quando Defederico foi aos jornais, inclusive argentinos, contar que estava insatisfeito, falar mal do treinador e que queria sair do clube. No caso Felipe, a própria diretoria tornou público e em vez de lidar com a situação da mesma forma que no caso Defederico, isto é, avaliando propostas e ponderando fechar ou não negócio, neste o presidente chegou até a dizer: tomara que o Felipe vá embora.
Só seria compreensível o cartola torcer a favor da perda de um atleta na seguinte situação: proposta boa para o clube e peça de reposição devidamente encaminhada. Do contrário, é até pouco profissional. E a proposta só chegou hoje, enquanto as declarações…
O fato é que o contrato do Felipe tem uma multa, alta diga-se de passagem, e quem quiser tira-lo do Parque São Jorge que traga a proposta. Se ela for muito boa, libera-se o atleta; se não for, só sai pelo valor da multa. Bastava que a diretoria tratasse a situação dessa forma, a mesma fórmula do caso Defederico, mas não. Felipe já foi devidamente crucificado, talvez para que a torcida aceite o fato de ficar sem goleiro, porque Júlio César e Rafael Santos não contam, infelizmente.
Como era de se prever desde a primeira renovação do goleiro em 2007, Felipe deve deixar o clube sem o devido reconhecimento. Ele alimenta conflitos, não se pode negar. Mas, no Corinthians, foi o único a honrar a camisa em 2007 e por pouco não evitou sozinho o rebaixamento do time. Desde então, conquistou três títulos e foi titular absoluto em todos estes, muito mais do que alguns atletas que entraram para o Memorial, hall dos ídolos, sem nada disso.
Polêmicas à parte, o que realmente importa é que o Corinthians não pode ficar sem goleiro. E acreditar nas especulações sobre Diego Cavalieri ou Dida é um pouco demais. No máximo, o ex-corinthiano Rubinho, atualmente no Palermo (ITA), pode voltar. Mas Felipe é mais. Se sair, que tenha boa sorte no novo caminho; se ficar, melhor para o Corinthians.
Fonte: Corinthians: Preto no Branco