Um ano da final mais inesquecível da minha vida

Há um ano o Corinthians foi campeão da Copa do Brasil e essa foi a final mais inesquecível da minha vida. Não me canso de contar essa história.

Eu não tinha ingresso, parecia um pesadelo não ir à final, mas havia dentro de mim um sentimento muito bom de que tudo daria certo, ainda assim não havia a menor possibilidade deu conseguir um ingresso, nem com a Camisa 12, principalmente porque eu não poderia ir de caravana, pois não podia faltar do trabalho e nem me atrasar.







No dia 01/07/09 eu fui trabalhar normalmente e até conformada por não ir a Porto Alegre. Eu trabalhava na organização da Copa das Nações Danone, que estava numa fase importante, era véspera da coletiva de imprensa com o padrinho Cafú, entre outras coisas que eu tinha que me dedicar com muita responsabilidade.

Antes de almoçar liguei para Rita para combinar de assistir a final no Parque São Jorge, para minha decepção ela falou que ia assistir em casa, liguei para Aninha, que falou que ia num bar com uma amiga sãopaulina. Fiquei de mau humor por não ter onde ver e comemorar o jogo.

Edu, o meu diretor, chegou do almoço, fiz uma pergunta a ele como uma forma de justificar a minha cara amarrada:

- Edu, você não tem nenhum amigo dirigente do Inter que me consiga um ingresso?

Sandra, minha chefe, se levanta da mesa e responde:

- Já sei! O coordenador técnico da Copa Danone no RS é dirigente do Inter, liga para a Marisa.

Liguei para Marisa, que me passou o telefone do Leandro, liguei pedindo o ingresso e ele falou que talvez conseguisse, me apeguei nesse ?talvez? como se já fosse uma certeza, pedi dispensa e a Sandra frisou que eu não poderia me atrasar no dia seguinte, falou que o aeroporto de POA sempre fechava, mas falei que sabia que tudo ia dar certo e fui pra casa, era mais de 15h.

Eu não tinha um real no bolso, liguei para a Rita, falei que talvez fosse conseguir ingresso e pedi 1000 reais emprestados, ela tinha dinheiro em espécie no escritório em Pinheiros, combinamos dela mandar por um motoboy direto para Congonhas. Vesti o manto sagrado do Corinthians e um casaco, levei uma blusa vermelha na bolsa. Fui até a mercearia e pedi 100 reais emprestados para o dono, que é corinthiano, o Souza.

Peguei o taxi antes das 16h, o taxista era santista, mas estava torcendo pelo Timão, o trânsito estava ótimo e ele correu bastante. Cheguei em Congonhas e ainda não tinha o dinheiro, mesmo assim fui para a fila, liguei para o meu pai e pedi 500 reais, ele leva uma vida simples, 500 reais é muito dinheiro, mas ela nem me perguntou porque eu precisava e falou que logo transferiria  para minha conta. Quando eu tava finalizando a compra sem saber se o dinheiro já havia caído ou não o motoboy chegou com o dinheiro da Rita e paguei as passagens, ida e volta custou 1.200 reais, consegui marcar o vôo para às 17h20.

Decolei sem ter certeza do ingresso e assim que pousei liguei para o Leandro que falou:

- A boa notícia é que consegui um ingresso, a ruim é que o lugar é na torcida do Inter.

Eu ia tentar ficar na Fiel. No avião conheci o Duda, fomos de taxi até o Beira Rio e nos separamos, vesti a camisa vermelha para pegar meu ingresso. Tive que esperar um tempão e quando consegui pegar o ingresso só faltavam 10 minutos para o jogo começar. O ingresso era num setor vip, pensei que talvez fosse um setor misto, pura ilusão.

Eu estava tão feliz por estar ali que não fiquei incomodada com a torcida do Inter, eu queria prestar atenção no jogo. Encontrei uma cadeira com meu nome personalizado por coincidência, me sentei.

Cadeira no Baira Rio com meu nome

A pior parte era ver o ataque do Corinthians, eu queria empurrar, vibrar, mas não podia. Foi muito difícil me controlar. Aos 19 min. Jorge Henrique marca, eu abaixei a cabeça e explodi de emoção, senti uma vontade enorme de gritar, não pude. Logo depois André Santos marcou, resolvi que era hora de tentar comemorar com a Fiel.

Os colorados começaram ir embora e aos poucos as divisas dos setores começaram ser abertas. No segundo tempo consegui chegar bem perto da Fiel. O canto onde eu estava começou ser evacuado pela polícia, foi aí que resolvi me revelar corinthiana. O guarda não gostou nada e falou que eu não poderia passar para Fiel, eu insisti, ele foi estúpido. Fui descoberta por uns torcedores do Inter e fui falar que estava com medo de apanhar para outro guarda, que resolveu me ajudar.

Alguns torcedores corinthianos perceberam que eu estava tentando mudar de setor e tentaram me ajudar. Quando fui liberada eles estavam na expectativa. Fui correndo em direção a eles, pulando várias cordas, quase caí, parei, tirei o casaco, depois a blusa vermelha e finalmente fiquei vestida só com roupas do Timão. Os corinthianos cantaram: El, El, El, a morena é da Fiel. Eu pirei, vibrei muito por estar na minha Fiel Torcida.

De cara encontrei meu querido amigo Barcelona, mas a Camisa 12 estava na parte debaixo. O jogo acabou, os jogadores foram comemorar com a gente, era tanta alegria que não cabia em mim.

Põe no DVD, põe no DVD, Corinthians Tri Campeão

No auge da comemoração o Inter resolveu apagar as luzes e a polícia começou nos expulsar, o guarda esperou eu vestir a faixa de campeã e tirar uma foto.

Fomos embora por um caminho escuro e cheio de lama, mas logo encontrei o Sérgio e o ônibus da Camisa 12, minha alegria estava completa.







Depois de comemorar mais um pouco, fui para o aeroporto, encontrei um cantinho quentinho e confortável, consegui dormir um pouco e sonhar com o Timão campeão, acordei e vi que era  verdade, mas realmente parecia um sonho.

O avião decolou antes do horário, no vôo só tinha corinthiano, fiquei amiga do Eduardo que me deu uma carona, cheguei no trabalho antes das 9h, tinha dado tudo certo. Fui para coletiva tentando disfarçar minha cara de sono-ressaca-euforia quando o Rodrigo, diretor da Danone me falou que estava rouco porque tinha acabado de chegar do Beira Rio. Cantamos juntos: Põe no DVD, Corinthians Tri Campeã. Foi demais. Se ele que é o patrão arriscou se atrasar para coletiva e foi ver a final, por que eu não me arriscaria? Até pedi para o Cafú escrever no meu autógrafo: Para Sabrina ACorinthiana, tri campeã, hehe.

Deu tudo certo e foi mágico, no final, consegui ir ao Beira Rio, o Corinthians foi campeão e eu não prejudiquei o trabalho.

No Beira Rio, ainda disfarçada na torcida do Inter

Sendo expulsa pelos guardas, ainda comemorando no Beira Rio

No dia seguinte, trabalhando feliz da vida na coletiva do Cafú

Aproveito para agradecer mais uma vez ao meu pai querido com quem posso contar muuuuito, a Rita, sempre parceira, a Sandra, que foi a idealizadora, ao Edu, que foi muito tolerante, a Marisa e Leandro, que foram fundamentais, ao Souza, pelo dinheiro do taxi, ao taxista, por correr tanto, ao motoboy, por ser pontual, ao Duda, por me acompanhar até o Beira Rio, a torcedora colorada que bateu minha foto enquanto eu estava disfarçada, ao PM, que me deixou passar para Fiel, ao Denis, que bateu a única foto que tenho com a camisa do Timão no Beira Rio, ao Sérgio e meninos da Camisa 12 por comemorarem comigo, ao Eduardo, pela carona até o trabalho, ao Rodrigo, por ter se tornado conivente mesmo sem querer e apoiado a minha ida, a Silvia, minha irmã, que não ajudou com minha ida, mas foi quem me levou para minha primeira final em 95 me despertando para todas as outras, a todas as pessoas que esqueci de falar, mas que de alguma forma me ajudaram, ao Uilson, leitor fiel do meu blog que talvez seja a única pessoa que tenha saco de ler esse texto até o final.


Fonte: ACorinthiana

Blog do Sabrina ACorinthiana

Por Sabrina ACorinthiana

31 anos. Produtora de eventos esportivos. Nasceu corinthiana em uma geração vitoriosa, assistiu muitos títulos cantando nas arquibancadas, acompanha o Timão desde criança. Veste o manto sagrado pra trabalhar, viajar e até pra dormir. Perde o namorado, mas não perde um jogo. Seus ídolos são Sócrates, Neto, Marcelinho e Ronaldo. O Pacaembu é sua casa.

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