Nação,
Uma vez assistindo uma palestra sobre negócios, o palestrante usou o Corinthians como exemplo de sucesso, por causa da emoção que o clube gera. E é isso mesmo. Com o Timão não tem talvez, é emoção pura, total, intensa. É céu ou inferno, amor ou ódio, não tem mais ou menos.
E o jogo de ontem foi mais um capítulo dessa eterna história alvinegra de gerar emoção extrema nos seus torcedores e dor de cotovelo incontrolável nos seus anti-torcedores. Que vitória fantástica, que virada épica. Ser corinthiano é um teste permanente de coração forte.
O cenário montado era o mesmo de vários outros jogos decisivos ao longo desse campeonato. Pacaembu lotado, adversário retrancado, time não conseguindo jogar, tudo temperado com a alta tensão pela necessidade desesperada de vitória.
Jogadores que deveriam ser decisivos pareciam perdidos e desconectados da partida. Liedson sem condições físicas não conseguia se colocar de forma a receber passes para conclusão, mas esses também não aconteciam porque Danilo estava como de costume sonolento em campo e além disso marcado individualmente. Sheik também não conseguia nada e assim o jogo se arrastou no primeiro tempo.
Veio o segundo tempo, e de novo repete-se o cenário. O time volta sonolento, o que nos faz pensar o que eles fazem durante o intervalo. A apatia custou caro logo no início, numa bola perdida pelo Danilo, levando o Leandro Castan a fazer falta parando a jogada. Só que falta contra o Corinthians é penalty, e numa jogada ensaiada em que nossa defesa ficou olhando o Atlético abriu o placar, para desespero da fiel presente no estádio e espalhada pelo país.
O anti-corinthianismo delirava a essa altura. Uma derrota em casa, perda da liderança, futebol fraco, torcida desiludida... Mas esqueceram que o Corinthians é pura emoção. Não tem talvez lembram? O melhor estava reservado e mesmo com o desespero estampado no rosto cada fiel sabia disso. Ou melhor, sentia isso. Ontem não era dia de inferno, e nós já estivemos lá tantas vezes por causa desse time e sabíamos disso. Ontem era dia de céu. Era dia de delírio. Era dia de Corinthians.
Mesmo com o que parecia mais uma lambança do técnico especialista em causar esse contraste de sentimento ao sacar o Willian, nosso mais ativo atacante para a entrada do pesado Adriano, deixando em campo o cambaleante Liedson, a fiel mesmo desconfiada sentia que poderia dar certo. Tinha que dar.
E aos 32 minutos começou a ser escrita mais uma página épica na nossa gloriosa história. Alessandro, um dos melhores em campo na base da disposição, cruzou para a cabeçada certeira de Liedson. Explosão de alívio no Pacaembu. A liderança estava de volta, mas ainda não era suficiente. Precisava de um acontecimento, e veio aos 44 minutos. Roubada de bola de Castan, contra-ataque puxado por Emerson Sheik que reluta mas toca para Adriano chutar cruzado, decretando a virada e entrando para a galeria dos heróis alvinegros.
Fantástico, maravilhoso, indescritível. Tudo como deveria ser. Tudo como sempre é com o Corinthians. Aqui é Corinthians, e emoção vai estar sempre presente, em altas doses de preferência, como ontem.
Uma vitória que nos deixa muito próximos do título, pela pontuação, mas principalmente pelo efeito que causa. Saímos muito mais fortalecidos e nossos adversários mais uma vez tiveram a prova daquilo que mais temem e odeiam: aqui é Corinthians!
Rumo ao penta nação!
Valeu!
CORINTHIANS 2 X 1 ATLÉTICO-MG
Local: Estádio do Pacaembu, em São Paulo (SP)
Data: 20 de novembro de 2011, domingo
Horário: 17 horas (de Brasília)
Árbitro: Wagner Reway (MT)
Assistentes: Erich Bandeira (Fifa-PE) e Joadir Leite Pimenta (MT)
Cartões amarelos: Alessandro, Paulo André e Adriano (Corinthians); Carlos César e André (Atlético-MG)
Gols: CORINTHIANS: Liedson, aos 32 minutos, e Adriano, aos 44 minutos do segundo tempo
ATLÉTICO-MG: Leonardo Silva, aos nove minutos do segundo tempo
Público: 38.493 pessoas (total)
Renda: R$ 1.277.11,50
CORINTHIANS: Julio Cesar; Alessandro, Paulo André, Leandro Castán e Fábio Santos; Paulinho, Ralf e Danilo (Alex); Willian (Adriano), Emerson e Liedson (Wallace)
Técnico: Tite
ATLÉTICO-MG: Renan Ribeiro; Carlos César (Mancini), Réver, Leonardo Silva e Richarlyson (Triguinho); Pierre, Fellipe Soutto, Serginho, Daniel Carvalho e Bernard; André (Neto Berola)
Técnico: Cuca
Fonte: Samuel Oliveira
