Como uma legítima sócia dos Gaviões da Fiel, cheguei atrasada para dar os parabéns ao Corinthians.
Desde a semana passada já li muito sobre o centenário. É indiscutível a diferença que existe entre o Corinthians e tantos outros clubes do Brasil. As pessoas escrevem sobre Ele: bem e mal. É maravilhoso ler e ouvir quando Corinthianos falam sobre o Corinthians, mas é muito bom também quando um anti desabafa. É como um terapeuta fazendo uma análise de suas loucuras diárias. Porque pra nós, que VIVEMOS Corinthians, é difícil -pode nao parecer, mas é- falar do nosso sentimento, porque ele é constante, é muito grande, muito intenso. É como o amor de mãe e filho. Não se explica. Você precisa sentir. E o anti tem muito disso: em datas comemorativas, em conquistas de títulos o Corinthians é muito visado, muito falado por torcedores de outros times. É o reconhecimento. Acho até que uma comparação é injusta, porque o Coringão é único. Parece coisa de outro planeta. Eu não sei o que falar, porque o sentimento de viver o centenário é... porra, nem sei explicar. A gente não sente isso em nenhum outro acontecimento. Vocês entendem?! De família Ipiranguista, tenho só 22 anos. Meu pai ía aos jogos antes de pensar em fazer a Waleska. Frequentava os Gaviões. Papai que me passou esse legado. Ele não consegue falar muito sobre essa época, chora... porque minha avó odeia essa história de futebol, estádio e torcida. Até jogou no lixo a camisa oficial que ganhei do Edmar quando criança. Ela odeia. E como vivi boa parte da minha infância com ela, não pude ir tao cedo aos estádios e ao gaviões. Mas tá no meu sangue e uma hora ou outra isso iria aparecer, esse sentimento uma hora ia se manifestar. E aconteceu. E desde quando comecei a jogar futebol na escola (no primário), comecei a me dar conta de tudo isso. E o que aprendi naquele tempo, antes de poder ir ao estádio, é mérito meu. E depois de um tempo papai foi começando a me contar as histórias e me ensinando. O Corinthians que me deu a oportunidade de conhecer pessoas maravilhosas. Amigas, mulheres da torcida, que me espelho. Por isso meu apelido Caçula. E até homens que são lideranças que admiro muito. O Corinthians me deu o conhecimento em vários outros setores da vida. Ele nos ensina diariamente. É confortante dormir e acordar Corinthiana, ler sobre Ele, ter a maioria de amigos alvinegros. Eu amo de verdade o Sport Club Corinthians Paulista. O Corinthians faz você brigar em casa, perder emprego, perder namorado, e até amigos. Faz você brigar até mesmo com Corinthianos, quando conversam e as ideias nao batem. Mas no fim acaba tudo bem. Ele é tão odiado, tão odiado, que dá preguiça de ter que discutir sobre o que é essa vida de alvinegro com adversários. Às vezes eu paro, respiro e conto até 1910, pra não começar uma discussão, porque na maioria das vezes dá merda. Então prefiro guardar comigo esse sentimento, essa vida de louca, essas histórias, ensinamentos, porque não vale a pena falar pra quem nunca vai entender. O bom mesmo, é fazer o que fizemos hoje, no Museu do Futebol, como fazemos nas sextas-feiras na Rua São Jorge. Num boteco, até na balada, com aquela música no talo. Falar Dele é sempre bom e nunca é anormal. Em nenhuma situação. Até quando vai ao banheiro com as amigas.
Acho que tenho que agradecer em especial aos fundadores e a Dona Elisa por abrir as portas desse mundo -que se diz ser só masculino, mas nunca foi e não é- para as outras gerações de mulheres.
Vou usar aqui, mais uma vez, uma frase do texto que fiz para o informativo, quando o Corinthians voltou pra Série A. 'Aos 'comandantes', vocês precisam aceitar, não precisa entender, basta aceitar, que nossa luta por melhoria não vai acabar, porque é esse o motivo de tudo em nossas vidas. Se não tivermos o Coringão para amar e proteger não tem razão de viver. Família, amigos, trabalhar e estudar não basta. O Corinthians é essencial', Wawá.
Parabéns, Corinthians.
E obrigada por me escolher.
Wawá.
waleska, 1988.
Fonte: Meu blog não tem nome