O clássico Corinthians x Palmeiras

O clássico Corinthians x Palmeiras
O osso que nunca cozinhou é guardado até hoje no Memorial do Corinthians, como uma lembrança da supremacia alvinegra no derby

Mais do que um jogo, mais do que um clássico, uma paixão. Corinthians e Palmeiras possuem episódios que jamais serão esquecidos da memória futebolística. As alegrias e tristezas completam as estrofes e parágrafos, tanto das histórias do alvinegro, como dos contos alviverdes. Essa rivalidade é intensa e ultrapassa até mesmo as barreiras do futebol, virando até tema de livro, devido ao engajamento político das torcidas no período de pós-guerra mundial e ditadura Varguista no Brasil.

São mais de 9 décadas em que Corinthians e Palmeiras entram em campo para promover o brilho no sorriso ou derramar as lágrimas do torcedor. O derby – nome atribuído pelo jornalista da Gazeta Esportiva, Thomaz Mazzoni, na década de 40 – ganhou esse “apelido”, pois no dicionário essa palavra significa um grande evento esportivo realizado entre equipes vizinhas. Sempre que os dois times da mesma cidade se encontravam, era difícil apontar um vencedor.

O Timão, que foi fundado em 1910, até hoje nunca explicou muito bem a história do grupo de italianos que saiu do Parque São Jorge para fundar o seu próprio clube, em 1914, denominado de Palestra Itália. Segundo registros históricos não oficiais, o Corinthians nunca perdoou os “traidores”, dando origem a um sentimento que só os Corinthianos e Palmeirenses sabem explicar. A primeira partida foi disputada em 9 de maio de 1917, onde o Palmeiras, ainda chamado de Palestra, saiu na frente, ganhando o jogo com um placar elástico de 3x0. Todos os gols foram marcados pelo atacante Caetano.

O Corinthians só conseguiu uma conquista em cima dos palestrinos em maio de 1919, quando venceu o rival também por 3x0, com gols de Américo, Garcia e Roverso, no estádio da Floresta. Em jogos pelo Paulistão , o Derby ocorreu em 14 finais, com 8 triunfos alvinegros e 6 vitórias do alviverde. Até os dias de hoje, foram mais de 300 jogos realizados, com 120 vitórias do Palmeiras contra 117 do Timão e um total de 100 empates. A última, inclusive, foi à eliminação do time da Barra Funda na semifinal do Campeonato Paulista deste ano. O alvinegro levou à melhor nos pênaltis, com destaque para a atuação do goleiro Júlio Cesar. Jogando no Pacaembu, foram 146 partidas disputadas, com saldo positivo para o Corinthians mais uma vez: 58 vitórias contra 47 do Palmeiras.

Algumas goleadas também aconteceram. A primeira foi amarga para a Fiel torcida. Em 1933 o Palestra venceu o Timão por 8x0. Do nosso lado as maiores goleadas registradas foram em 1952 e 1982, quando o time do Parque São Jorge derrotou seu rival por 5x1, em ambas as partidas. Em jogos válidos pelo campeonato Brasileiro , após 1971, os dois clubes se enfrentaram 37 vezes. Foram 11 vitórias do Coringão, 14 empates e 12 vitórias do Palmeiras. Na Taça Libertadores, nossa história é bem incômoda. Fomos eliminados duas vezes pelos nossos rivais. A primeira vez foi nas quartas de final em 1999, e a segunda na semifinal de 2000.

Os maiores artilheiros do Derby pertencem ao Corinthians. Cláudio, com 21 gols, Baltazar com 20 gols, Luizinho com 19 gols e Teleco com 15 gols, são os representantes do Coringão. Já do lado verde, Heitor foi o que mais balançou a rede, com 14 gols ao todos.

Mas como os mais importantes acontecimentos da história guardam suas peculiaridades, no Derby não seria diferente. Folclórica ou não, a “Canja do Porco” é mais um conto que faz deste clássico um fato único do futebol. Em 1918 os jogadores do Palestra compraram um osso e atiraram na vidraça da pensão onde a delegação corinthiana almoçava. Junto com o mesmo, havia um bilhete com a seguinte frase: “O Corinthians é canja pro Palestra”. Tudo isso foi antes do terceiro jogo entre os dois times, pelo Campeonato Paulista. Mas o inesperado para os alviverdes aconteceu. O Corinthians acabou conquistando o título daquele ano.  

Contagiado pela infelicidade do seu maior rival, o osso foi guardado na galeria de troféus do Timão, completando a frase tão petulante, escrita pelos adversários, servindo com resposta e ascendendo a faísca deste grande encontro de clubes: “O Palestra é osso duro de roer... mas com ele fizemos uma boa canja.”

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