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Fernando Baiano cita preconceito e torce por Mundial do Corinthians

Fernando Baiano ficou marcado pelo título do Mundial de 2000 com o Corinthians

Fernando Baiano ficou marcado pelo título do Mundial de 2000 com o Corinthians

Aos 33 anos, Fernando Baiano não pode se queixar das oportunidades da carreira: começou no Corinthians, passou por Internacional, Flamengo e São Caetano e foi explorar o mundo. Fora do país, esteve na Alemanha (Wolfsburg), Espanha (Málaga, Celta de Vigo e Murcia) e Emirados Árabes (Al Jazira e Al Wahda). Com esse currículo, seria tranquilo se recolocar no futebol brasileiro, certo? Errado.

Desde junho na capital paulista, Fernando Baiano lastima a falta de oportunidades em clubes de ponta, em função do tempo em que esteve afastado do cenário nacional e até por sua atual idade. Aliás, a mesma situação foi vivida em 2009 pelo volante Marcos Assunção, que precisou passar pelo Grêmio-SP antes de jogar no Palmeiras.

'A cultura brasileira deixa um pouco a desejar. Lá fora, jogadores com mais de 30 anos são muito mais respeitados', reclama, em entrevista exclusiva.

Fernando Baiano recebeu a reportagem em seu luxuoso apartamento na Zona Sul de São Paulo. Apesar das conquistas financeiras fora do País, ele avisa que ainda tem gás e pode duelar com os principais atacantes do futebol brasileiro, como Luis Fabiano, Fred e Leandro Damião. Basta uma oportunidade.

'Eu tenho condições de jogar aqui, de atuar em alto nível, e hoje o futebol brasileiro infelizmente tem certa carência no ataque', avisa o atleta, que comemora o fato de ainda ser lembrado por participar da conquista do Mundial de Clubes de 2000 pelo Corinthians.

Veja a primeira parte da entrevista com Fernando Baiano

Qual a sua situação no momento?
Fernando Baiano: meu contrato nos Emirados acabou em junho, a intenção é voltar para o Brasil depois de muito tempo fora, mas creio que está muito tarde agora para disputar algum campeonato, já estamos em setembro. Acho que, no ano que vem, fica mais fácil disputar, pelo menos, um Campeonato Paulista .

Desde quando você está no Brasil? Recebeu propostas neste período?
Fernando Baiano: meu contrato acabou no final de maio e cheguei ao Brasil no começo de junho. Agora, eu estou esperando. Tive algumas coisas de primeira e segunda divisão, mas nada tão interessante, a gente sempre procura o melhor, clube, cidade, situações que possam agradar e que você tenha condições de dar bom retorno. Então, estou esperando e, quem sabe, possa pintar algo bom para o ano que vem.

Há outros casos de atletas que ficaram muito tempo fora e tiveram dificuldades de se recolocar no futebol brasileiro. O próprio Marcos Assunção teve de jogar no Grêmio-SP antes de ir para o Palmeiras. Você sente isso também, sente até uma falta de respeito com o seu currículo?
Fernando Baiano: é mais ou menos isso. O Assunção e outros atletas encontram essas dificuldades. Eu entendo, mas só até o momento de eu treinar e provar que tenho condições de jogar aqui. Mesmo com o tempo que estive fora, a readaptação é questão de tempo, é arrumar um clube e provar que tenho gás e lenha para queimar. A cultura brasileira deixa um pouco a desejar. Lá fora, jogadores com mais de 30 anos são muito mais respeitados.

Qual o perfil do clube que te interessa neste momento?
Fernando Baiano: na verdade, quero um clube que pudesse me deixar perto da família e dos amigos. Se fosse em São Paulo, seria bacana, a cidade que nasci. Lógico que não exijo só isso, até agora eu não tive tantas coisas assim para escolher. Eu fiquei dez anos viajando, então seria bacana ficar por aqui.

Houve o comentário até de um contato seu com o Palmeiras. Isso foi real?
Fernando Baiano: não chegou nada para mim. Lógico que existem comentários da imprensa, o pessoal está sempre no clube, ouve alguma coisa, enquanto isso o jogador demora a receber. Eu estou aguardando, vamos ver.

Falamos muito sobre o longo tempo que você ficou fora do Brasil. Na rua, as pessoas ainda te relacionam com o Mundial do Corinthians de 2000?
Fernando Baiano: O Corinthians marcou, foi uma época em que ganhamos tudo, em 1998, 1999 e 2000. Em São Paulo, os torcedores mais velhos reconhecem o trabalho do Mundial, é gratificante.

Você citou que os torcedores mais velhos te reconhecem. As crianças e jovens já não lembram tanto de você?
Fernando Baiano: (risos) É um pouco mais difícil, já faz dez ou 11 anos que saí do Corinthians, é bastante tempo. Acho que os mais velhos lembram. Os mais novos podem lembrar se forem ajudados pelos pais. Mas é gratificante sair na rua e ser lembrado.

Você teria algum conselho para esse atual grupo do Corinthians ganhar o Mundial?
Fernando Baiano: O Corinthians tem hoje grandes jogadores, do nível de Seleção Brasileira. Do lado de fora, posso torcer para o clube realizar esse grande objetivo de ser novamente campeão mundial e trazer esse título para o Brasil. Eu tive a experiência de participar, então vou torcer que eles representem bem o nosso País.

Ainda é o título mais importante da sua carreira?
Fernando Baiano: É sim, com certeza. Não tive outro Mundial, só aquele. Tive outros títulos regionais, no exterior, mas nada tão importante como o título do Corinthians.

As pessoas falam muito em marketing na atualidade. Não seria uma jogada perfeita para o Corinthians ter no elenco atual um campeão mundial de 2000?
Fernando Baiano: (risos). Seria excelente, mas isso não sou eu que decido. Posso dizer que o Corinthians conta com grandes jogadores, seria um sonho poder voltar. Mas eu entendo o momento, o futebol no Brasil mudou bastante. Eu aguardo hoje a minha a chance e vou mostrar que ainda tenho condições de jogar.

Neste tempo em que você está de volta ao Brasil, como tem visto o nível dos jogadores? Muitos falam que está baixo.
Fernando Baiano: Olha, eu acompanho um pouco, sim. A safra do Brasil não é a mesma de dez anos atrás, quando a gente poderia formar três ou quatro Seleções. O País está em reformulação, com dificuldade em formar o time. Não digo que falte qualidade, temos grandes jogadores, mas, com certeza, a safra é bem mais carente do que no período em que comecei.

E na sua posição, como está o nível? Você ainda se sente capaz de disputar de igual para igual com jogadores como Leandro Damião, Fred e Luis Fabiano?
Fernando Baiano: sim, eu joguei na Espanha, no exterior, não tive dificuldade nenhuma. Na Alemanha, joguei debaixo de neve, atuei na Rússia e até nos Emirados Árabes que é muito quente. Eu tenho condições de jogar aqui, de atuar em alto nível, e hoje o futebol brasileiro infelizmente tem certa carência no ataque. Nós temos grandes atacantes, mas antigamente víamos dez ou 15 atacantes para atuar na Seleção.

Fonte: Terra

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