Renovação: Para Manutenção ou Venda?

Vivi a época do Corinthians em que tinha Gralak, Célio Silva, Henrique, Bernardo, Marcelinho Paulista, Marcio Bitencourt, Marcelinho Carioca, Souza, Marques, Tupãzinho, Viola e o inesquecível Ronaldo. Esta foi a geração de jogadores da minha infância. Suavam sangue mas vários eram caneleiros, tinha momentos de puro sofrimento.

Agora temos um time inteiro de selecionáveis, um alto nível técnico e competitivo. Lembro que quando tinha tantos talentos no time, a cada semana pipocava uma noticia falando que um deles era pretendido pela europa ou japão. Nos acostumamos com os jogadores sendo um ou o principal meio de captação de capital pra salvar as contas no fim do ano. O problema disso é que como o pensamento colonial que ainda toma algumas partes da nossa cultura, esse pensamento é de país exportador de mão de obra, só não é escrava pois ganham milhões na troca. Há 10 anos esse pensamento de competir em termos de salário era inimaginável.

A economia brasileira se desenvolveu, a classe C ganhou poder aquisitivo para consumir entretenimento, o mercado que antes era voltado pra população como um todo começou a ser desnatado em vários segmentos. Hoje temos níveis de serviço diferente de acordo com o aporte financeiro de cada bolso.

Com mais capacidade de compra, a exploração dos planos de sócios se expandiu, a área de marketing produzindo uma linha de produtos grande para gerar capital para o clube. Antes os balanços financeiros saltavam os olhos pela grana gerada com a venda de jogadores. Hoje o Corinthians olha a entra de bilheteria, marketing, licenciamento de produtos, entre outros. Hoje não precisamos mais de venda de jogadores, ao contrário.

Tem se noticiado que diversos jogadores desses de alto nível, estão renovando seus contratos com prazos longos. Para se juntar a eles, contratamos jogadores de nível similar por contratos longos. O problema é que ainda nos incomodamos ou preocupamos com venda de jogadores. Há comentários que dizem que renovaram de forma correta pra vender depois, mas vários desses jogadores estão na casa dos 27, 28 anos, no auge físico e técnico deles. Daqui 4 anos eles não terão o mesmo valor de mercado, terá decaído o valor. Essas renovações não são para venda, são para manutenção, não querem perdê-los no auge, querem manter a qualidade do time. Hoje formamos times para ganhar títulos somente, caso algum saia, como no caso do Paulinho, não se trata de necessidade. O jogador hoje no Corinthians fica 3 anos ou mais se for realmente bom, depois se resolve sair o salário é equiparado. Só sai mesmo se o lado profissional pesar. Ou seja, já temos jogadores de alto nível que optam como objetivo profissional jogar no Corinthians, que dirá depois de estádio pago e dívidas menores atingidas? Só resta o nosso torcedor se diferenciar dos demais nessa mentalidade. Se vendermos por valores altos quando o jogador optar, paciência , temos a certeza que foi por motivos profissionais. Nesse caso, sabemos que não precisamos dele como antes que achar, reter e custear um talento era problema. Agora de exportadores, a balança comercial está a nosso favor, achamos, retemos e custeamos. Quem diria estamos importando talentos de nível de seleção.


Por: Bira Deodato

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Bira Deodato, nascido em 1986, Autônomo e Loucamente Corinthiano. ManicômioPretoBranco o ponto de encontro da emoção e da razão.

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