O torcedor do Corinthians foi enganado e ficou feliz com isso

Ana Paula Araújo

Engenheira de formação, mas corinthiana de alma. Deixei a profissão para fazer parte dessa família desde 2013.

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O torcedor do Corinthians foi enganado e ficou feliz com isso

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O torcedor do Corinthians foi enganado e ficou feliz com isso

André Negão, Roberto de Andrade, Jorge Kalil e Andrés Sanchez

Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

O fim da Era Dualib no Corinthians foi justo e necessário. Foram 14 anos em que o poder ficou a cargo de apenas uma pessoa. Sua queda representou a libertação corinthiana das mãos de um ditador. Apesar disso, no seu tempo à frente do clube, muita coisa boa aconteceu dentro de campo, mas tiveram outras tantas ruins/péssimas/terríveis fora dele.

Essa última parte desse primeiro parágrafo te soa atual? Pois, te digo que é mesmo.

Em 2008, todos ficamos felizes com o novo estatuto do Corinthians . A grande mudança se dava no fato de que não poderia mais haver reeleição no clube. A Fiel comemorou e, no começo, até pareceu dar certo. Colhemos bons frutos: títulos, exposição, estádio, CT, patrocínios e, consequentemente, dinheiro. Agora, mais de uma década depois, percebemos que, na verdade, deu tudo errado e que, de fato, nada mudou.

A dívida do clube aumentou exponencialmente, a equipe de futebol masculino já não é competitiva, o jurídico está abarrotado de processos, a Série B é um vislumbre fantasmagórico nesta temporada e a perspectiva para uma mudança positiva futura, dentro e fora de campo, cada dia se distancia mais da realidade e vai ficando na utopia.

Mas por que deu errado? Estava tudo lindo no papel e a gente tinha esperança pra caramba!

De fato, não houve reeleição, mas houve sim perpetuação de poder.

Andrés Sanchez, Mário Gobbi, Roberto de Andrade, Sanchez de novo. Todos da mesma chapa! Aliados, com ideais congruentes. Uma verdadeira teia ideológica que se estende por mais de uma década.

O fato de não reeleger um presidente dava a impressão de rotatividade, mas essa foi superficial. Mudavam os rostos, mas mantinham-se os pensamentos. A perpetuação ideológica ficava lá, intacta. E isso causou os problemas citados acima.

Fomos enganados e nos alegramos!

E não pense você que uma derrota da chapa Renovação & Transparência neste pleito trará mudanças drásticas. Porque quando olhamos mais de perto, há um denominador comum nisso tudo. O problema do Corinthians vai muito além de apenas perpetuação de poder localizada numa mísera chapa, ele se alonga até a concentração deste poder. E é ali, onde o poder se concentra, nesse grupo de sócios - situação e oposição, não importa - que mora o real perigo.

Você por acaso vê alguém que faz parte dessa seleta turma apta a votar e ser votada, disposto a abrir mão de apoio? Eu não. O apoio ali se dá através de demandas de interesses próprios. Será que todos que votam e frequentam o clube são corinthianos? Eles realmente têm interesse em ver o futebol decolar? Pois eu te apresento então o verdadeiro viés ideológico que tange todos ali: a manutenção do poder. E isso causou o maior problema.

Não consigo enxergar qualquer um que vença mudando o estatuto para fazer o que seria de mais correto numa verdadeira democracia: dar direito de voto ao Fiel Torcedor, assim como, de se candidatar para cargos da diretoria.

Quem entrar, pode até melhorar alguns aspectos que hoje são falhos, mas resolver o verdadeiro problema, não vai.

Num clube dessa magnitude, concentrar o poder de decisão nas mãos de poucos é um crime.

No Corinthians, é regra a perpetuação e concentração do poder; a exceção, ah! essa nunca existiu e eu te provo!

Presidentes Tempo no poder
Alfredo Ignácio Trindade 14 anos
Vicente Matheus 15 anos
Wadih Helu 10 anos
Alberto Dualib 14 anos
Andrés Sanchez/Gobbi/Roberto de Andrade 12 anos*

*a completar

A tabela acima só com alguns presidentes e sem aprofundamento, mostra o quão o Corinthians de democrático não tem nada. Soa até irônico escrever isso sobre o precursor da Democracia Corinthiana.

As decisões acerca de tudo que acontece no clube estão nas mãos de 10.550 votantes, segundo o UOL. Tirando mortos, erros e demais obscuridades, caímos para cerca de 3 mil pessoas, apenas. A nação de torcedores passa dos 30 milhões. São esses últimos os que mais injetam dinheiro na instituição e os que têm menos direitos.

O futebol sustenta o social, mas o social decide a vida do futebol. É basicamente uma relação tóxica e abusiva em que um trabalha e também apanha; o outro bate e gasta.

O problema é institucional e, pelo menos para mim, sem solução a curto prazo.

Pode entrar oposição, ficar situação que, na hora que a corda apertar, todos ser unirão em prol da manutenção da Oligarquia Corinthiana. Um 'movimento' que sempre esteve ali.

E a Fiel? Quem é essa?

Veja mais em: Eleições no Corinthians.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Ana Paula Araújo

Engenheira de formação, mas corinthiana de alma. Deixei a profissão para fazer parte dessa família desde 2013.

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