Manutenção de estratégias e ineficiência ofensiva: o início da 'era Loss' em números

Andrew Sousa

22 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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Manutenção de estratégias e ineficiência ofensiva: o início da 'era Loss' em números

Loss soma três derrotas em quatro partidas como técnico do Corinthians

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Antes de qualquer coisa, é preciso deixar claro: a amostragem do trabalho de Loss é mínima e ainda mantém, visivelmente, grande parte do que Carille vinha desempenhando com o elenco do Corinthians. Mesmo assim, alguns números nos ajudam a entender o início do novo comandante - em rendimento e resultado.

Posturas bem distintas (como sempre foi)

Após a derrota deste domingo, contra o Flamengo, Osmar foi bastante questionado sobre a postura da equipe - aqui na coluna, inclusive, pedi uma mudança antes mesmo da bola rolar. A exemplo do que ocorreu no Rio Grande do Sul, em revés para o Internacional, o Timão esperou demais o adversário.

E os números comprovam o defensivismo alvinegro. Contando as nove rodadas do Brasileirão, essa foi a terceira com menos passes trocados pela equipe alvinegra: 343. Contra o Internacional, foram 371. Na única partida de Loss na Arena pelo torneio, a postura foi completamente distinta, propondo jogo e tendo a posse - 557 passes foram trocados, o recorde geral da competição.

Essa alternância gritante de estratégia não foi implantada pelo novo treinador. Com Carille, é possível notar exatamente a mesma coisa. Contra o Atlético Mineiro, fora de casa, o Timão tocou a bola 339 vezes. No jogo seguinte, diante do Ceará, foram 510 passes no gramado da Arena.

Falta de pontaria custa caro

A postura mais reativa longe da Arena Corinthians não vinha sendo problema para o Corinthians, sempre muito efetivo nas poucas chances que criava. Com Loss, no entanto, a finalização tem sido bastante deficiente.

Contra América-MG e Flamengo, os números foram exatamente iguais: de 11 tentativas de finalização, o Timão acertou apenas três. No que foi o melhor jogo do time de Loss até aqui, contra o Millonarios, na Libertadores, foram incríveis 13 finalizações erradas - o recorde da temporada.

As aparências enganam...

Entre as principais críticas da Fiel a atuação do Corinthians diante do Flamengo está a ineficiência da equipe nos passes. O quesito, no entanto, não foi tão ruim quanto parece. Muito pelo contrário, inclusive. Foi o jogo com menos passes errados do Timão neste Brasileirão - 26 erros.

O dado, é claro, tem direta ligação com a estratégia adotada de ter pouco a bola. No entanto, o índice de erros é bem menor do que nos jogos contra Atlético-MG e Palmeiras, quando o Corinthians trocou ainda menos passes do que neste domingo, no Maracanã - foram 40 e 39 erros, respectivamente.

O que dá pra tirar desses números?

Analisando o desempenho rodada a rodada, fica bem claro que o time do Corinthians mudou pouquíssimo das últimas partidas de Fábio Carille para o início de Osmar Loss. A estratégia é a mesma: fora de casa, pouca posse e tentativa de garantir pontos no contra-ataque; em casa, muita posse, mas dificuldade para criar.

Mesmo "fazendo o simples", é possível notar uma equipe mais espaçada e, sobretudo, mais desconcentrada. Domínios e escolhas erradas chamaram atenção no Rio de Janeiro. Em casa, contra o América-MG, poucas oportunidades foram criadas, mesmo com o amplo domínio. É preciso buscar alternativas.

A manutenção do esquema que deu certo com Fábio Carille pode estar ameaçada. Contra o Flamengo, a entrada de Roger melhorou o desempenho alvinegro. A presença de um homem de referência pode ser melhor trabalhada na parada da Copa.

É necessário ressaltar, porém, que Loss tem de lidar com desfalques importantes, além de contar com seu plantel já mais desgastado do que o ex-treinador. Fica claro, então, que o Corinthians ainda não tem muito da "cara" do técnico. Ele merece tempo e paciência. Com trabalho, o rendimento e os números tendem a melhorar.

Os dados são do Footstats.

Veja mais em: Osmar Loss.

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Por Andrew Sousa

21 anos, acadêmico de Jornalismo na Univali e fiel desde o primeiro de seus dias.

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