O perigo do 'hoje tem Corinthians e f$#4-se Grêmio x Flamengo'

Lucas Faraldo

Escrevendo sobre o Corinthians desde 2014

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O perigo do 'hoje tem Corinthians e f$#4-se Grêmio x Flamengo'

Coluna do Lucas Faraldo Knopf

Opinião de Lucas Faraldo

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O perigo do 'hoje tem Corinthians e f$#4-se Grêmio x Flamengo'

Vagner Love e Rodrigo Caio durante derrota do Corinthians para o Flamengo pela Copa do Brasil

Foto: Rodrigo Gazzanel/Ag. Corinthians

Vi um torcedor mais cedo comentando nas redes sociais "f$#4-se a semifinal da Libertadores (Grêmio x Flamengo), porque hoje tem jogo do Corinthians e nada mais importa".

Mês passado, ouvi Vagner Love (do Corinthians, que no próximo sábado pega o Grêmio) dizer que não assiste aos jogos do Flamengo numa época em que Jorge Jesus já dava à equipe rubro-negra uma nova forma de jogar, mais intensa, ofensiva e versátil. O camisa 9 do Timão elogiou os cariocas citando como referência duelos travados contra o time comandado duas vezes pelo interino Marcelo Salles e uma pelo ainda recém-chegado técnico português.

O torcedor e Vagner Love têm em comum algo que, em minha humilde opinião, discordo veementemente: a sensação de que por serem corinthianos podem (ou até devem) se fechar numa "bolha Corinthians". Isso numa era sem precedente em relação à quantidade e à disponibilidade de informações (sobre o próprio Corinthians e principalmente outros times).

"Tenho assistido a poucos jogos, não sou de assistir muitos jogos. Como não estou acompanhando tanto, não posso concordar com uma coisa que não estou vendo. Mas é uma equipe que tem qualidade, jogamos contra o Flamengo pela Copa do Brasil (em maio e junho), pelo Campeonato Brasileiro (em julho). Tem jogadores de qualidade e está mostrando a força que tem. Mas não temos de nos preocupar com os outros. Temos de nos preocupar com o nosso trabalho", disse Vagner Love, no último dia 10 de setembro, questionado sobre suposta superioridade do desempenho flamenguista em relação aos demais times do país.

A satisfação ou insatisfação em relação ao trabalho que vem se desenvolvendo no Corinthians deveria passar diretamente pela comparação aos casos de sucesso que estamos (ou deveríamos estar) vendo atualmente. O que foi a aula de futebol do River Plate na noite dessa terça, na outra semifinal da Libertadores, sobre o maior rival Boca Juniors?!

Sério que o trabalho de seis temporadas consecutivas do técnico Marcelo Gallardo não merece ser estudado principalmente por Carille, Love & cia.? Será que os torcedores do Corinthians, ao analisarem o que o River Plate faz, não teriam maior embasamento para criticar ou elogiar o que está sendo feito no CT Joaquim Grava nos últimos tempos?

O Corinthians de Carille pode estar ficando pra trás (não estou nem entrando no mérito se está ou não e, caso esteja, se seria ou não um caminho sem volta). Fato é que tem muita gente boa diariamente treinando e jogando pelo Corinthians há nove meses: Cássio, Fagner, Ralf, Pedrinho, Love, Boselli e mais recentemente Gil batem de frente com seus "colegas de posição" dos melhores times da América do Sul. Nomes como Bruno Méndez, Matheus Jesus, Vital, Ángelo Araos e talvez até Janderson, se estivessem sendo melhor lapidados (e ainda podem, claro, vir a ser), talvez pudessem entrar em breve nesse mesmo escalão.

Por outro lado...

Como Renato Gaúcho pega nomes tão contestados, "recupera" tais jogadores e transforma um elenco de folha salarial mediana numa potência a nível sul-americano? Como Sampaoli pega um elenco sem nenhum centroavante e em crise política e transforma num candidato a título brasileiro? Como Jorge Jesus cai de paraquedas num time (ainda que recheado de estrelas) e rapidamente identifica os melhores e já os coloca para jogar (e encantar)? Como Marcelo Gallardo pode se tornar tricampeão da Libertadores em cinco anos e já se tornou o maior campeão da história do River Plate apenas em sua atual passagem pelo clube?

Se ignorarmos essas questões e nos fecharmos na "bolha Corinthians", vamos (torcedores, imprensa segmentada, jogadores e comissão técnica) achar que não tem nada de muito estranho no Corinthians de 2019 – como, aliás, já dizem em entrevistas coletivas Carille e seus jogadores. Um Corinthians que há meses não apresenta notável evolução (principalmente ofensiva) mesmo tendo elenco de segunda maior folha salarial do país, três centroavantes que seriam titulares em boa parte das equipes da elite nacional, comissão técnica blindadíssima pela presidência e potenciais estrelas constantemente ofuscadas por repetidas e aparentemente batidas escalações e orientações táticas.

A conclusão? Troquemos por favor o canal da TV assim que acabar o jogo do Corinthians contra a Chapecoense. Há muito o que aprender (e curtir) na semifinal de logo mais entre Grêmio e Flamengo. Aos jogadores e a Carille, nada que um VT não resolva depois!

Veja mais em: Campeonato Brasileiro, Vagner Love, Fábio Carille e Libertadores da América.

Coluna do Lucas Faraldo Knopf

Por Lucas Faraldo Knopf

Jornalista pela ECA-USP e ex-Esporte Interativo, Jovem Pan e Lance!. Hoje trabalha no Meu Timão. Autor do livro 'Impedimento - Machismo, racismo, homofobia e elitização como opressões no futebol'.

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