Camisa 24 do Corinthians tem uma diferença negativa e outra positiva

Lucas Faraldo

Escrevendo sobre o Corinthians desde 2014

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Cantillo e a 24 do Corinthians têm duas grandes diferenças para outros clubes

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Opinião de Lucas Faraldo

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Cantillo e a 24 do Corinthians têm duas grandes diferenças para outros clubes

Cantillo, camisa 24 do Corinthians, é o melhor jogador da equipe no início de 2020

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

A polêmica da camisa 24 chegou chegando em 2020. E o Corinthians foi quem abriu as portas, no episódio da apresentação de Victor Cantillo. E se você está de olho ao menos por cima no noticiário esportivo nacional, já viu que nos últimos dias outros clubes têm se envolvido no assunto. Há agora uma campanha (controversa, na minha opinião) pelo número.

O Corinthians no meio disso tudo difere dos outros clubes em dois principais aspectos. Um ruim. Um bom. Como o bom surge justamente para limpar a imagem suja deixada pelo ruim, fico com uma visão mais positiva do que negativa em relação ao clube alvinegro. E explico.

Ruim?

O Corinthians ficou sob holofotes por conta de uma piada homofóbica do diretor de futebol Duílio Monteiro Alves. E por induzir Victor Cantillo a usar a camisa 8, e não a 24 que já lhe era característica dos tempos de Junior Barranquila. O motivo? Masculinidade frágil e homofobia. "Ai se um corinthiano usar o número do veado vão achar que somos gays".

Sério que usar um número atrás da camisa ou ouvir "piadas" sobre isso vai determinar sua orientação sexual? E sério que você considera ofensivo ser considerado gay? Enfim...

É óbvio que o caso pegou mal para o Corinthians.

Ok. E o aspecto bom?

O Corinthians consertou, dentro do possível, a bola fora. Em seu jogo oficial de estreia pelo Timão, Cantillo apareceu vestindo a camisa 24. Sem alarde algum por parte do clube ou do jogador. E é finalmente aí onde queria tocar com a coluna desta semana.

Está havendo uma comoção muito além do que deveria por parte dos clubes e até jogadores em relação à campanha pela camisa 24. Diria que estão quase lançando uma moda.

Antes: parabéns à revista Corner por tirar os clubes (talvez com exceção de Corinthians e Bahia) da zona de conforto com a campanha "Pede a 24". Mas sobre clubes e jogadores...

A impressão é de que os clubes agora precisam fazer um grande auê coletivo pra avisar que a 24 será usada por por causa da campanha. Imagina vestir sem avisar e acharem que o cara é gay, né?

Parece que é um "vamos parar com essa frescura porque usar a 24 não faz de ninguém gay". Quando deveria ser mais uma conscientização de que não há problema algum em ser gay e estar no meio do futebol; de que é errado fazer piada (leia-se: ser homofóbico) com orientação sexual alheia.

É diferente do que fez o Corinthians. Diferente também do que fez o Bahia – puxou o bonde sozinho e de forma pioneira, dando realmente a cara a tapa e cutucando o vespeiro.

Especificamente sobre o Corinthians, sem alarde, com mais naturalidade (pós-polêmica), a mensagem parece bastante condizente. É quase um "tá, e daí que ele tá usando a 24? Em que ano você tá? Tem algum problema com isso? E se ele for gay? Algum problema também? Tá reparando demais nisso, em! Por que te incomoda tanto?"

E quis o destino que justamente o atleta pivô desse desgaste todo iniciado (e revertido) pelo Corinthians fosse o melhor jogador da equipe neste início de temporada. O gol virou golaço! Até nisso Cantillo parece iluminado nesse seu começo com a camisa alvinegra.

E ainda sobre os clubes que muito se preocupam em divulgar a utilização da camisa 24: cuidado para não confundirem com ação de marketing o que deveria ser um passo progressista, de combate a uma das mais violentas formas de discriminação. Claro que, ainda assim, não estamos falando de gol contra. Mas ô atacante fominha! Ô golzinho feio!

E falando sobre Cantillo, convido vocês a conferirem o 1º Termômetro da Fiel mensal

Veja mais em: Torcida do Corinthians, Violência no futebol e Victor Cantillo.

Coluna do Lucas Faraldo Knopf

Por Lucas Faraldo Knopf

Jornalista pela ECA-USP e ex-Esporte Interativo, Jovem Pan e Lance!. Hoje trabalha no Meu Timão. Autor do livro 'Impedimento - Machismo, racismo, homofobia e elitização como opressões no futebol'.

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