O patético valor de premiação da Federação Paulista ao Corinthians Feminino

Lucas Faraldo

Editor e apresentador no canal do Meu Timão no YouTube

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O patético valor de premiação da Federação Paulista ao Corinthians Feminino

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O patético valor de premiação da Federação Paulista ao Corinthians Feminino

Contra tudo e contra todos: Corinthians Feminino recebe mixaria por bicampeonato paulista

Foto: Marco Galvão/Agência Corinthians

O Corinthians Feminino espera receber R$ 90 mil de premiação da Federação Paulista pelo título estadual de 2020. Aliás, pelo bicampeonato de 2019/20, já que não houve premiação ano passado.

É um valor patético. Para fins de comparação: a mesma Federação Paulista pagou em 2020 R$ 5 milhões ao Palmeiras Masculino pelo título paulista e R$ 1,6 milhão ao Corinthians pelo vice.

A campanha bicampeã do Corinthians, que vale R$ 90 mil para a FPF, teve 30 vitórias, um empate e uma derrota em 32 jogos. Foram 113 gols feitos e 15 sofridos nos dois Estaduais.

  • Cada um dos 21 gols do Palmeiras campeão paulista vale 238 mil reais
  • Cada um dos 113 gols do Corinthians bicampeão paulista vale 796 reais

É como se cada gol do campeão masculino valesse exatos 299 gols do campeão feminino.

"Ain mas cada produto recebe um valor corresponde ao que gera de receitas".

90 mil é comparável ao que a FPF paga de premiação à Série A3 do Estadual Masculino. Vai falar que a final Velo Clube x EC São Bernardo da 3ª divisão paulista masculina gera a mesma receita que Corinthians x Ferroviária pelo Paulista Feminino?!

E o mais importante: o que os cartolas fazem pra valorizar e consequentemente aumentar as receitas sobre o produto futebol feminino?

A final do Campeonato Brasileiro Feminino entre Corinthians x Avaí/Kindermann, transmitida na TV aberta, fechada e internet, foi agendada pela CBF para o mesmo dia a horário que um jogo do Corinthians Masculino. Parece até proposital o descaso de tão inacreditável.

O próprio Corinthians tem em mãos a possibilidade de melhorar seu produto. Depois de cinco temporadas de projeto, o clube estuda uma nova forma de contrato pras jogadoras, com aumento salarial e principalmente de extensão. Via de regra, as renovações contratuais tem acontecido anualmente, com vínculos de apenas um ano de duração.

Por que Jonathan Cafú assinou por três temporadas e ganha um salário maior que a folha salarial inteira do feminino e as meninas campeãs de tudo pelo Corinthians seguem sem a segurança de que, daqui dois anos, estarão empregadas?

Que a parceria iminente do Corinthians com a Ambev também tenha o feminino como foco. A gigante do ramo de bebidas substitui, afinal de contas, a Estrella Galicia, que era uma das principais parcerias do clube na modalidade feminina.

Há também a Neo Química, que já anunciou Marta como embaixadora. Foi a gigante farmacêutica que viabilizou a contratação de Ronaldo Fenômeno pelo Corinthians.

De resto, um grandiosíssimo parabéns às jogadoras e à comissão técnica de Arthur Elias. Em cinco anos de reativação do time feminino, o Corinthians é bicampeão paulista, bicampeão brasileiro, campeão da Copa do Brasil e bicampeão da Libertadores (classificado pras edições de 2020 e 2021 do torneio sul-americano, que serão disputadas ano que vem).

E fica o convite pra assistirem ao pós-jogo do título das meninas no canal do Meu Timão

Veja mais em: Corinthians feminino.

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Por Lucas Faraldo Knopf

Jornalista pela ECA-USP e ex-Esporte Interativo, Jovem Pan e Lance!. Hoje trabalha no Meu Timão. Autor do livro 'Impedimento - Machismo, racismo, homofobia e elitização como opressões no futebol'.

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