Como Corinthians se reforça pra 2021 podendo ganhar dinheiro ao invés de gastar

Lucas Faraldo

Escrevendo sobre o Corinthians desde 2014

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Opinião de Lucas Faraldo

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Como Corinthians se reforça pra 2021 podendo ganhar dinheiro ao invés de gastar

Baú do tesouro do Corinthians pra 2021 tem mais joias que em 2020 e parece enfim aberto

Foto: Montagem/Meu Timão

Reclamei ao longo de boa parte da vitória do Corinthians contra o Huancayo durante a transmissão do Meu Timão lá no canal do YouTube. Era jogo pra golear pique o que fez ontem mesmo o Grêmio. Ou o Peñarol contra esses mesmos peruanos duas semanas atrás.

Isso posto e deixando claro que também tem me incomodado a demora e principalmente a falta de criatividade e ousadia do técnico Mancini na hora das substituições e da própria tentativa de uma "revolução" no time titular, vou deixar um pouco de lado a corneta e fazer uma projeção otimista para 2021 do Corinthians. A brisa é pensar num baú do tesouro.

Novos ativos

O que tem de irritante para alguns, tem de importante. Esse é o termo ativo, que se refere aos jogadores como mercadorias. Nesse sentido, o endividado Corinthians tem ainda mais ativos em 2021 que em 2020. Na analogia do baú, são as joias encontradas lá dentro.

Novidades no elenco profissional como os ótimos João Victor (com proposta recentemente recusada) e Raul Gustavo, bem como Bruno Méndez, que fez suas melhores atuações nos últimos meses, mostram que a zaga pode surpreendentemente ser a maior fonte de receita no mercado da bola - a previsão pra 2021 é faturar R$ 70 milhões com venda de atletas. Até o início da temporada, só se falava em Vital e Bruno Méndez como bons ativos (e olha lá).

Hoje, além das projeções com os jogadores citados, há situações de mercado envolvendo nomes como Piton e Xavier (com sondagens reveladas pelo presidente Duilio Monteiro Alves em entrevista ao Meu Timão), Rodrigo Varanda (especulado pelo jornal britânico The Sun como alvo do Tottenham) e até Léo Natel (procurado por um clube italiano nos últimos dias).

Novo time

De nada adianta um baú cheio de joias se você não consegue abri-lo. Mancini demorou demais (o que pode custar a classificação do Corinthians na Sul-Americana), mas enfim parece ter encontrado a chave. É o novo esquema: tanto pela disposição tática quanto pelo simples fato de agora colocar no time titular mais jogadores que estão jogando melhor.

Pela primeira vez em 2021 inteiro, o Corinthians engatou duas atuações boas: o empate contra o São Paulo e a vitória sobre o Huancayo. Não à toa, as duas partidas em que o novo time foi bancado - e correspondeu, dentro das circunstâncias de pouco treino, com muita intensidade e algumas individualidades até mesmo potencializadas pelo novo esquema.

Quem ganha com isso é o Corinthians dentro e também fora de campo. As joias Raul e João já mostram potencial de titularidade numa formação que começa valorizando justamente o número de zagueiros em campo. Se Jemerson não ficar, a boa notícia é um elenco recheado de nomes: Bruno Méndez, Léo Santos, Danilo Avelar e Gil completam a lista.

Piton e Fagner também tendem a se destacar em participações ofensivas pelas beiradas, justamente o ponto forte da dupla e também o ponto fraco do elenco. É uma ótima solução pra ganho de repertório num ataque que há pelo menos três anos é pobre que dói.

Sobre ataque, aliás, Gabriel e Ramiro formam dupla surpreendentemente ofensiva, mas sabem da concorrência pesada no setor caso não evoluam com o time, com joias como Xavier e Roni e bons passadores como Camacho e Cantillo também buscando espaço. Tem ainda Vitinho, que subiu da base como segundo volante e vem agradando nos treinos.

No ataque, cito Mosquito, Mantuan e até Cauê como boas opções pra essa temporada. Mas destaque fica mesmo pela dupla Vital e Luan, que ressurge das cinzas, cada um no seu tempo, como principais reforços do Corinthians numa temporada sem contratações.

Aliás, que bom ver Luan confiante pra jogar. Já faz a diferença iniciando, distribuindo ou finalizando quase todas as jogadas de ataque num Corinthians que ainda está se encaixando. Imagino que só tende a melhorar no decorrer de 2021 - e o time precisará disso, claro, conforme as competições ficarem mais difíceis na temporada.

Agora com o baú aberto, se faz importante o Corinthians entender cada vez mais o potencial desse tesouro tanto dentro (alô, Mancini!) quanto fora de campo (alô, diretoria!).

Veja mais em: Mercado da bola, Luan, Fagner, Lucas Piton, João Victor, Xavier, Raul Gustavo, Mateus Vital, Vagner Mancini, Escalação do Corinthians, Campeonato Paulista, Copa Sul-Americana e Mercado da bola.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

Coluna do Lucas Faraldo Knopf

Por Lucas Faraldo Knopf

Jornalista pela ECA-USP e ex-Esporte Interativo, Jovem Pan e Lance!. Hoje trabalha no Meu Timão. Autor do livro 'Impedimento - Machismo, racismo, homofobia e elitização como opressões no futebol'.

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