O que Corinthians faz melhor que Palmeiras, Atlético e Flamengo nos 10% iniciais do Brasileirão

Lucas Faraldo

Editor e apresentador no canal do Meu Timão no YouTube

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O que Corinthians faz melhor que Palmeiras, Atlético e Flamengo nos 10% iniciais do Brasileirão

Corinthians de Vítor Pereira cumpre lições de casa e até 'de fora' e larga bem no Brasileirão

Foto: Danilo Fernandes/Meu Timão

Com foco no Brasileirão, esse texto é também uma explicação do porquê de o trabalho de Vítor Pereira no Corinthians ser muito bom até aqui na minha opinião.

A liderança do Corinthians no Campeonato Brasileiro é provisória como todas das primeiras 37 rodadas, mas passa por uma boa largada do time de Vítor Pereira nos 10% iniciais. Passados 38 dos 380 jogos do Brasileirão, Maycon, Willian & cia. vão fazendo o que Palmeiras, Atlético e Flamengo não conseguiram ainda.

Os únicos pontos perdidos pelo Corinthians foi no único jogo em que o favorito era o adversário. Nas outras três partidas em que era o favorito, ou por mais tempo de trabalho ou por mais qualidade técnica, o Corinthians fez nove dos nove pontos disputados.

O Corinthians não teve dificuldade nenhuma para ganhar de times menos prontos pra competir que ele próprio, casos de Botafogo e Avaí. E quando enfrentou um time mais pronto, mas também mais fraco tecnicamente, VP naturalmente teve mais dificuldade mas mesmo intercalado por dois duros jogos de Libertadores soube vencer o jogo de xadrez contra Vojvoda.

Em resumo: nos jogos em que teve condição de ganhar no Brasileirão, Corinthians ganhou e ganhou sem sofrer grandes riscos - com exceção do primeiro tempo contra o Fortaleza, revertido sem maiores dificuldades graças à virada tática pós-intervalo.

Quando perde do Palmeiras, ainda que num clássico vergonhoso para o torcedor do Corinthians, deixa de ganhar três pontos "aceitáveis". O rival, por outro lado, "cumpre com o favoritismo". Numa concorrência direta entre os dois, Timão derrotado num jogo de seis pontos. Mas não é esse o tipo de jogo quem tem feito a diferença na classificação.

Os times mais fortes começaram o campeonato tropeçando justamente nos jogos em que são favoritos, seja fora ou em casa. Além disso, também vão tirando pontos de si como naturalmente acontece num triangular equilibrado e à parte com Palmeiras, Atlético e Flamengo.

Os tropeços:

  • Atlético-GO 1 x 1 Flamengo (perdeu 2 pontos)
  • Palmeiras 2 x 3 Ceará (perdeu 3 pontos)
  • Palmeiras 1 x 1 Goiás (perdeu 2 pontos)
  • Athletico 1 x 0 Flamengo (perdeu 3 pontos)
  • Atlético 2 x 2 Coritiba (perdeu 2 pontos)
  • Goiás 2 x 2 Atlético (perdeu 2 pontos)

As perdas de pontos entre si:

  • Flamengo 0 x 0 Palmeiras (perderam 2 pontos cada)

O resultado é um Corinthians que, apesar de "quarta força", começa mais equilibrado (e forte principalmente dentro de casa) liderando em duas das quatro rodadas*. É quem menos oscila hoje no Brasileirão entre quem promete brigar em cima num calendário mais insano que o normal. De quebra, se recupera e por ora também lidera seu grupo na Libertadores, ainda que lá jogando menos que times como Palmeiras, Flamengo e River Plate.

Óbvio que chegará a hora de o Corinthians tropeçar. Próximo jogo no Brasileiro é domingo fora de casa contra o atual vice-líder Red Bull Bragantino. Também imagino que no decorrer do campeonato o Timão consiga arrancar alguns pontos nos seis jogos em que certamente não será favorito. No fim é tudo questão de equilíbrio.

Espera-se também que melhore conforme VP e sua comissão conheçam mais seus adversários. O time de Vojvoda, que disputa a Libertadores, surpreendeu o técnico do Corinthians: "Já vi que esse campeonato não é fácil, qualquer equipe pode criar muitos problemas, é uma boa equipe essa do Fortaleza", disse Vítor Pereira na entrevista pós-jogo.

Ainda acho preocupante os aspectos físicos e principalmente psicológicos do time, que se mostra muito lento/pesado com uma dupla mais experiente atuando junta como Renato Augusto e Paulinho, por exemplo, e tem muita dificuldade pra mostrar força de reação quando sai perdendo independentemente de quem são os jogadores em campo.

Por outro lado, o rodízio de escalações visando sempre dobradinhas ou trincas de jogos vai criando também conexões entre os mais diferentes jogadores. Duplas como Róger Guedes e Júnior Moraes vão ganhando entrosamento, Willian e Jô vão crescendo a cada semana, Du Queiroz e Maycon são peças-chave hoje tanto sozinhos quanto como dupla, pela direita Mantuan e Adson têm entregado muita intensidade e vão evoluindo junto com o time, Fagner vai sendo preservado para jogos de copa até aqui - e Rafael Ramos tem correspondido bem, a lateral esquerda tem sido bem representada por Fábio Santos, Lucas Piton e Bruno Melo, na zaga Raul Gustavo vai surgindo como nome interessantíssimo pra time e elenco...

Próximos passos dessa equipe e que demandam tempo (seja pra conhecer adversários, seja pra evoluir o próprio time) pedem maior repertório às escalações, seja com jogadores x ou com y se conectando e superando os rivais. Por enquanto, dentro do que se pode cobrar, Vítor Pereira já encontrou com o rodízio uma forma de o Corinthians ser intenso em momentos-chave e mais vencer do que perder pontos - a famosa competitividade. Largada interessante pra uma competição de pontos corridos. E com perspectivas de o time seguir evoluindo.

* quarta rodada ainda tem São Paulo x Santos nesta segunda-feira; se o Santos vencer nesta 39ª partida do campeonato, passa o Corinthians na classificação.

Veja mais em: Campeonato Brasileiro, Vítor Pereira, Corinthians x Fortaleza, Libertadores da América e Escalação do Corinthians.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Lucas Faraldo Knopf

Jornalista pela ECA-USP e ex-Esporte Interativo, Jovem Pan e Lance!. Hoje trabalha no Meu Timão. Autor do livro 'Impedimento - Machismo, racismo, homofobia e elitização como opressões no futebol'.

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