Orientador que festejou gol na Arena Corinthians resolve falar!

Marco Bello

Setorista do Corinthians desde 2009 pela Rádio Transamérica, Marco Bello acompanha o dia a dia do clube

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Orientador que festejou gol na Arena Corinthians resolve falar!

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Orientador que festejou gol na Arena Corinthians resolve falar!

Nadson foi flagrado comemorando defesa de Cássio

Foto: Reprodução - Internet

O vídeo rodou a internet na semana passada. Um orientador de público comemorando a defesa do goleiro Cássio na disputa de pênaltis com a Ferroviária.

Primeiro, falou-se que o profissional teria sido demitido por causa da repercussão, fato que revoltou a torcida nas redes sociais.

Depois a empresa Primícia, que presta serviços ao Corinthians, publicou nota oficial desmentindo o fato.

Pela primeira vez, Nadson da Silva Alves resolveu falar.

- Estava na minha casa quando recebi o vídeo. Fiquei surpreso com a repercussão. Eu conheço o pessoal todo do setor sul da Arena, sempre estou lá. Sou até amigo da dona Wanda. Estou lá para cumprir o meu trabalho e infelizmente aconteceu isso.

Nadson, 29 anos, mora em Cidade Tiradentes, no extremo leste de São Paulo.

- Sou um rapaz pobre, moro em casa de telha. Ganho 70 reais por jogo. Sou corinthiano, não escondo. Mas trabalhei em outros estádios, Allianz, Pacaembu, e nunca tive problemas com outras torcidas. O que eu quero? Só quero trabalhar em paz.

O orientador disse que assim que recebeu o vídeo, a primeira coisa que fez foi repassar para o responsável da empresa, para que o assunto fosse resolvido internamente.

Mas aí um produtor de reportagem da Rede Record entrou em contato para tentar uma entrevista.

- Aí espalhou tudo. Eles me fizeram prometer que eu não daria entrevista alguma. Fizeram eu gravar um vídeo dizendo que não tinha sido afastado, que estava tudo bem. Não sei o que fizeram com o vídeo até hoje.

- Depois fiquei sabendo que os próprios funcionários da empresa estavam repassando o vídeo em grupos de whatsapp, como exemplo negativo, exemplo do que não se devia fazer. Me senti muito mal, como se tivesse assaltado, matado alguém.

Nadson tem uma filha de 8 anos, Nathaly Kristine, também corinthiana, e ganha a vida com serviços esporádicos. Além de orientador de público, também é garçom. Ele disse que foi parar em um ambulatório por causa da repercussão do vídeo.

Nadson e a filha Nathaly em jogo do Timão

Nadson e a filha Nathaly em jogo do Timão

Arquivo Pessoal

- No domingo seguinte eu cheguei no estádio, dei meu nome normalmente. Mas daí os supervisores chamaram eu e minha esposa em um canto. E me disseram que eu iria mudar de setor. Fiquei cuidando do símbolo do clube, na entrada oeste, vigiado o tempo todo por quatro câmeras. Fiquei escondido, quase no estacionamento, como se quisessem que eu não tivesse contato com ninguém.

Sobre o motivo pelo qual resolveu falar, Nadson abriu o coração:

- Não sei o que vai acontecer a partir de agora. A impressão que eu tenho é que a empresa usou uma força desproporcional contra mim. É como se estivessem esperando passar o momento do vídeo, todos esquecerem, para aí me desligarem. Me sinto inseguro. Por isso resolvi falar.

A reportagem do Meu Timão entrou em contato com o diretor da empresa Primícia, Sr. Wilson Primo, que falou o seguinte:

- Ninguém na empresa tem posto fixo. Todos tem que aprender a trabalhar em todos os setores. O Nadson continua trabalhando normalmente. Ele recebeu apenas uma advertência verbal porque não se deve torcer enquanto trabalha. Ele está lá para trabalhar. Agora, ele já foi avisado que não vai ser escalado para jogos do Palmeiras ou Santos, para a segurança dele mesmo. Mas na Arena Corinthians continuará trabalhando. Não vai sofrer represália alguma.

Veja mais em: Torcida do Corinthians e Arena Corinthians.

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Por Marco Bello

Marco Bello é jornalista, apresentador e repórter da Rede Transamérica de Rádio, setorista do Corinthians desde 2009

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