Tiago Nunes está sim na corda bamba no Corinthians e conto o porquê

Marco Bello

Setorista do Corinthians desde 2009 pela Rádio Transamérica, Marco Bello acompanha o dia a dia do clube

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Tiago Nunes está sim na corda bamba no Corinthians e conto o porquê

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Tiago Nunes está sim na corda bamba no Corinthians e conto o porquê

Tiago Nunes não deve permanecer muito tempo como treinador do Corinthians

Foto: Rodrigo Coca/Agência Corinthians

A fala do presidente Andrés Sanchez em entrevista ao portal GloboEsporte.com na última terça-feira quando perguntado sobre a permanência ou não do técnico Tiago Nunes, tinha uma pegadinha:

Começou com: “Eu não vou tirar neste momento o Tiago porque ele não tem culpa..... ele não é o único culpado...”.

Mas poucos prestaram atenção ao final da fala do presidente: “quando ele tiver problema com o elenco, quando ele perder o grupo, aí eu tiro. Enquanto ele tiver o grupo respeitando ele, e ele respeitando o grupo, ele continua sendo treinador do Corinthians”.

Pois bem, para quem tinha dúvidas, o jogo desta quinta-feira contra o Palmeiras mostrou que o técnico não tem total controle sobre o grupo de jogadores.

Claro que em todo time de futebol há insatisfeitos. Geralmente quem joga está feliz e quem não joga fica bravo. Normal.

Mas dependendo do jeito que o treinador leva as coisas, isso pode piorar de uma forma a ficar insustentável.

Vou começar por Danilo Avelar, que foi expulso infantilmente no final do jogo.

Uma resposta de Tiago Nunes após a partida contra o Botafogo me chamou a atenção: “Nada melhor que o tempo para entender quais são os jogadores que têm condição de exercer essa mudança que a gente quer e o quanto o Corinthians vai ter futuramente de investir no mercado para trazer jogadores com esse perfil".

Esta declaração foi dada após uma falha clara de Danilo Avelar no segundo gol do Botafogo.

Vamos a Gabriel e Camacho.

Gabriel entrou “numa fria” após o retorno do futebol. O Corinthians precisava desesperadamente de resultados para se classificar para a fase final do Campeonato Paulista. Estava quase eliminado e ainda tinha chances de rebaixamento.

Não só conseguiu a classificação, como quase foi campeão. O titular do meio-campo? Gabriel. Aí vem o Brasileiro e o titular passa a ser Camacho.

O mesmo vale para Mateus Vital. Titular na campanha da reta final do Paulista, perdeu a posição para Gustavo Mosquito. E depois para Otero.

Sidcley e Piton. Uma hora joga um, outra hora joga outro, sem maiores explicações.

Neste elenco atual do Corinthians há quatro jogadores com capacidade de liderança: Cássio, Fagner, Gil e Jô.

Gil está muito mal tecnicamente desde o começo do ano. Talvez seja o pior ano de sua carreira.

Fagner não joga bem há alguns jogos, deixando de lado o que fez nesta quinta, que não merece nem comentários.

Cássio continua fazendo milagres no gol, mas se notarmos suas expressões durante os jogos, parece impaciente com o time e seus erros.

E Jô está mais nervoso que nunca. Passa o jogo todo tentando cavar pênaltis onde não há.

Estou citando exemplos práticos para não falarem o tradicional “ele tá pegando no pé do treinador por causa dos resultados...”.

Não tenho nada contra o técnico Tiago Nunes, devo ter conversado com ele três ou quatro vezes apenas, não posso dizer que o conheço o suficiente para avaliar sua personalidade.

Mas sei que ele não gosta de ser questionado. Pessoas que trabalham dentro do clube costumam citar a dificuldade em contrariar o chefe.

Será que o recado do Andrés foi só uma preparação para o que vem por aí? Após o jogo contra o Palmeiras, não conversei com o presidente, mas falando com algumas outras pessoas de dentro do clube, a percepção geral é que o técnico não aguenta mais uma derrota.

Se perder domingo para o Fluminense, Tiago pode sim perder o cargo que assumiu em dezembro de 2019.

Não por suas predileções táticas, mas pela falta de jeito em lidar com as estrelas do time.

Com todo o respeito do mundo, o Corinthians não é o Athlético Paranaense. É preciso ter muito cuidado ao mexer em jogadores com o currículo de muitos que estão no Timão. Conquistar seu respeito.

Para terminar, mais um exemplo claro: a provocação de Jadson. Após o jogo, o ex-jogador do Corinthians postou em uma rede social uma foto do técnico do Corinthians e a #GuardiolaBrasileiro.

Uma clara provocação pelo fato de ter sido dispensado pelo treinador ainda no começo de 2020.

Para quem não sabe, Jadson era um dos jogadores mais queridos pelo grupo. Era o cara das piadas, dos apelidos, das brincadeiras. Mesmo quando não jogava, tinha sua importância para os jogadores. Assim como Ralf era respeitado por todos. Será que a raiva demonstrada por Jadson não ecoa dentro do vestiário atual?

Antes que me perguntem: acho que Coelho.

Veja mais em: Tiago Nunes, Andrés Sanchez, Diretoria do Corinthians e Elenco do Corinthians.

Este texto é de responsabilidade do autor e não reflete, necessariamente, a opinião do Meu Timão.

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Por Marco Bello

Marco Bello é jornalista, apresentador e repórter da Rede Transamérica de Rádio, setorista do Corinthians desde 2009

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