O que o sucesso de Felipe na Europa pode ensinar à Fiel e ao Corinthians?

Mayara Munhoz

Jornalista, 30 anos. Editora do Meu Timão e vivendo Corinthians 24 horas por dia há cinco anos.

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O que o sucesso de Felipe na Europa pode ensinar à Fiel e ao Corinthians?

Felipe deu a volta por cima após começo conturbado no Corinthians

Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

"Uma partida perfeita. Colocação, força e velocidade no corte. E, como se isso não bastasse, ele tirou com a cabeça um chute de Salah, que era um gol. Insuperável, ele fez um doutorado diante de um dos grandes ataques do mundo. Melhor que Van Dijk".

Essa é a descrição dada pelo jornal Marca a atuação de Felipe com a camisa do Atlético de Madrid na partida contra o Liverpool, nesta terça-feira. O zagueiro, eleito o melhor do time espanhol do jogo, ainda foi chamado de rei.

Se alguém falasse para você, corinthiano, lá em 2012, que o zagueiro Felipe pararia o "melhor time do mundo" e seria considerado rei na Espanha, você certamente chamaria essa pessoa de louca. Você certamente cairia na gargalhada. E eu não poderia te culpar...

Felipe chegou ao Corinthians em 2012. Ele se destacou no Bragantino, em 2011, e foi contratado pelo Timão. O zagueiro não fez base. Ele começou a jogar em um time de uma empresa de Mogi das Cruzes, sua cidade natal, aos 19 anos. Fez um DVD com seus melhores lances e chamou atenção do time de Bragança.

Por conta dessa trajetória bem diferente, chegou cru no Parque São Jorge. Era visível que Felipe tinha problemas em fundamentos básicos. Com um começo bem conturbado, com só quatro jogos no ano, ele chegou a ser oferecido ao Flamengo, mas o clube carioca o recusou.

Nos dois anos seguintes, as coisas pareciam não melhorar. Em 2013, 14 jogos. Em 2014, 19 jogos. Muitas críticas. Muitas pesadas. Eu fiz uma entrevista com ele em 2015, logo após o título do Brasileirão, e Felipe me contou que pensou em desistir do futebol mais de uma vez nesse período. Não foi um momento fácil para o jogador.

Em 2015, o cenário parecia que ia se repetir. Com a saída de Anderson Martins, a diretoria do Corinthians foi atrás de Edu Dracena. A avaliação era de que Felipe não estava pronto para a disputa da Libertadores. O zagueiro, porém, deu a volta por cima. Venceu a desconfiança interna, convenceu Tite e se tornou titular absoluto da defesa antes mesmo dos primeiros dez jogos da temporada.

"Estou no clube há três anos, tive aquela oportunidade no início e não fui tão bem. Procurei trabalhar da mesma forma, o Tite falou isso para mim. É o que venho fazendo, não é nada de diferente. Teve a desconfiança porque aconteceram coisas que eu não queria, mas sigo trabalhando", explicou o jogador, na época.

Entre sua chegada e o sucesso em 2015, Felipe viu mais de dez jogadores serem preferidos no seu lugar. Viu a torcida distribuir ódio e críticas. Mas, não desistiu. Teve determinação e se esforçou. Soube conquistar o seu espaço.

O resultado, após isso, todos conhecem. Título em 2015, um dos pilares do time ao lado de Gil e até convocação para a Seleção Brasileira. Um dos grandes apoiadores foi o técnico Tite. Ainda no começo do ano, o treinador pediu paciência para a Fiel: "O atleta sente o burburinho. Então, apoiem. O Felipe vai ficar maior com isso. Quando a torcida corintiana dá carinho, é diferente. O cara sente".

Em 2016, então, Felipe foi vendido ao Porto. A transação, aliás, é a terceira maior da história do Corinthians. Foram 11 milhões de euros desembolsados pelo time português. Só Paulinho e Willian renderam mais ao Timão. Três anos depois, o Atlético de Madrid pagou 25 milhões para levar o zagueiro para a Espanha.

A história do zagueiro é, além de inspiradora, uma lição para os torcedores. Precisa ser, aliás.

Claro que existem jogadores que não conseguem evoluir. Mas, Felipe mostra que é preciso ter paciência. Que um começo ruim não pode determinar o fim de um ciclo. Que algumas falhas não transformam o jogador no pior do mundo.

O torcedor, não só o do Corinthians, tem demonstrado uma pressa que, ao meu ver, é desnecessária. Existem jogadores que precisam ser lapidados. Existem trabalhos que demandam tempo. Existem situações que podem ser passageiras. Isso, no caso, vale tanto para os atletas quanto para o Corinthians em si.

Claro que todo mundo quer ganhar títulos, todo mundo quer vitórias e conquistas. Eu também quero. Mas, às vezes, é preciso ter um pouco de paciência para ver a evolução e o crescimento que queremos.

Felipe parou o Liverpool nesta terça-feira. Felipe é rei na Espanha.

E se Felipe, aquele Felipe de 2012, pode ser tudo isso, podemos, então, acreditar que o Corinthians e seus jogadores podem ter uma boa temporada em 2020.

Eu acredito. Assim como acreditei (e tive o prazer de falar pessoalmente a ele) em Felipe antes mesmo de 2015 e sua temporada espetacular.

Veja mais em: Ex-jogadores do Corinthians, Elenco do Corinthians e Torcida do Corinthians.

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Por Mayara Munhoz

Jornalista, 30 anos. Editora do Meu Timão e vivendo Corinthians 24 horas por dia há cinco anos.

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