Adotados pelo Timão: duas histórias unidas pelo destino e amor pelo Corinthians

Sarah Tonon

Trabalhou na ESPN e já tem duas Copas do Mundo no currículo. Atualmente produtora do Meu Timão que marcou o amor incondicional pelo Corinthians na pele!

ver detalhes

Adotados pelo Timão: duas histórias unidas pelo destino e amor pelo Corinthians

Coluna da Sarah Tonon

Opinião de Sarah Tonon

7.9 mil visualizações 46 comentários Comunicar erro

Adotados pelo Timão: duas histórias unidas pelo destino e amor pelo Corinthians

Dois corinthianos adotados pelo Timão

Foto: Arquivo Pessoal

Queria escrever uma coluna em homenagem ao aniversário do Corinthians. Pensei em falar sobre a importância do clube pra mim, fazer uma preleção especial ou contar fatos marcantes da centenária história do Todo Poderoso Timão.

Mas não há forma melhor de comemorar os 109 anos do Corinthians do que contando histórias de torcedores. Um tempo atrás, através do Meu Timão, conheci o Fernando. Um barbeiro corinthiano que, aos 33 anos, tem como objetivo de vida ajudar o próximo.

"Minha história é conturbada, mas tenho muito orgulho dela. Num passado recente eu morei em orfanatos por alguns anos. E por ter passado por essa situação complicada, eu acabei criando dentro de mim que minha missão é ajudar o próximo. Não queria que outras pessoas passassem dificuldade, seja ela qual for."

Fernando viveu parte de sua infância e adolescência em abrigos para crianças. Os aprendizados que teve durante esse período, moldaram seu caráter e ensinaram Fernando a maior lição de sua vida.

"Por isso comecei a fazer ações sociais por aí... ajudar quem precisa. Sempre que posso estou ajudando alguém. E, numa segunda-feira dessas, saí com a minha esposa aqui pelo centro de Osasco procurando alguém que eu pudesse ajudar. Por algum motivo, me veio à cabeça de presentear com uma camisa do Corinthians também, pra passar esse amor que eu tenho pra mais alguém."

A relação com o Corinthians começou desde muito cedo. Quando vivia em orfanato, Fernando tinha o clube do coração como principal companhia. Como se tivesse sido adotado pelo Bando de Loucos.

"Num dos orfanatos que eu vivia, todas as crianças tinham que ir para a igreja nos domingos. Em 2001, eu tinha 14 anos, era um domingo dia de Paulistão, semifinal contra o Santos! Eu não poderia deixar de ver esse jogo... Então me escondi nos quartos e esperei todos saírem para a igreja, fiquei no orfanato escondido assistindo o jogo. E aquele jogo marcou minha vida! Aquele gol no último minuto do Ricardinho! Me ajoelhei no chão e comecei a chorar. Sou corinthiano louco, doente! Doente mesmo."

O Corinthians não o abandonou e nem ele abandonou o Corinthians. Muito pelo contrário. Hoje casado e com duas filhas, Fernando decidiu passar seu amor pelo Corinthians e pela vida pra frente, ajudando quem mais precisa. E, na tal segunda-feira que contou, o destino agiu.

"Encontrei com esse senhor ali no cantinho com suas muletas, perto da minha barbearia, já tinha o visto algumas vezes. Ele perdeu uma perna e tem várias feridas pelo corpo por conta da diabetes. Não sei muito bem a história de vida dele, mas aos 58 anos ele vive na rua e, mesmo assim, não deixa de sorrir e ser feliz."

Fernando o ajudou com comida e com seu trabalho, fez barba, cabelo e bigode enquanto conversavam sobre a vida e suas experiências. A camisa do Corinthians que Fernando havia guardado para presentear alguém especial, estava ali, esperando para ser entregue. Quando finalizou seu trabalho, o corinthiano presenteou o senhor com a camisa. E, por ironia do destino (ou não), ele se emocionou com o presente e começou a cantar o hino alvinegro com muito amor. Vestiu o manto, beijou o escudo e agradeceu Fernando com um abraço. O senhor agradecia e agradecia, não somente pelo presente, mas principalmente pelo ato de carinho e cuidado. Veja vídeo do momento abaixo.

"Tenho muito orgulho da minha história, do que vivi e do que tenho e sou hoje. Sempre que encontro com esse senhor me lembro disso. E ele sempre me agradece."

Ali, o amor pelo Corinthians unia duas histórias muito diferentes e semelhantes ao mesmo tempo. O Corinthians acabava de 'adotar' mais um louco para o bando.

Afinal, é isso que o Corinthians é. É isso que SER Corinthians é. Adotar uns aos outros, criar uma família, unir. Não importa sua cor, credo, gênero, raça, classe social, onde você mora, quanto você tem no bolso, quem você é: o Corinthians une.

Parabéns, Corinthians. Por dar sentido a tantas vidas durante seus 109 anos de existência.

Veja o momento do encontro

Veja mais em: Especiais do Meu Timão, Torcida do Corinthians e 1 em 30 milhões.

Coluna da Sarah Tonon

Por Sarah Tonon

Trabalhou na ESPN e já tem duas Copas do Mundo no currículo. Atualmente produtora do Meu Timão que marcou o amor incondicional pelo Corinthians na pele!

O que você achou do post da Sarah Tonon?