Entrevista: uma voz feminina do corinthianismo

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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Entrevista: uma voz feminina do corinthianismo

O trabalho de conscientização é também um processo de aprendizado

Foto: José Manoel Idalgo

Ela nasceu em uma família de torcedores da Portuguesa de Desportos, mas logo percebeu que sua paixão no futebol era o nosso Corinthians. Analu Tomé cresceu acompanhando o Timão, morou muitos anos em Americana (SP), formou-se em publicidade e hoje atua na área de marketing e mídias sociais.

É uma das coordenadoras do evento do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO) sobre a mulher no universo corinthianista, que será realizado no dia 19 de Março, no Parque São Jorge, com entrada franca.

MT – Há meses vocês estão trabalhando duro na organização deste encontro para reflexões e debates. Qual o saldo deste empenho?

AT – O saldo é o aprendizado. A cada dia, a cada reunião, em cada conversa com outras mulheres, aprendo algo novo sobre nossos desafios e lutas. Tenho certeza de que será um aprendizado eterno.

MT – Quais são as aventuras que viveu no universo do corinthianismo?

AT – Tanto para o homem quanto para a mulher, há aventuras boas e outras ruins. Do ponto de vista negativo, cito a truculência quase que constante da PM nos jogos. Eu mesma já sofri algumas vezes com esse comportamento dos policiais. Lembro de uma partida no Barradão, em Salvador, em que fomos recepcionados por uma chuva de pedras. Foi tensão também após o apito final. Tivemos de ser escoltados para deixar o estádio.

MT – Quais são, até agora, os trabalhos mais relevantes produzidos pelo NECO Mulher?

AT – O resultado mais positivo foi poder, de alguma forma, abrir novas possibilidades; foi organizar esta luta pelos direitos da mulher, dentro e também fora do Corinthians.

MT - Quais são os maiores problemas enfrentados hoje pela mulher torcedora?

AT – Nosso desafio é enfrentar a falta de oportunidade, a falta de respeito e, principalmente, a negação da igualdade.

MT – Quais são os vícios que ainda prejudicam a relação dos homens com as mulheres torcedoras? No que eles deveriam mudar?

AT – Não diria que são vícios. São comportamentos que adotaram pela educação que tiveram ou têm nesta sociedade machista. A mudança não pode se restringir ao universo do futebol. É preciso lutar por uma conscientização geral sobre a igualdade de gênero.

MT - Conte um pouco sobre sua atividade na Rádio Coringão?

AT - Sou responsável pela criação do conteúdo no Facebook da Web Rádio Coringão, que hoje tem meio milhão de seguidores, além de atuar no programa “Resenha”, todas as sextas-feiras, às 20h00.

MT – Soubemos que você e outros corinthianos pensam em organizar um evento do NECO sobre o combate à homofobia no universo corinthianista? Por quê? Acha que a torcida vai entender esse recado e mudar comportamentos?

Sim, é verdade. O Corinthians, por sua essência, não pode deixar de lado nenhuma questão social. Precisamos debater e combater todos os tipos de preconceito. O Corinthians é o Time do Povo, ou seja, é o time de todos! Sei que boa parte não entenderá a proposta, mas se conseguirmos mudar o pensamento de uma pessoa que seja, já será uma grande vitória.

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Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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