O juiz tendencioso: tradição da Copa Libertadores de América

Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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O juiz tendencioso: tradição da Copa Libertadores de América

Haro: talento para a delinquência elegante

Foto: Latina.pe

Como faz o safado competente para roubar e passar impune? Como age para iludir até os torcedores do time garfado?

Copia os magistrados comuns. Contra uns, utiliza o máximo rigor. Peita, intimida, ameaça. Em relação a outros, aplica a máxima complacência.

Neste terceiro jogo da Libertadores 2016, disputado contra o Cerro Porteño, o árbitro peruano Diego Haro seguiu à risca a cartilha da delinquência elegante.

A norma foi considerar como virilidade o jogo bruto dos donos da casa. Sergio Díaz, por exemplo, ganhou passe livre para bater. Sem bola, por exemplo, desferiu forte golpe em Bruno Henrique. Nem mesmo foi advertido.

Luís Leal, Bonet, Alonso e Oviedo bateram à vontade. Jogaram sempre no corpo do adversário. Ao time paraguaio, o apitador exibiu apenas um suave cartão amarelo, na falta criminosa de Rojas sobre Lucca.

O “juiz” espertalhão sulamericano, educado pela infame Conmebol, amarela qualquer um por lances corriqueiros. O objetivo é, na sequência, justificar a expulsão.

Foi como agiu o apitador nesta quarta-feira, em que o rigor seletivo tirou André e Rodriguinho da partida, mas manteve intacta a esquadra adversária.

Há quem diga que André perdeu um gol feito. Verdade verdadeira. Há quem afirme que Guilherme sumiu em campo e que Rodriguinho foi nulo na armação. Correto. Outro opina que Uendel fez sua pior partida pelo Corinthians. Mas a derrota deve, sim, pesar também na conta da arbitragem tendenciosa.

Para mostrar isenção, o árbitro inescrupuloso garimpa uma jogada para punir o time beneficiado na partida, normalmente quando o placar não pode mais ser alterado de forma significativa.

Houve infração no pênalti anotado para o Timão? Sim, mas trata-se de lance comum, que os árbitros tendem a desconsiderar.

Cabe lembrar do que ocorreu na Arena Corinthians, no ano passado, na partida em que perdemos a classificação para o Guaraní.

Está correto aquele que aponta uma partida marcada pela afobação dos corinthianos. Mas o chileno Enrique Osses executou seu serviço de interferência com máxima competência.

Aplicou rigor máximo contra o Corinthians. Foi complacente com os visitantes. Tirou de campo Jadson e Fábio Santos e arruinou o time da casa.

Mas quem é o larápio? Na Copa do Mundo de 2014, em Recife, vi 15 metros à minha frente, o italiano Chiellini derrubar o costarriquenho Campbell dentro da área. Outras milhares de pessoas também testemunharam o pênalti, menos o impassível Osses.

Então, veio à memória a lambança que fez em 2008, quando expulsou quatro jogadores da Universidad Católica em jogo contra o Colo-Colo.

No ano seguinte, na famigerada Libertadores, ajudou o San Lorenzo ao anular um gol legítimo do Universitário do Peru, no último minuto de jogo.

Em 2011 aprontou em favor do Universidad de Chile, prejudicando mais uma vez a Universidad Católica. No ano seguinte, ajudou de novo o Universidad de Chile inventando um pênalti contra o O'Higgins.

Em 2013, resolveu dar uma mão ao Nacional do Uruguai e prejudicar descaradamente o Barcelona de Guayaquil. Foi o jogo em que deixou um uruguaio jogar por quatro minutos depois de receber o segundo amarelo. Também deixou de marcar um pênalti claro para os equatorianos.

A gangue da Conmebol tem agentes em quantidade. Quem não se lembra de José Hernando Buitrago, o famigerado Mr. Bean?

É famoso por sua arbitragem criminosa no jogo entre Emelec e Corinthians, na Libertadores de 2012, no Equador.

Além de expulsar Jorge Henrique, inverteu uma quantidade enorme de faltas. Parecia disposto a oferecer, de todo modo, um gol para o time da casa.

Há árbitros incapazes e árbitros desonestos. Buitrago, que é advogado criminalista, logra a proeza de ser as duas coisas. O árbitro natural de Tolima tem especial gosto por prejudicar times brasileiros.

Em outro jogo da competição continental, auxiliou descaradamente o Boca Juniors contra o Fluminense, em jogo vencido pelos argentinos.

Fingiu não ver Roncaglia tocando a mão dentro da área, expulsou Carlinhos e ainda deixou sem punição da cotovelada de Clemente Rodríguez em Marcos Júnior.

Em seu país, já pegou ganchos e, com frequência, é chamado de "criminoso" por técnicos e dirigentes. É tido como o maior inventor de pênaltis do futebol colombiano.

Em 2007, criou um para dar a vitória ao Millionários contra o Cúcuta, pelo qual foi punido pela comissão arbitral colombiana. Na cara de pau, voltou a burlar a regra no ano seguinte, ao inventar um pênalti que deu ao Once Caldas a vitória por 2 a 1 sobre o Envigado.

Em 2011, resolveu prestar seus "serviços" ao mesmo Cúcuta, anotando um pênalti inexistente que resultou em gol e eliminou o adversário, Boyacá Chicó, do torneio Apertura daquele ano.

Deixamos para o final, essa figura emblemática do futebol sujo, da pouca vergonha e da cara de pau: o elemento Carlos Amarilla.

Em 2013, a mando dos mafiosos da Conmebol, “cometeu” a pior arbitragem de todos os tempos, no Pacaembu, ao oferecer ao Boca Juniors a classificação na mesma Libertadores de América.

Amarilla é o típico mau sujeito, cruel e despótico. Fez sofrer sua esposa, Edina López, cujo rosto chegou a torrar com uma frigideira. Reuniram-se várias testemunhas contra o meliante. Respondeu a processo, mas... bingo! Foi inocentado.

É o padrão de complacência, aliás, que rege o tratamento de figuras públicas que agridem suas mulheres. Temos vários exemplos no Brasil recente.

Amarilla sempre teve o selo de "subornável". Sua lista de malfeitos é enorme. Roubou descaradamente na Copa de 2006 para favorecer a Suíça contra Togo.

Depois, assaltou a Tunísia para garantir a vitória da Ucrânia. Inventou um pênalti de maneira escandalosa. Na época, apresentaram-se evidências de que fora bem pago pela máfia ucraniana. Não deu em nada.

Mas há outros e outros casos. Em 2005, meteu a mão no Pumas, do México, na final da Sulamericana. A imprensa do México estampou a manchete: "Boca ganó por decreto". No ano seguinte, prejudicou o Corinthians contra o River Plate.

Relembremos aquela Libertadores: não exibiu vermelho a Ferrari, que entrou de sola em Mascherano, erguendo apenas o cartão amarelo. Na sequência, invalidou gol legítimo de Tevez. Mais adiante, exibiu o segundo cartão amarelo (expulsão) a Mascherano, numa falta cavada por Gallardo.

Três anos depois, foi novamente acusado de "vender arbitragens" e enfrentou um processo no Tribunal de Justiça Desportiva. A investigação mostrou claramente ações seletivas de favorecimentos. Foi suspenso. Logo depois, entretanto, foi absolvido.

Em 2012, nas eliminatórias da Copa, assaltou o Equador no jogo contra o Uruguai. Vale recordar. Naquela partida, deixou de marcar pênalti claro a favor dos equatorianos, quando Muslera derrubou Benítez na área.

Logo depois, assinalou falta inexistente a favor do Uruguai e sacou o cartão amarelo para Antonio Valencia, retirando-o da partida seguinte, contra o Chile.

Na verdade, pistoleiros do apito como Amarilla deixam pistas pelo caminho. Não seria difícil seguir seu caminho de vilanias e descobrir seus parceiros e clientes.

Tivemos uma chance única de exigir essa investigação e moralizar, pelo menos em parte, o futebol sulamericano. No entanto, Mario Gobbi, presidente do Corinthians à época, deixou passar a oportunidade. Conformou-se logo com os episódios de maio de 2013.

Sofremos agora pelo pecado da omissão.

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Por Walter Falceta

Walter Falceta Jr. é paulistano, jornalista, neto de Michelle Antonio Falcetta, pintor e músico do Bom Retiro que aderiu ao Time do Povo em 1910. É membro do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

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    por @antonio.hermes

    Muito bom tópico! Esse árbitro não pode sair impune, gravem o nome e o rosto desse juiz Fiel Torcida! Não vamos deixar esse bandido apitar novamente jogos do Timão! O problema é que os árbitros mudam, mas a roubalheira continua a mesma. Pelo visto essa Conmebol está escolhendo os juízes a dedo para prejudicar o Corinthians. Por qual motivo? Não sei, só sei que algo deve ser feito com urgência. Queremos justiça, apenas isso!

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    por @espartanoalvinegro

    Simplesmente odeio esse torneio...graças a Deus já ganhamos e invictos...e muita pressão sem a menor necessidade...essa mídia bamby fica endeusando essa várzea e a galera entra na pilha...To cagando e andando pra essa copinha sem vergonha...ter orgulho de ser Corinthians é maior que esse campeonato ajeitado nas coxas...

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    176º. por @milton57

    E sr Walter... E ``florida``! E o que tem me deixado nervoso nos jogos da Libertadores... Arbitragem... Não existe como fazer uma apelacao para fifa acabar com a conmebol, e dissolver seu quadro de arbitragem? ! Se esta sendo feita uma remoralizacao das entidades que regulamentam o esporte a partir da entidade máxima (fifa) o departamento juridico do Corinthians não poderia entrar com uma representacao para que se faca isso também nas entidades regulamentadoras da base? !

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    175º. por @tadeu54

    Falou tudo : O Gobbi incompetente e dorminhoco nunca fez nada! Quando era pra falar, se calava, e quando era pra ficar calado, só falva m#&*@!

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    174º. por @wilson.kikawa

    A Libertadores nunca será uma Champions Ligue!

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    173º. por @wilson.kikawa

    Vemos por esse belo tópico, que não é só o Corinthians que sofre com a arbitragem sulameircana, são todos os clubes brasileiros e outros a qual a Comenbol indica a serem roubados po esses larápios, O futebol das Américas já é há muito tempo fraco, tanto que dificilmente um clube americano ganha o Mundial de clubes, porque lá estão os melhores jogadores, aqui o que se vê são jogos horriveis sem futebol e ainda com favorecimentos desses arbitros inescrupulosos...Ridiculos!

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    Guilherme 42959 comentários

    172º. por @guilherme.teixeira.d

    Juiz muito fraco apesar de ter acertado nas expulsões, só que para o time do cerro deveria ter usado o mesmo rigor.

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    171º. por @mucio.rodolfo.neto

    Irão dizer que é vitimismo, mi-mi-mi mas... É fato sintomático que nessa competição o Corinthians é sintomaticamente prejudicado, para não usar a expressão roubado. Dizem que não sabemos disputar tal competição, que nossos jogadores se perdem pelos nervos. Só que... A metade dos nossos jogadores expulsos ao longo de todas as participações no torneio não seria expulsa se o clube tivesse um pouquinho mais de força nos bastidores. Eu se fosse dirigente do Corinthians não me responsabilizaria pela integridade física dos árbitros que viessem apitar os jogos do Timão. Um cartola como o Trindade faz uma baita de uma falta nessas horas.

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    170º. por @dejair.antonio.bravi

    A verdade é única, a Comebol está fazendo de tudo para minar o crescimento do Corinthians no continente, a partir do momento que ganhamos o primeiro título eles sentiram a nossa força depois disso não tivemos mais paz em relação a arbitragem, ainda mais depois que ameaçamos não participar do torneio este ano se as cotas não fossem aumentadas.

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    169º. por @rafaocherifao

    #[email protected]%, ladrão discarado

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    168º. por @deodato

    A gente dominava claramente o jogo, primeiro tempo foi nosso, os caras tavam desesperados. Aí do nada aparece o juiz caseiro e sai distribuindo amarelos e vermelhos prum lado e só um amarelo para o outro. Isso não soa tendencioso? Claro que é. Essa galera da América do sul faz isso pois sabe que se deixasse pra decidir dentro de campo, o Brasil levaria todo ano.

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    167º. por @pablo.meira

    Meteram a mão bonito, simplesmente após a 1ª expulsão o jogo mudou completamente a favor do Cerro! Espero que tenha sido o único jogo com arbitragem neste nível nesta edição, mas se no mata-mata pintar um árbitro como o do ano passado nas oitavas, nem com o time jogando o fino da bola irá passar!