VP reafirma dificuldade em implementar ideias e vê Corinthians abaixo de concorrentes no Brasil
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Por Meu Timão

Vítor Pereira pediu para não colocarem o Corinthians como postulante a títulos em 2022
Rodrigo Vessoni/ Meu Timão
O Corinthians segue buscando soluções para melhorar o desempenho de sua equipe, comandada há seis meses pelo técnico Vítor Pereira. Nesta segunda-feira, o treinador português, em palestra no evento Brasil Futebol Expo, explicou os motivos pelos quais entende ser difícil implementar seu estilo de jogo no time do Parque São Jorge.
"Cheguei aqui pensando que ia jogar de um jeito, com as meinhas referências, e minha questão é esse, gosto do jogo agressivo, de pressionar, com bola. Eu vinha com essa ideia, mas chegar e calendário e elenco me dão outra realidade. Impossível jogar os 90 minutos como eu quero. Não tenho como fazer isso com qualidade. Muitas vezes treinamos meio período, tem o jogo, não tenho uma equipe minha, com a minha cara, mas sim do jeito que dá. Eu não tive a capacidade, oportunidade, de fazer como queria. Quem joga o jogo são eles e eu monto como dá. Eu expresso oque quero e o modelo é construído por nós, vamos encaixando. Precisa perceber como dá, como não dá. Preciso ter eles em forma também, não adianta, se não, não tem resultado. E quem não tem resultado não adianta nada, porque não se tem tempo, então se vai embora", abriu VP.
"Chegar aqui com ideias bonitas, mas não dá pra fazer todas. Ou seja, jogo vai se formando, não é a ideia que temos inicial. Se eu tenho, imagina, um jogo de espaço, mas meus atletas não sabem jogar entrelinhas, então eu tenho que jogar o jogo, buscar, fazer expressar o talento no espaço que dá. Tem que encaixar o jogador onde ele cabe, se for entrelinhas, se for em espaço... tem que sentir e dosar onde cabe melhor pro jogo", complementou.
Vítor Pereira ainda frisou sua predileção pelo jogo bonito e agressivo, com muita pressão no portador da bola do time adversário. Por depender das condições físicas, o treinador atrela a discrepância entre ideia e execução ao calendário apertado das competições do futebol brasileiro, além de destacar a idade avançada de seu elenco.
" Pareço um treinador muito mais otimista do que um treinador virado àquilo que mais gosto, que é a estética do jogo bem jogado, o que não consegui fazer no Brasil. Minha escola foi sempre essa, mas no Brasil ainda não consegui. Porque tem um calendário absurdo, um elenco que não é jovem e não tem capacidade de responder a jogos de três em três dias, com viagens que nos obriga a não ter quase nenhum tempo para treinar. Eu só consigo jogar o jogo que gosto, de pressing, posse de bola, se tiver tempo para treinar, e no Brasil eu não cheguei perto de ser o treinador que já consegui ser em outras oportunidades", pontuou Vítor Pereira.
Por fim, o técnico do Corinthians ainda utilizou duras palavras ao falar das pretensões do Corinthians na atual temporada. Segundo o próprio, colocar a equipe no mesmo patamar das principais potências do país é "iludir a torcida".
"Sinceramente, ainda não consegui colocar o Corinthians a jogar como eu gosto de jogar, minhas equipes sempre foram de propor jogo, que marcam muito, alto, são agressivas... pelo calendário e elenco isso ainda não foi possível. Tivemos muita gente fora, gente importante, que não nos dá estabilidade. E isso nos faz ter desgaste. É resultado contra tempo, aqui se não se tem resultado, o projeto passa de um ano para um mês, essa é a realidade. Vamos tentando fazer nosso melhor, competindo como podemos, vamos continuar, mas não podemos ser colocados com a responsabilidade e a nível de outros clubes aqui no Brasil, que têm muito mais dinheiro, elenco muito mais preparado, que estão trabalhando juntos e preparando projetos há anos. Então não coloquem o Corinthians no mesmo patamar e responsabilidade, porque é mentira e é iludir torcida, criar um castelo de areia, que vai ser derrubado com uma onda. Isso eu não quero. Não nos coloquem essa responsabilidade, outros clubes tem muito mais que nós", finalizou.