O círculo vicioso de Carille

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Vinicius #797 @vinicius.reboucas1 em 12/08/2019 às 06:04

Primeiro é preciso deixar claro que empate na casa do adversário é sempre bom resultado. Indiscutível. Contudo, o desempenho do Corinthians é passível de críticas e precisa melhorar. Para isso Carille precisa revisar alguns pontos nesse esquema dele.

Nem é preciso ser um expert para notar que é uma ideia ruim forçar o 4-2-3-1 ou o 4-1-4-1 com as peças que o Corinthians dispõe hoje. Do jeito que são usados, são formações que parecem irmãs gêmeas. Nem dá para saber onde uma começa e outra termina. Exigem do elenco uma preparação física absurda para correr de uma grande área a outra, graças à mentalidade defensiva (lê-se retranca). Algo que resulta em três pontos: SOBRECARGA DOS PONTAS, a responsável geração da BAIXA PRODUTIVIDADE OFENSIVA, que é mãe da ESCASSEZ DE GOLS.

Um círculo vicioso digno da espiral da OGX, que foi da ascensão astronômica à queda vertiginosa graças à teimosia do próprio CEO, Eike Batista. Mas será que Carille entende de gestão empresarial?

Provavelmente não. E vamos a outros três pontos que exemplificam isso.

1- É IMPORTANTE OUVIR E ENTENDER O AMBIENTE

Coisa que nosso técnico provou por A + B que nunca esteve disponível em fazer. Defende suas peças preferidas e mantém sua estratégia que se resume em defender no primeiro terço do campo a qualquer custo. Não é novidade e não entraremos nesse mérito. No entanto, essa retranca passa a falsa sensação de solidez defensiva. Como é possível notar na imagem a seguir, há furos nesse queijo.

Nove jogadores do Timão estão dispostos, como sempre, em duas linhas de marcação dentro de uma faixa de 12 a 13 metros a frente da grande área.

Por sua vez, quatro jogadores colorados participam ativamente do lance. Três deles como opções viáveis de passe. Outros três apoiadores estão posicionados um pouco atrás, completamente livres de marcação. Na continuidade, Nico López recebe o passe de D'Alessandro e mete um peito de pé para fora. Se ele 'chapa' a bola no canto direito de Cássio era caixão e vela. Azar o dele, sorte nossa.

Não foi a primeira vez que vimos isso. Nem será a última nesta temporada. Quando não falta qualidade no arremate, sobra qualidade em (São) Cássio. Mas ele é humano. Passível de falhas, como contra o Flamengo. Assim como Gil, que resolveu muita coisa na zaga mas um certo Michael (que não nenhuma Brastemp) já mostrou o caminho para anulá-lo.

2- RECONHEÇA LIMITES DA EQUIPE E PROPONHA DESAFIOS QUE POSSAM SER CUMPRIDOS

A principal opção ofensiva do esquema de Carille é partir em um contra-ataque pelos flancos. Com a bola no pé, o time toca de lado e para trás à exaustão. Pragmatismo puro.

A causa está na ausência de armadores no meio-campo, que é povoado por dois pontas (sofredores), um cabeça de área, um segundo volante e um central. Os dois últimos utilizados como distribuidores de jogo. Caras que estão lá para entregar a bola aos pontas durante a transição. Nada além. Não possuem o necessário para encarar defesas adversárias armadas e abrir espaços pelo meio. Qualidades existentes nos meias de ofício (Jadson, Matheus Vital e, até mesmo, Régis).

Não é à toa que se espera dos pontas velocidade, habilidade, improviso, profundidade, infiltração, assistência e arremate. Tudo executado com perfeição. É muito. Sobrecarrega Pedrinho e Clayson. Ocasionalmente Everaldo e Ramiro. Eles jogam, cada um, em uma extremidade do campo. Não se comunicam a menos que haja um evento muito extraordinário em campo que os leve a trocar dois passes suficientes para uma mísera tabela. Sem contar que precisam marcar o lateral adversário até a linha de fundo do próprio campo, como Clayson fez no lance destacado acima.

Com uma bigorna nas costas, os pontas precisam do apoio dos laterais. É por isso que Fagner está para o Corinthians tal qual Arrascaeta está para o Flamengo e Messi está para o Barcelona. Algo que não deveria acontecer, já que Fagner é defensor.

...não esqueçamos que Avelar está para o Corinthians tal qual um tumor está para um enfermo.

3- ANTECIPE-SE AO PROBLEMA COM SOLUÇÕES VIÁVEIS

Nesse esquema é impossível ser (e ter) um centravante no Corinthians. Quem está nessa função transforma-se em uma ilha, geralmente de costas para o gol, que precisa armar a jogada para ele mesmo finalizar ou quem sabe tentar um passe (espírita) para quem chega de trás. Não dá. Presa fácil, como mostra a imagem abaixo.

É preciso notar que os três apoiadores se apresentam ao ataque ainda em linha. Ou seja, atacam exatamente como defendem. Ombro-a-ombro. Love fica sem opções de passe próximas a ele. Motivo para Junior Urso (!) avançar além da conta e preencher um espaço que não lhe compreende. Espaço que deveria ser povoado por Clayson, Pedrinho ou Sornoza.

Identificado o problema, a solução para haver o mínimo de articulação é um falso 9 centralizado que faça o pêndulo na entrada da área. O elo entre os pontas de pés trocados (ainda por cima), que avance junto e recue com o bloco ofensivo, evitando isolamentos e impedimentos.

Carille sabe disso (pasme) e tenta com Vagner Love resolver essa falta de compactação no ataque. Love também tenta ser 'o cara' para isso mesmo ciente de que lhe falta o necessário para tal. Velocidade, qualidade técnica e fôlego, principalmente. A realidade é dura.

Como o time defende em duas linhas, não existe compactação ofensiva quando a bola é roubada. Só correria mesmo. O 'frente' do ataque não passa de uma figura decorativa à espera de um milagroso passe. Errando ao tentar acertar, errando ainda mais quando tenta se redimir.

Para completar o quadro bizarro, já que está sem ter o que fazer em sua função, o cara tenta colaborar em outra. Quase sempre dá em m*. A exemplo do próprio Love, que acabou como último homem de marcação na jogada que resultou no gol sofrido contra o Palmeiras. Ou das inúmeras vezes em que Boselli foi expectador de luxo. Não diferente de Gustavo, apesar do abismo de aproveitamento entre eles.

Passa a régua e saudações corintianas!

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Clécio Almeida @clecio.almeida em 12/08/2019 às 08:47

Pra mim temos que acabar com esse esquema onde a principal função do atacante é marcar lateral e jogar no autêntico 4.4.2, com Cássio, Fagner, Mendes, Gil, Avelar (ou Carlos), Urso, Jesus, Sornoza e Vital, Pedrinho e Love (ou Boselli). Com esse time teríamos 4 caras no meio que marcam e chegam bem na frente e 2 atacantes cuja função seria fazer gol e no máximo marcar a saída de bola, assim como jogava o time de 2000, com Rincão, Vampeta, Ricardinho e Marcelinho, Capetinha e Luisão.

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Rafael Lw #8.485 @rafael.baguedy em 12/08/2019 às 08:44

Texto muito bom!

Thiago Balzary #121 @thiago.silva133 em 12/08/2019 às 08:44

Isso sim é um tópico!

Sang Nuzoio #5.687 @joao.paulo.pascuare2 em 12/08/2019 às 08:44

A galera se prende muito a resultados e esquece o futebol bem jogado que é o que realmente ganha campeonato, e eu digo e repito, Carille está tentando implantar um sistema de jogo a força que não combina com os jogadores que ele gosta de escalar e o time acaba indo mal, ele mesmo limita o time, faz o time passar sufoco desnecessário as vezes, faz o time perder pontos importantes e empata demais, quem empata demais no Br não passa do meio da tabela. É isso que a galera não vê, eu fico puto porque sei que o time pode mais do que isso. O jogo do Corinthians não encaixa do meio pra frente, um time da grandeza do Corinthians não pode jogar por uma bola, não dá pra ficar jogando no erro do adversário, perdemos vários pontos por causa disso, ganhamos outros claro, mas o time acaba perdendo mais pontos do que ganhando... Tanto que se um time empatar todos os jogos do Br cai...

Carille é muito teimoso, já larguei mão... Até é um bom técnico, poderia fazer igual o Tite, estudar 1 ano na Europa e voltar, quem sabe ele evolua.

Vinicius Rebouças #797 @vinicius.reboucas1 em 12/08/2019 às 08:42

Quadro tático do GE só se me pagarem, Guilhermão. E o passe é alto.

Guilherme #8766 @guilherme.nesta.marl em 12/08/2019 às 08:29

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Duas vitórias seguidas pra começar a elogiar o Carille novamente, basta empatar um jogo que os cara já vem com o quadro tático do GE, os caras falam como se o Jadson fosse a nossa solução, o cara entra em campo e parece que ainda está no banco

Marcelo Mello @marcelo.mello1 em 12/08/2019 às 08:33

O time não se aproxima para triangulações, é raro haver uma troca de passes e isso é problema do treinador. A falta de um meia armador é desculpa esfarrapada, os times europeus não jogam com um 'camisa 10' de fato.

Edilson Silvério @edilson.silverio em 12/08/2019 às 08:32

Concordo, resultado em si não foi tão ruim, mas o futebol uma desgraça, o pensamento retranqueiro do Carille ficou claro na coletiva, quando respondendo uma pergunta sobre o Vital ele disse que com ele o time perderia um pouco de marcação no meio campo, bom então ele está andando para o fato de ele dar mais dinâmica ao jogo e ter excelente passe e que poderia meter uma bola e acharmos um gol, ele só quer defender, por isso terminamos o jogo sem nenhum meia e com 3 voltantes de ofício mais o Ramiro que pra mim é um volante enrustido. E podem achar coincidência mas não demos um chute ao gol, no segundo tempo então com este monte de pereba nem pegamos na bola!

Alan #07 @07alan em 12/08/2019 às 08:30

Simples parar de frescura esse negócio de 4-2-3-1 / 4-1-4-1. Todo mundo faz essa mesma frescura treinador que não treina outro esquema é brincadeira. Fazer ponta voltar para marcar é uma das coisas mais infames do futebol. Claro que a comparação não é pela capacidade técnicas mas sim do futebol, Messi não volta parar marcar e tantos outros pontas do futebol europeu a função dele é criar jogadas, o cara não tem folego para isso. Ai pega um pivô que fica lá segura bola até o cara chegar é zueira.

Guilherme Nesta Marley #8.766 @guilherme.nesta.marl em 12/08/2019 às 08:29

Duas vitórias seguidas pra começar a elogiar o Carille novamente, basta empatar um jogo que os cara já vem com o quadro tático do GE, os caras falam como se o Jadson fosse a nossa solução, o cara entra em campo e parece que ainda está no banco

Vinicius Rebouças #797 @vinicius.reboucas1 em 12/08/2019 às 08:26

Concordo.

Mas temos que ficar ligados em não justificar nossas deficiência com base na qualidade deles. Nossas correções táticas dependem exclusivamente da nossa comissão técnica e jogadores.

Sérgio @sergio.vulpini em 12/08/2019 às 07:35

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Pessoal acha que está jogando contra um CSA da vida em pleno Itaquerão.

Internacional é um time bom e bem treinado com ótimos jogadores, quem dera termos um reserva igual ao Nico Lopez.