A primeira vez a gente nunca esquece...

Fórum do Corinthians
Tópico Lendário Entenda as regras

Paulo #8.314 @paulo.oliveira31 em 10/11/2015 às 20:46

Eram quase 13:00h daquele domingo, 05 de agosto de 1979, acompanhando o Sr. Vicente, um Corinthiano fanático que não media esforços para ver o Timão jogar, eu caminhava apressado e eufórico pelos atalhos de um bairro periférico da cidade de Sumaré. O Sr. Vicente, um senhor negro, pedreiro de profissão, em uma mão portava seu velho Motoradio à pilhas e com a outra acenava furiosamente e praguejava nos ameaçando, a mim e ao Marcos, seu filho, que distraídos olhávamos as “pipas” a balançarem no céu, de deixar-nos para trás, pois, o coletivo já deveria estar chegando ao ponto de embarque. Apressamo-nos. Não passava por nossas infantis cabeças a possibilidade de perder aquela oportunidade de ver, pela primeira vez, o Timão em campo.

Embarcamos no busão abarrotado com destino à Campinas. Pelo caminho, cerca de 20 km que separa as duas cidades, ia relembrando as narrações dos jogos que acostumava ouvir pelo rádio, em especial àquele gol do Basílio na decisão de dois anos atrás.

Vencido os quilômetros que separam as duas cidades e mais os quarteirões infindáveis entre o terminal rodoviário até o estádio, por volta das 15:00h adentrávamos ao Moisés Lucarelli. Ocupamos a arquibancada atrás do gol logo abaixo da torcida uniformizada. Enquanto não começa o jogo ouvia toda aquela resenha pré-jogo do rádio, o que me deixa muito tenso até hoje.

Finalmente chegou a hora do Corinthians entrar em campo. Eu gritava a todo pulmão. Fazíamos desenrolar os rolos de papel higiênico que nos foram entregues na entrada pela organização da Gaviões. As bandeiras tremulavam ao som de incansáveis tambores e batuques. O velho Moisés Lucarelli pulsava e eu tremia de ansiedade. Estavam ali, há poucos metros, aqueles ídolos que até então ouvia falar pelo rádio, via pela TV. Jairo, Zé Maria, Mauro, Palhinha, Sócrates, Wladimir, Biro-Biro... O coração batia forte no ritmo dos surdos da Gaviões. Naquele momento, aquele garoto de pouco mais de 10 anos de idade experimentava todas as delícias de uma verdadeira paixão.

Infelizmente o resultado não foi o esperado. Perdemos por 3 X 0. Gols de Barrinha, João Paulo e Marco Aurélio. A tristeza pela derrota foi de longe suplantada pela alegria de ter visto os ídolos de perto. Posteriormente, numa final contra a mesma Ponte Preta, o Timão vinha a se sagrar Campeão Paulista de 1979.

Voltando à minha humilde realidade, ostentava o orgulho entre meus amigos de pelada no campinho de ter tido o privilégio de ter visto o nosso Corinthians em campo, ao vivo, bem de pertinho.

Hoje, sempre que posso, não deixo de acompanhar meu Timão em seus jogos aqui pelo interior do estado. Cada jogo é uma experiência diferente, todas muito gratificantes, mas, aquele 05 de agosto de 1979 ficará guardado para sempre em minha lembrança.

de pé: Jairo, Zé Maria, Mauro, Amaral, Caçapava e Romeu

Agachados: Piter, Palhinha, Sócrates, Biro-Biro e Wladimir.

Salve, Nação Corinthiana!

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Eduardo Alves #401 @eduardoalves em 11/11/2015 às 08:37

Que time, que camisa linda, que história gloriosa, que nação apaixonada.. Arrepia só de imaginar. Obrigado meu Deus, por me fazer corintiano

Fiel Oz #359 @mclhp em 11/11/2015 às 02:13

Pegou uma época linda do futebol, mesmo sendo tempos de vacas magras. Eu sou de 80, ou seja, sofri um pouquinho também rs...

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Cezar Simao @cezar.simao em 12/11/2015 às 09:25

Que história linda, obrigado por compartilhar!

É um orgulho danado de ser Corinthiano, não faço a menor ideia se as outras torcidas são assim, mas a minha é de encher os olhos!

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Miguel Angelo De Souza #1.464 @miguel.angelo.de.sou em 12/11/2015 às 07:29

Era de verdade um outro futebol. Futebol que nos deixou saudades pelos grandes jogadores que atuavam no futebol brasileiro. Quem viveu, realmente sente saudades e não consegue, de forma alguma, entender como o Sr. Tele Santana conseguiu, com aquela constelação de craques, perder a copa de 1982 e nem o porque de os tais Serginho Chulapa e Paulo Isidoro (o falso ponta) serem titulares. Ele podia até estar a frente do tempo dele, mas deveria deixar os craques jogarem. A quantidade de pontas direita que tínhamos era enorme, centro avantes nem se fala. Mas, tinha o Cerezo, tinha a Itália e tinha um tal de Paolo Rossi no caminho, como fossem a pedra tão bem descrita por um outro 'tal' Carlos Drumond de Andrade.

Agnaldo #7193 @agnaldo.fernandes.le em 11/11/2015 às 22:22

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Parabéns pelo tópico! Recordar é viver. Anos 80. Quem viveu, viveu e sente saudades

Miguel Angelo De Souza #1.464 @miguel.angelo.de.sou em 12/11/2015 às 07:23

Momentos únicos, porém, apesar de únicos, tenho certeza se repetirem a cada partida que possas estar no estádio. Em especial quando pela primeira vez em nosso estádio maravilhoso. Estou esperando o próximo ano para proporcionar ao meu filho estas emoções. Parabéns por ser corintiano e obrigado nos contemplar com sua inspiradora experiência!
Como já dizia Mandela: 'O exemplo ajuda, mas a inspiração transforma.'

#vaicorinthians

Nelson Hipolito #2.173 @elantra em 12/11/2015 às 00:10

Minha primeira vez foi no parque São Jorge, se não me engano foi contra o São Bento de Sorocaba, infelizmente o Rivelino, nosso maior jogador da época foi expulso e depois suspenso por muitos meses, Motivo ele chutou a perna do Bandeirinha (juiz de linha).

Agnaldo Fernandes Leitao #7.193 @agnaldo.fernandes.le em 11/11/2015 às 22:22

Parabéns pelo tópico! Recordar é viver. Anos 80. Quem viveu, viveu e sente saudades

Danilo Nogueira #4.909 @danilolima em 11/11/2015 às 21:11

A primeira vez que eu vi o Corinthians jogar foi pela TV (e até hoje é, pois moro no Ceará e sou de família de pobre). Eu só tinha 6 anos e estava eufórico vendo aquela torcida gritar com tanta paixão, mesmo estando na série B. E desde aquele dia torço pelo Corinthians na alegria e na tristeza.

#VAICORINTHIANS!

Francisco Jr. Silva #108 @francisco.jr.silva em 11/11/2015 às 21:09

Coisa linda sem patrocínio toda limpinha essa camisa é linda, bons tempos, dinheiro importava mas não era vital como hoje, mas nessa época sofríamos muito, os outros grandes tinham estruturas melhores que a nossa, mas recuperamos e hoje somos tão grande como qualquer um, nesse ano mesmo fizemos um time só de negros, nenhum branco, sempre fomos diferente mesmo. Esse só tinha dois o palha e o doutor, saudades.

Givaldo Oliveira Vitorino #6.131 @govitori em 11/11/2015 às 20:53

Cara, este time do Timão se fosse hoje, com o preparo físico que existe atualmente, disputaria de igual para igual com o Barcelona de Messi, Neymar e tudo!

Dá-lhe Coringão!

Antonio Jose De Oliveira #852 @o.corinthiano em 11/11/2015 às 20:28

Eu me lembro muito bem desse time, time de guerreiros, ganhamos o título paulista daquele ano.

Um jogador em especial, craque na concepão da palavra, alto, magro, toque refinado, muito inteligente, podia jogar de olhos fechados, toques desconcertantes de calcanhar, pegava desprevenidos os adversários.

Ah que saudades daqueles tempos, mas também muito feliz com o Corinthians de hoje.

Marcos - Sp #539 @prmas em 11/11/2015 às 19:44

Naquele tempo os caras jogavam porque gostavam... Dr. Sócrates saia do Pacaembu caminhando depois do jogo, nada de carrões... Kkkk