História De Arrepiar

Fórum do Corinthians
Tópico Lendário Entenda as regras

Joel #6.165 @joelouco86 em 04/02/2016 às 13:34

HISTÓRIA DE ARREPIAR

Creio que muitos aqui já leram a história a seguir, mas eu também já lhe e leio novamente sempre que passo pela pasta onde ela está no meu PC.

Pacaembu Corinthians x CRB. Primeiro jogo do Corinthians na série B, maio de 2008.

Era a semana de aniversário de meu neto. Eu e um dos filhos, preparamos uma comemoração especial para o Bruno. Seus 12 colegas corintianos colegas de classe foram os convidados. Com antecipação comprei ingresso para o batalhão, no setor laranja, bem no meio de campo, ao lado das torcidas organizadas. Cansei de tirar fotos e dar autógrafos. Faz parte. E atendo a todos com respeito e compreensão. Faltando uns 10 minutos para começar o jogo, vejo um senhor idoso caminhando na minha fileira, dirigindo-se e olhando para mim. Devia ter mais de 70, pardo, magrinho, roupas simples e um boné branco. Estava um pouco ofegante. Pediu licença para minha neta e sentou-se ao meu lado. Cumprimentou Bruno e disse: “Dr. Eu não quero foto nem autógrafo, mas queria que o senhor escutasse a minha história. Sou corintiano desde menino e moro em Guaratinguetá. Ano passado tive dois enfartes do coração e quase morri. Faz 20 dias, tive o terceiro. Um dia, eu estava na UTI, fechei os olhos e fiquei pensando na vida, na família, nos amigos e no Corinthians. Minha mulher sentada ao lado, pensou que eu estivesse dormindo. Entrou o cardiologista e continuei de olhos fechados. Ele também pensou que eu estivesse dormindo e disse para minha mulher, que ia ser difícil escapar dessa, mas do próximo, eu morreria mesmo. Não abri os olhos para eles não se sentirem culpados por eu ter escutado aquilo. Mas melhorei, tive alta e hoje tomo uma porção de remédios. Mas sei que meu fim está próximo. Então pedi a meu cunhado (e apontou o dedo para um senhor que estava um pouco abaixo e prestava atenção, sem poder ouvir, aquela conversa) que me trouxesse a este jogo. Sabe o que eu vim fazer aqui, doutor? ”

Eu não tinha resposta para aquela pergunta e ele concluiu:

“Vim me despedir do Corinthians, doutor!” Me deu um abraço e foi-se em passos curtos, alquebrado, pedindo licença às pessoas daquela fileira. Minha neta Giulia sentou-se e com o carinho de sempre, apertou minha mão e disse:” Não vai chorar vô, que o jogo já vai começar.

Tenho as feições desse homem perfeitamente gravadas na minha memória. Seria capaz de reconhecê-lo num Pacaembu lotado. Sempre pensei muito nessa conversa e nunca poderia imaginar que alguém fosse se despedir do time que torce. Mas já tomei uma decisão. Um dia vou fazer a mesma coisa!

Osmar Pereira Soares de Oliveira (Saudoso Dr. Osmar).

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Leandro Germano #3.030 @lgermano em 04/02/2016 às 14:08

Cara, essa história sempre eu leio me emociona.

Certo dia me peguei pensando como seria quando chegasse a minha hora de partir.

Todos sabemos que uma hora vamos embora, que vamos deixar para trás tudo que conquistamos, vamos deixar nossos filhos, amigos, netos, etc...

Foi nesse momento que eu pensei no Corinthians. Não sei se é muito egoísmo de minha parte, ou se sou meio xarope de pensar assim... Deixar as pessoas para trás eu sinto que é normal, mas deixar de ver o Corinthians, isso me entristeceu de uma forma que se pudesse ser eterno, só para ver o Corinthians, eu escolheria esse caminho...

Essa separação será muito sentida...Espero poder continuar acompanhando, independente de onde estiver...

E para quem acredita em reencarnação, espero voltar Corinthiano, pois esse sentimento só quem é sabe...

Últimas respostas

Eduardo Martins #42 @edu.81 em 04/02/2016 às 22:19

Também mano! Talvez a melhor ou maior manifestação do puro sentimento do que é ser Corinthians

Leandro #3030 @lgermano em 04/02/2016 às 14:08

" "

Cara, essa história sempre eu leio me emociona.

Certo dia me peguei pensando como seria quando chegasse a minha hora de partir.

Todos sabemos que uma hora vamos embora, que vamos deixar para trás tudo que conquistamos, vamos deixar nossos filhos, amigos, netos, etc...

Foi nesse momento que eu pensei no Corinthians. Não sei se é muito egoísmo de minha parte, ou se sou meio xarope de pensar assim... Deixar as pessoas para trás eu sinto que é normal, mas deixar de ver o Corinthians, isso me entristeceu de uma forma que se pudesse ser eterno, só para ver o Corinthians, eu escolheria esse caminho...

Essa separação será muito sentida...Espero poder continuar acompanhando, independente de onde estiver...

E para quem acredita em reencarnação, espero voltar Corinthiano, pois esse sentimento só quem é sabe...

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Jorge Ruiz Bichuete #445 @jorbi em 04/02/2016 às 21:59

Vixe que bacana, arrepiou até o cabelo do..

Luis Almeida #1.984 @luis.de.almeida em 04/02/2016 às 20:53

Infelizmente essas coisas a gente nem sempre escolhe, mas se pudesse com certeza eu gostaria de ter essa oportunidade quando minha hora estiver perto. Me enterrem com meu cartão do fiel torcedor, quem sabe há alguma arquibancada pra nóis por lá.

Mauricio Di Santi #29 @mx1972 em 04/02/2016 às 20:09

Essa história me lembra um pouco uma outra história da qual tomei conhecimento pela Revista Placar no início dos anos 90.

A história era a seguinte : Era o ano de 1969, creio eu. Corinthians x Santos se enfrentavam no Pacaembu, era, portanto, o tempo da fila, do terrível jejum de títulos.

Quem contou essa história à Placar, foi o falecido Plínio Marcos. Ele - Plínio, estava no ônibus indo para o Pacaembu, e na condução encontrou um homem negro, de meia idade com a bandeira do Corinthians, Plínio começou a conversar com ele já dentro da condução.

Dentro do estádio, os dois assistiam ao jogo juntos. O fato é que a partida caminhava para o final, e o Santos de Pelé vencia o jogo. De repente, como que num desespero por estar perdendo o jogo, este homem começou a gritar por jogadores de um passado vitorioso do Corinthians, bem diferente daquele presente de 1969, que foi uma época de derrotas.

Este homem começou a chamar por Idário, Cláudio, Baltazar, Luizinho, Plínio Marcos percebeu que o homem não estava bem, pediu ajuda, mas ninguém deu ouvidos.

Por fim, o jogo acabou, o Corinthians perdeu, e aquele homem negro da bandeira Corinthians, morreu ali mesmo.

Gabriel Guedes #192 @gabriel.guedes7 em 04/02/2016 às 15:57

Eu estava nesse jogo!

Marcos De Souza #5.841 @mmodal em 04/02/2016 às 15:47

Dr Osmar, sensibilidade pura.

Eu Eu #645 @campina em 04/02/2016 às 15:40

Grande dr. Osmar

Antonio Godoi Junior #35 @junior.junior5 em 04/02/2016 às 15:35

Emocionante mano

Rogerio Savio #112 @rsavio em 04/02/2016 às 14:37

Quanta saudade Dr. Osmar, nosso defensor.

Joice De Cassia #10 @joice.cassia em 04/02/2016 às 14:23

Este deixou saudades garnde corinthiano Dr.Osmar

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