O dia que Garrincha transformou o Corinthians em Timão

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Pablo @pablo.rocha1 em 25/03/2016 às 13:26

Poucas pessoas que ouvem o nome de Garrincha e suas histórias nos dias de hoje não imaginam que o eterno craque das pernas tortas um dia vestiu o uniforme alvinegro do Corinthians. Considerado o segundo maior jogador brasileiro de todos os tempos - atrás apenas de Pelé -, Mané Garrincha se consagrou como jogador de futebol no Botafogo e na Seleção Brasileira. Cansou de entortar zagueiros e marcar gols de placa nas décadas de 1950 e 1960.


O talento com a bola sempre foi gigantesco, mas os dribles e títulos dentro do esporte se confundiam com a vida pessoal conturbada do jogador. Na época, o futebol ainda era muito amador e menos estruturado no Brasil. A ingenuidade de Garrincha fazia com que ele fosse explorado por dirigentes e treinadores.


Em uma entrevista para a Rede Record, em 1982, um ano antes de morrer, Garrincha chegou a admitir que assinava contratos em branco e que só passou a receber salários do Botafogo depois de 1962, quando já era bicampeão mundial com a seleção e campeão carioca com o Botafogo.


'Nunca liguei para dinheiro. Só queria o suficiente para viver e para sustentar a minha família. Assinava os contratos em branco e gostava de jogar futebol. Diziam que eu era um patrimônio do clube e eu ficava todo feliz, por isso queria ajudar', disse o jogador, que revezava os treinamentos com a paixão pela caça de pássaros usando espingardas de chumbo.


No começo da carreira, a obrigação de jogar pela seleção e pelo Botafogo também prejudicou o jogador. Na entrevista concedida à Record, Garrincha disse que jogou seis jogos pela seleção com o joelho machucado. 'O médico dizia que não ia dar nada, injetava o medicamento e eu jogava, mas depois meu joelho já inchava de novo. Ele disse que não ia me prejudicar, mas prejudicou sim', disse, na época, ao jornalista Flávio Prado, que era repórter da Record.


A ingenuidade e o bom coração se misturavam com o vício do atleta pelo álcool, que o seduziu ainda na adolescência em festas que o pai organizava em Magé (RJ), onde Mané nasceu e foi criado. Garrincha também nunca escondeu a atração que sentia pelas mulheres. Ele teve 12 filhos com quatro mulheres diferentes.


CORINTHIANS E O 'TIMÃO'

Depois de passar 12 anos no Botafogo, clube que mais defendeu na vida, e já bicampeão do mundo com a seleção, Garrincha se transferiu para o Corinthians em 1966, com 32 anos. O físico não era mais o mesmo, mas os dribles continuavam desconcertantes. Mané foi contratado no início daquele ano pelo presidente do clube, Wadih Helu, que também trouxe o zagueiro Ditão, que jogava no Flamengo, e o volante Nair, da Portuguesa.


Ditão e Nair viviam grande fase e chegaram com status de estrelas na equipe paulista. Foi então que a imprensa paulista criou o apelido de 'Timão' para denominar o Corinthians daquele ano, que tinha um elenco excelente e promissor. Outro motivo para o uso do apelido foi o formato do escudo corintiano, que também lembrava, na época, antes de sua reformulação, um Timão (o volante) de um navio, mais arredondado.




DECEPÇÃO E ORGULHO

No Corinthians, como já era de se esperar, a estrela de Garrincha não brilhou como no Botafogo ou na seleção. Atuando com a camisa 7, o craque jogou apenas 13 partidas com o manto alvinegro, marcando dois gols: sobre o Cruzeiro (vitória do Corinthians por 2 a 1) e sobre o São Paulo (vitória por 2 a 0). Aqui, é possível assistir lances do craque com a camisa corintiana no empate sem gols contra o Santos, pelo Torneio Rio-São Paulo de 1966.


Na época, o fato de o clube não conseguir conquistar nenhum título foi motivo de frustração da diretoria e da torcida, já que a equipe vivia um jejum de 23 anos sem conquistas. A seca só terminou nove anos depois, em 1977, com a conquista do Campeonato Paulista em cima da Ponte Preta.


Mesmo sem grandes conquistas e com uma passagem rápida, Garrincha continuava com o mesmo bom coração de sempre. Doava camisas de jogo, chuteiras e até o calção que jogava após a partida aos torcedores. Sempre preferiu dar mais aos outros do que ter para si. A generosidade de Mané é louvada até hoje por ex-companheiros do jogadores. Não há sequer um jogador que dividiu o vestiário dom Garrincha que não exalte sua bondade.


Depois do Corinthians, o craque das pernas tortas ainda passou por Flamengo, Portuguesa Santista, Olaria e Júnior de Barranquilha, da Colômbia, mas não conseguiu mais repetir o brilho dos anos anteriores.


Garrincha morreu em janeiro de 1983 por complicações no fígado causadas pelo alcoolismo, mas deixou um legado que se estende por gerações e estados brasileiros. Aqui, os paulistas também tiveram o privilégio de se encantarem com a mágica das pernas tortas que bailou por tantos anos sobre os zagueiros adversários.


Eu nem te vi jogar, Garrincha, mas tenho saudades. Obrigado.

FONTE: http://espnfc.espn.uol.com.br/corinthians/almanaque-mosqueteiro/8376-o-dia-que-garrincha-transformou-o-corinthians-em-timao O dia que Garrincha transformou o Corinthians em Timão | ESPN FC - O site que veste a camisa O dia que Garrincha transformou o Corinthians em Timão | ESPN FC - O site que veste a camisa espnfc.espn.uol.com.br

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Wagner Branco #1.175 @chela em 25/03/2016 às 14:22

Bonita história, gostaria de fazer apenas 2 observações:

Garrincha nasceu em Pau Grande, no estado do RJ.

O Ditão, zagueiro, veio da Portuguesa de Desportos, junto com o volante Nair.

O Ditão, do Flamengo, também zagueiro, era irmão do Ditão ex-Portuguesa.

Abraços.

Vai Corinthians!

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Freddy Krueger "mito" #3 @kruege em 26/03/2016 às 16:09

Kkkkkk sem duvida.

Van #2134 @vanbastenholanda em 26/03/2016 às 13:51

" " Parece até o Tulio Maravilha que conta gols de partidas de rua kkkkk

Também sou mais o Garrincha. Bom em saber que ele fez parte da nossa história. Está na galeria de jogadores que vestiram o manto Alvinegro!

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Van Basten Holanda #2.134 @vanbastenholanda em 26/03/2016 às 13:51

Parece até o Tulio Maravilha que conta gols de partidas de rua kkkkk

Também sou mais o Garrincha. Bom em saber que ele fez parte da nossa história. Está na galeria de jogadores que vestiram o manto Alvinegro!

Freddy #3 @kruege em 25/03/2016 às 22:17

" "

Também duvido que Pelé tenha feito tantos gols assim. Dizem que ele conta até gol que ele fez na época que estava servindo o exercito e aFIFA reconhece.

Sou mais o Garrincha.

Freddy Krueger "mito" #3 @kruege em 25/03/2016 às 22:17

Também duvido que Pelé tenha feito tantos gols assim. Dizem que ele conta até gol que ele fez na época que estava servindo o exercito e aFIFA reconhece.

Sou mais o Garrincha.

Van #2134 @vanbastenholanda em 25/03/2016 às 14:35

" "

Garrincha era gênio, concordo com você brother, maior do que Pelé (fazia mais gols em amistosos). Às vezes até não acredito que ele tenha mais de mil gols!

Freddy Krueger "mito" #3 @kruege em 25/03/2016 às 19:58

Geraldo Freitas Nascimento, conhecido como Ditão, (São Paulo, 10 de março de 1938 — Guarulhos, 1 de fevereiro de1992) foi um futebolista brasileiro.

Revelado pelo Juventus, jogou também na Portuguesa e no Flamengo até 1966, quando assinou pelo Corinthians. No clube, virou um símbolo de raça na defesa corintiana

Luis #43 @lisca em 25/03/2016 às 19:51

" "

O Ditão do Corinthians era o que jogava na Portuguesa. Veio junto com o Nair. O Ditão do Flamengo nunca jogou no Corinthians...

Luis Guedes #43 @lisca em 25/03/2016 às 19:51

O Ditão do Corinthians era o que jogava na Portuguesa. Veio junto com o Nair. O Ditão do Flamengo nunca jogou no Corinthians...

Wagner Branco #1.175 @chela em 25/03/2016 às 18:35

Alipio, Boa Noite.

É verdade, no caso do Garrincha, eu lembro bem, ele falava:

O moço das pernas tortas.

Grande Fiori.

Abraços.

Vai Corinthians!

Alipio #6076 @alipio em 25/03/2016 às 17:33

" "

O Fiori Gigliotti, grande narrador da Rádio Bandeirantes, costumava chamar os jogadores por 'o moço de...' e aí falava o nome da cidade. No caso do Garrincha, ele elegantemente evitava essa forma.

Danillo Torres #8.850 @danillo.torres1 em 25/03/2016 às 18:21

SÓ PRA LEMBRAR, O JEJUM DE 23 ANOS, FOI APENAS EM CAMPEONATOS PAULISTA, DURANTE ESSE PERÍODO O CORINTHIANS CONQUISTOU 15 TÍTULOS OFICIAIS INCLUSIVE UM RIO-SÃO PAULO.

23 anos de quê?
Títulos conquistados pelo alvinegro durante a mais longa de todas as filas

1955
Torneio Internacional Charles Miller
Onde: São Paulo
Decisão: CORINTHIANS 2 X 1 BENFICA

1956
Torneio Copa do Atlântico
Onde: Buenos Aires e São Paulo
Decisão: *

1957
Torneio de classificacão do Campeonato Paulista
Onde: São Paulo
Decisão: Pontos corridos

1958
Torneio de Brasília
Onde: Distrito Federal
Decisão: Pontos corridos

1962
Taça São Paulo
Onde: Santos
Decisão: Santos 3 x 3 Corinthians (3 a 1 no 1º jogo)

1966
Torneio Rio-São Paulo
Onde: Rio e São Paulo
Decisão: Pontos corridos

1965
Pentagonal do Recife
Onde: Recife
Decisão: Pontos corridos

1966
Copa Cidade de Turim
Onde: Turim (Itália)
Decisão: Corinthians 1 x 1 Español (4 a 3 nos pênaltis)

1967
Triangular de Goiânia
Onde: Goiânia
Decisão: Pontos corridos

1968
Taça Piratininga
Onde: São Paulo
Decisão: **

1969
Torneio Costa do Sol
Onde: Málaga (Espanha)
Decisão: Corinthians 2 x 1 Barcelona

1969
Troféu Apolo 5
Onde: Nova York (EUA)
Decisão: Corinthians 1 x 1 River Plate (2 a 1 no 1º jogo)

1971
Torneio do Povo
Onde: SP, RJ, MG e RS
Decisão: Pontos corridos

1973
Torneio Laudo Natel
Onde: São Paulo
Decisão: Corinthians 2 x 1 Palmeiras

1975
Copa São Paulo
Onde: São Paulo
Decisão: Corinthians 2 x 2 São Paulo (4 a 3 nos pênaltis)

* A final seria disputada por Corinthians e Boca Juniors em 3 partidas, mas os jogos nunca aconteceram e o título foi repartido pelos dois times.
** O título cabia ao time de melhor desempenho nos clássicos entre Corinthians, São Paulo, Palmeiras e Portuguesa durante o Paulista de 1968.

http://super.abril.com.br/ciencia/o-corinthians-nao-ficou-23-anos-na-fila-por-um-titulo O Corinthians não ficou 23 anos na fila por um título | Superinteressante O Corinthians não ficou 23 anos na fila por um título | Superinteressante Entre 1954 e 1977, o time venceu pelo menos 15 competições - quase todas insignificantes super.abril.com.brsuper.abril.com.br

Mirtinho Santini #1.089 @mirtinho.matao em 25/03/2016 às 18:08

Muito bacana essas histórias do nosso Corinthians, esse time é demais

Fernando Bittencourt #1.013 @fernandob em 25/03/2016 às 18:05

Se ele tivesse feito a carreira inteira no Corinthians ao invés do Botafogo teria sido maior que o Pelé.

Ricardo Ogusuku #3.468 @ricardo.ogusuku em 25/03/2016 às 18:01

Pena que o Garrincha jogou no Timão já não estava no auge físico dele!