Por que nunca invadiram o gramado da Arena Corinthians?

Fórum do Corinthians
Tópico popular Entenda as regras

Derlys #8.417 @derlys.acosta em 13/07/2016 às 14:08

A torcida do Atlético Nacional e sua postura talvez ajude a explicar e entender um pouco sobre um dos grandes temores da torcida corintiana quando foi dito, anos atrás, que não haveria fossa ou grades de proteção que efetivamente separassem os alvi-negros do gramado.

O texto é longo, mas vale bem a pena para fixar ainda mais o papel de uma torcida, organizada ou não, na valorização do espetáculo que é uma partida de futebol.

Vale a reflexão.

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O estádio Atanasio Girardot, de propriedade do município de Medellín, e também palco da decisão desta noite, possui uma particularidade que não escapa a um olhar mais atento; não há alambrado ao redor do campo. Fosso também não. Nada. Nem mesmo atrás do gol Sul, onde se concentra a principal hinchada do Nacional.

O primeiro degrau da arquibancada inferior começa exatamente logo depois do último pedacinho verde de grama sagrada. Parece loucura, mas é assim mesmo que funciona. E funciona! Na Colômbia! Sim! Na América do Sul existe um estádio capaz de realizar jogos de futebol sem a necessidade brutal de ENGAIOLAR os torcedores.

'Em 2011, a FIFA ordenou todos os países filiados a retirarem as barreiras de contenção e os alambrados. O atual presidente do Nacional, Juan Carlos de lá Cuesta, muito preocupado com essa decisão, me procurou e perguntou como iríamos colocar aquilo em prática. Eu disse para ele não se preocupar porque nós encontraríamos uma solução.'

E encontraram. Quem conta a história é Andrés Felipe Muñoz, 37 anos, um dos líderes da torcida Los Del Sur, a principal do Atlético Nacional.

'Nós escolhemos, dentro da própria torcida, cem, cento e cinquenta, duzentos dos rapazes mais difíceis, mais vulneráveis aos problemas sociais, e invertemos a liderança que eles tinham. Antes essa liderança podia causar problemas. Passamos a atribuir responsabilidades para que evitassem que outros torcedores furassem a barreira formada por eles. Ninguém poderia passar pelo cordão. Os rapazes entenderam que fariam a segurança dentro do estádio. Nós conseguimos fazer com que eles se sentissem responsáveis por algo, que eles se sentissem parte de algo'.

Pipe, como é mais conhecido, é um sujeito tranquilo e que demonstra vocação para ensinar. Formado em psicologia pela Universidade Pontificia Bolivariana, com calma, sentado no sofá do lobby do hotel onde o Verde ficou concentrado em São Paulo, ele fez questão de explicar detalhadamente como foi a primeira experiência sem o alambrado depois de o governo colombiano decidir adotar a tal medida, que na época foi considerada impraticável por alguns países como a Argentina, por exemplo.

'O Nacional disputava uma semifinal contra o Tolima. Se ganhasse, jogava a decisão contra lá Equidad. Eu pedi ao técnico e aos jogadores que, caso fizessem um gol, não viessem comemorar perto da torcida porque a galera iria tentar se aproximar e os nossos rapazes não seriam capazes de conter a multidão. Só que o gol que nos levou à final saiu faltando apenas cinco minutos para o jogo acabar. Os jogadores se esqueceram completamente e foram comemorar perto da torcida. A avalanche desceu, mas os nossos rapazes, e até hoje eu não sei como, conseguiram segurar a massa. Eu me lembro que, depois deste jogo, o presidente do clube me ligou, o técnico me ligou, o capitão do time me ligou, o prefeito de Medellín me ligou, até o comandante da polícia me ligou. Todos nos parabenizando pelo que tinha acontecido' contou Felipe.

A medida agradou e acabou sendo adotada nos jogos do outro time da cidade, o Deportivo Independiente Medellín. Mas também gerou críticas de outro extrato social. Na Colômbia, existe uma forte rivalidade entre Bogotá, a capital, e Medellín, a segunda cidade mais importante do país. A imprensa da capital chegou a acusar a torcida do Nacional de formar grupos paramilitares e de ultradireita. Algo relacionado com a herança de violência naquele país, de tempos que já ficaram no passado quando camponeses decidiram fazer a própria segurança para combater a guerrilha. Para Felipe, esse conceito parte de um conceito discriminatório por parte dos veículos de comunicação e totalmente afastado da realidade daquilo que acontece nas canchas em dias de jogos do Nacional.

'Eles estão completamente equivocados. Não há nenhuma relação com isso. Absolutamente nada a ver. Quem diz isso mantém uma visão mal intencionada de nós. Este é um exercício incrível. Todos pensavam que uma cidade como a nossa não conseguiria passar por essa experiência, que o público iria invadir o campo, mas isso não aconteceu. Essa foi uma conquista impressionante e desde aquele dia ficou decidido que nós faríamos a segurança no entorno. Lá se vão cinco anos e nunca nenhum torcedor invadiu o gramado. Se alguém tentar invadir, quem está na barreira detém o sujeito e o devolve à arquibancada. Sem chegar às vias de fato, sem agressões e sem violência' explicou Felipe.

Esses rapazes, a quem Pipe se refere, são facilmente identificados nos tablones. São os torcedores que vestem camisetas amarelas e se posicionam imediatamente na primeira linha da arquibancada. Eles recebem um determinado valor, cerca de R$ 65,00 para cumprirem uma função que geralmente começa duas horas antes da bola rolar.

São estes grupos de torcedores os reponsáveis por organizar as filas que dão acesso às portas de entrada do estádio. Segundo conta Pipe, os colombianos não têm o costume de fazer fila. Nem para pegar o ônibus, nem para entrar nos trens do metrô e muito menos para ingressar ao estádio. Na confusão, a polícia acabava agindo de forma truculenta e isso criava diversos focos de conflito. 'Nós consertamos esse problema dialogando com a polícia. Garantimos que cuidaríamos de tudo e hoje eles apenas observam de longe. Agora os torcedores já fazem filas e aquele que tenta furar é imediatamente retirado. Além do mais, nos clássicos esses rapazes, que antes saíam para as ruas talvez procurando problemas, agora estão lá dentro esperando o pagamento pelo serviço que fizeram. Isso quer dizer que tiramos duzentos torcedores das ruas e da problemática dos clássicos.'

Caracterizada pela festa e pelo colorido que habitualmente promove durante os recebimientos, aquele instante único em que o time local pisa no gramado e entra em total comunhão com as arquibancadas, a torcida do Nacional decidiu estender suas ações para além do que acontece no Atanasio Girardot. Atualmente promove ações sociais como por exemplo o Natal Verdolaga, que há dez anos distribui de presentes a criançasde comunidades carentes de Medellín. Também organizam visitas e campeonatos de futebol na penitenciária da cidade e partidas solidárias com ex-jogadores do Nacional para arrecadar fundos a instituições não governamentais. 'Isso não é só um assunto de futebol. Vai muito além da arquibancada. Na nossa sede nós realizamos concursos de futebol e arte, futebol e literatura, futebol e pintura, futebol e fotografia... É uma torcida que trabalha pelo social.'

Como psicólogo atuante, Felipe Muñoz conseguiu com que a prefeitura de Medellín reconhecesse os anos de experiência na arquibancada como uma pós-graduação, uma especialização difícil de ser encontrada; 'Somos referentes legítimos de autoridade e informação. Unimos o teórico e o empírico: cinco anos de bancos acadêmicos e outros dez anos de torcida'. Agora, ele e outros companheiros visitam colégios dando palestras sobre a importância dos trabalhos sociais e conscientização da paz no futebol.

'É incrível que sejamos milhares de torcedores em uma arquibancada unicamente para torcedor por um time de futebol. Isso é tudo para nós, mas podemos ir além. Por que não aproveitar essas milhares de pessoas para fazer algo produtivo pelo bairro ou pela cidade? ' indaga Pipe.

E por que não?
Fica a pergunta.

http://globoesporte.globo.com/blogs/especial-blog/latinoamerica-futbol-club/post/la-garantia-soy-yo.html La garantía soy yo | Blog Latinoamérica Fútbol Club | Globoesporte.com Mosaico feito pela torcida do Atlético Nacional nessa Libertadores (Imagem: Facebook Los Del Sur)   O estádio Atanasio Girardot, de propried... globoesporte.globo.comgloboesporte.globo.com

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Nellita Costa #131 @nellita.costa em 13/07/2016 às 14:17

Desanimo de ler esse textão

Corintiano Sp #13 @corintianosp em 13/07/2016 às 15:08

Podia por em PDF esse livro hein?

Últimas respostas

Neyjhy A.b. #997 @neyjhy em 13/07/2016 às 19:44

Kkkkkkkkkkkkkkk

Corintiano #13 @corintianosp em 13/07/2016 às 15:08

" "

Podia por em PDF esse livro hein?

Publicidade

Freddy Krueger "mito" #3 @kruege em 13/07/2016 às 15:55

Dar até sono kkkkkkkk

Nellita #131 @nellita.costa em 13/07/2016 às 14:17

" "

Desanimo de ler esse textão

Corintiano Sp #13 @corintianosp em 13/07/2016 às 15:08

Podia por em PDF esse livro hein?

Mff Junior #5.338 @mffjunior em 13/07/2016 às 14:40

Mano se tivesse uma fossa pra separar o campo ia dar merrrda! Kkkkk

Derlys Acosta #8.417 @derlys.acosta em 13/07/2016 às 14:35

O primeiro degrau da arquibancada inferior começa exatamente logo depois do último pedacinho verde de grama sagrada. Parece loucura, mas é assim mesmo que funciona. E funciona! Na Colômbia! Sim! Na América do Sul existe um estádio capaz de realizar jogos de futebol sem a necessidade brutal de ENGAIOLAR os torcedores.

'Em 2011, a FIFA ordenou todos os países filiados a retirarem as barreiras de contenção e os alambrados. O atual presidente do Nacional, Juan Carlos de lá Cuesta, muito preocupado com essa decisão, me procurou e perguntou como iríamos colocar aquilo em prática. Eu disse para ele não se preocupar porque nós encontraríamos uma solução.'

E encontraram. Quem conta a história é Andrés Felipe Muñoz, 37 anos, um dos líderes da torcida Los Del Sur, a principal do Atlético Nacional.

'Nós escolhemos, dentro da própria torcida, cem, cento e cinquenta, duzentos dos rapazes mais difíceis, mais vulneráveis aos problemas sociais, e invertemos a liderança que eles tinham. Antes essa liderança podia causar problemas. Passamos a atribuir responsabilidades para que evitassem que outros torcedores furassem a barreira formada por eles. Ninguém poderia passar pelo cordão. Os rapazes entenderam que fariam a segurança dentro do estádio. Nós conseguimos fazer com que eles se sentissem responsáveis por algo, que eles se sentissem parte de algo'.

Maria #2 @gracinhado.timao em 13/07/2016 às 14:30

" "

Resume mano.

Maria Das Graças #2 @gracinhado.timao em 13/07/2016 às 14:30

Resume mano.

Sandra Lima #1 @sandra.lima4 em 13/07/2016 às 14:23

E da-lhe Nacional.

Nellita Costa #131 @nellita.costa em 13/07/2016 às 14:17

Desanimo de ler esse textão

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