Real problema: o fim de um ciclo vitorioso

Fórum do Corinthians
Tópico Épico Entenda as regras

Felipe #4.090 @felipe.siles em 18/10/2019 às 23:26

Salve corinthianos e corinthianas! Vejo muita gente reclamando de coisas específicas no fórum: técnico teimoso, lateral esquerda, falta de raça, etc, etc, etc. Mas tentei fazer uma análise um pouco mais ampla da situação, levando em consideração todo o histórico recente do time. Então vamos lá:

Quase todo fim de ciclo é traumático! O fim de ciclo do presidente Alberto Dualib, um dos mais vitoriosos da história do clube, levou o time à segunda divisão. No fundo do poço o time não teve outra alternativa que não se reinventar e lançar um projeto muito ousado de resgate e reconstrução do clube. Nesse período, entre outros avanços:

- Contratamos Ronaldo Fenômeno, abrindo precedente pra outros clubes fazerem o mesmo em moldes parecidos;

- Com a chegada de Ronaldo, veio a necessidade de se modernizar a estrutura do clube, veio o CT, a modernização da comissão técnica, do scout e o nosso sonhado estádio;

- O time inovou no marketing, com a própria chegada do Ronaldo, que contou com parcerias com outras empresas, além de lançar campanhas e o terceiro uniforme, que foi criticado no começo, mas virou padrão em todos os grandes clubes hoje;

- O time manteve uma coerência na parte tática do time, contrariando a cultura do futebol até então. O Corinthians em 10 anos demitiu apenas 5 treinadores. Apesar de algumas experiências que não deram certo, essa era houve um legado tático de Mano Menezes, Tite e Fábio Carille, sendo que os dois primeiros chegaram à seleção brasileiro pelo Corinthians.

E é aí nessa parte tática que eu queria chegar. O futebol brasileiro até certo ponto era um deserto de ideias. O Santos tomou passeio do Barcelona no Mundial de 2011 e o Brasil tomou aquela goleada histórica da Alemanha em 2014. O Brasil estava muito atrás do que era praticado na Europa. E o Corinthians com seu legado de poucos técnicos e base tática sólida ia conseguindo nesse período títulos muito importantes: campeão brasileiro 2011, campeão da Libertadores e Mundial em 2012. Mas assim como acontece agora, o time chegou num limite e não conseguia passar daquilo. Foi quando o Tite resolveu tirar o ano sabático e foi para Europa reciclar seus conceitos. O ano de 2014 com Mano continuou decadente, mas na volta de Tite em 2015 fomos campeões brasileiros sobrando E MUITO no campeonato. Havia um abismo tático entre o Corinthians e seus adversários. O Corinthians que já tinha sido vanguarda no marketing, na estrutura, na cultura de manter treinador, na comissão técnica agora se tornava vanguarda tática no Brasil. O time virou referência! Tite foi para a seleção. Todos os jogadores que saíam do Corinthians viravam referências de disciplina tática em outros times. O Brasil passou a adotar conceitos que já eram usados na Europa desde que Guardiola subiu o patamar do esporte com novos conceitos e ideias.

Como acontece com quase tudo, o que funciona acaba se tornando um novo padrão. E o Corinthians hoje é vítima disso. Foi vanguarda e inovou em muitas áreas, mas já foi alcançado por outros times. Aquilo que era seu diferencial, hoje em dia é o dever de casa de qualquer clube organizado que tenha sérias ambições nacionais e internacionais. O jornalismo esportivo teve que se adaptar, os analistas táticos à lá PVC (como Rafael Oliveira, VSR, Léo Bertozzi, Bruno Formiga, entre outros) passou a ser mais valorizado. Pode parecer pachequismo, mas foi tudo legado dessa era vitoriosa do Corinthians desde 2009. Se o Corinthians não fizesse outro time acabaria fazendo, mas nós fomos A VANGUARDA DO FUTEBOL BRASILEIRO DE 2009 A 2015.

Em 2017 fomos campeões porque todos esses conceitos ainda não haviam sido assimilados completamente pelos outros times. Os projetos milionários de Palmeiras e Flamengo ainda estavam se desenhando. Mas 2017 foi possível graças a esse legado vitorioso de 2009 a 2015, do qual Carille, Cássio, Fagner, Ralf, Jadson e outros fazem parte.

O problema é que o futebol está passando por novas transformações. Antigamente a Copa ditava as tendências táticas do futebol mundial. Hoje em dia é a Champions League. O Liverpool foi vice e depois campeão praticando um futebol de intensidade, velocidade, entrega e, principalmente, OFENSIVIDADE. O time joga espetado na defesa adversária, o ataque morde os zagueiros, o time é intenso, troca poucos passes, é objetivo. É muito diferente daquele modelo do Guardiola de posse de bola, de paciência, de inversões e controle de jogo. E outros times com o modelo parecido estão sendo bem sucedidos, como o Ajax, na Champions do ano passado. O Ajax com um elenco sem 'galáticos' machucou os grandes, foi pra cima. Provou que não tem desculpa para não atacar um adversário, independente de camisa, elenco ou grife que esse adversário tenha.

O futebol brasileiro está assimilando esse novo paradigma tático do futebol mundial, com treinadores como Jorge Jesus, Sampaoli, Tiago Nunes e Renato Gaúcho. Seus times jogam pra frente, um futebol ofensivo e de muita intensidade e entrega tática. O Flamengo de Jorge Jesus cria um problema para os 3 grandes de São Paulo, que se acostumaram com o protagonismo do futebol brasileiro. Torcedores de Corinthians, Palmeiras e São Paulo se perguntam porque seus times não jogam desse jeito.

Temos que aceitar, o Corinthians não é mais vanguarda do futebol brasileiro. Ficou atrasado até. Precisa melhorar e MUITO, a sua gestão. Resolver as suas dívidas. Enxugar gastos por um tempo. Parar de contratar tanto jogador que vai ser emprestado e apostar mais na sua base. Contratar menos jogadores e com mais qualidade. Mas, mais do que isso, o Corinthians precisa de um novo projeto. Um projeto ousado, ambicioso e à altura da história do clube e do tamanho de sua torcida. O Corinthians precisa aproveitar essa mudança de paradigma, se adaptar o mais rápido possível e lá na frente voltar a ser vanguarda, propor coisas novas. Mas para isso precisa se desapegar do passado. Fins de ciclo são sempre duros, o Real Madrid atual que o diga. Imaginem o quão foi difícil para o Barcelona se livrar de Ronaldinho Gaúcho, Eto'o e Deco. Podem discordar à vontade, mas essa era Andrés Sanchez, Fábio Carille, Ralf, Jádson, Fagner, Cássio e cia já chegou no limite. Precisamos urgente começar um projeto novo, tão ousado quanto aquele de 2008. Enquanto isso não for feito, teremos que nos contentar com a mediocridade: nos contentar em disputar títulos estaduais, em irmos longe nos matas-matas (Copa do Brasil e cia) e nos classificar pra Libertadores (pra não ganhar). Tudo bem que continuamos competitivos e à frente de muitos clubes brasileiros, mas é muito pouco para um time de nossa grandeza.

Minha opinião é essa, podem continuar colocando a culpa do Carlos Augusto, no Danilo Avelar, no Ramiro, na teimosia do Carille, enfim... Mas enquanto não tivermos um projeto que ROMPA RADICALMENTE com o anterior não vamos sair dessa mesmice.

Pelo menos, é a minha OPINIÃO

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Abner Santos #403 @avgxd em 20/10/2019 às 20:16

Li tudo e concordo com tudo. O ciclo acabou e precisamos reiniciá-lo com novas peças e novas maneiras.

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Leverton Fernandes #826 @leverton em 20/10/2019 às 23:59

Muito bom o seu texto, devo dizer que concordo sobretudo com o título.

A Era Sanchez pode ser dividida em três fases: a primeira foi marcada pelo crescimento do clube, por times competitivos e títulos, pela construção do estádio e por um inédito clima de euforia e otimismo com o futuro, coisas que acabaram por camuflar o esquema de corrupção montado no PSJ. Entretanto, o milagre corinthiano chegou ao fim em 2012, e Oruro foi o prenúncio simbólico de todo o mal que estava por vir. A segunda fase trouxe as dificuldades financeiras, os atrasos de salários e os escândalos resultantes dos crimes cometidos contra o clube pela chapa Renovação e Transparência.

Na terceira fase, correspondente ao atual mandato de Sanchez, vivemos um clima de fim de festa e uma falta de rumo semelhantes àquilo que se seguiu ao término das parcerias com a Hicks Muse e a MSI. O esquema de poder que domina o clube, aparentemente indestrutível, e os desmanches dos dois times campeões brasileiros, acompanhados de enxurradas de pernas-de-paus do sr. Kalunga, praticamente selaram a sorte do clube, dentro e fora de campo, para os próximos anos. Nada de grandes expectativas.

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Cosmo Kramer #1.935 @cosmo.kramer em 20/10/2019 às 21:14

Belissimo tópico, ótimas ponderações.

Abner Santos #403 @avgxd em 20/10/2019 às 20:16

Li tudo e concordo com tudo. O ciclo acabou e precisamos reiniciá-lo com novas peças e novas maneiras.

Ricardo Gomes #29 @ricardo.gomes3 em 20/10/2019 às 20:00

O Corinthians contrata muito jogadores e aproveita pouco jogadores, e assim desde 2008 a ideia e essa contratar mesmo que os jogadores sejam fracos, porque contratando muito eles agradam os empresarios, e também a base e pouco utilizada porque mano, Tite e Carille não gostam de utilizar a base porque não tem paciencia e não sabem trabalhar com garoto e mais fácil para eles utilizar jogadores com 27,30,35 anos que já vem formado mesmo que tenha pouco qualidade ou esteja em fase final de carreira, porque o clube não pensa nunca em forma bons jogadores e fazer ter um time pra medio e longo prazo, o importante e ganhar algum título logo se desfazer dos seus principais jogadores porque assim agrada os empresarios

Tiago Tavares #1.505 @tiagosccp1910 em 20/10/2019 às 08:04

É isso... Assino embaixo!

Ayrton Faria #602 @ayrton.faria em 20/10/2019 às 07:22

Sua manifestação pode não ter o disgnóstico correto(não pretendo julgar), mas com certeza nos faz pensar

Frank Welington #6.300 @frank.welington em 20/10/2019 às 07:02

Os dirigentes de clubes, não só o nosso, não tem responsabilidade nenhuma na gestão, estão pouco se lixando, afinal de contas o prejuízo fica para o clube, eles fazem e desfazem as coisas da maneira que querem, diferentemente de clubes empresa, em que um diretor é punido por má gestão. Então enquanto essa questão não mudar será sempre assim.

Frede Alves #378 @frede.alves1 em 20/10/2019 às 06:35

Ainda acho que é o início de um ciclo vitorioso. Jogadores jovens sendo maturados. Velhos tendo que ter mais responsabilidades. Só o tempo vai dizer

Luiz Souza #3.642 @luiz.souza10 em 20/10/2019 às 06:10

Vamos trazer o Ter STEGEN, vai ser só passe certo, isso que é goleiro, o resto é resto

Caio #1871 @caio.lovatto em 20/10/2019 às 00:42

" " Já viu nosso goleiro saindo jogando com os pés?

Rafael Corinthians #2.805 @rafarinthians em 20/10/2019 às 05:56

Balela isso aí de zagueiro ficar dando tokinho

Felipe #4090 @felipe.siles em 18/10/2019 às 23:43

" "

Ah, esqueci um detalhe: uma mudança muito importante no futebol de hoje é que todos os jogadores precisam saber jogar com a bola nos pés. A armação de um time começa com os zagueiros, isso fica muito nítido com o Van Dijk no Liverpool. Não dá pra achar que vamos longe com o nosso jogo começando no Manoel né? O Corinthians precisa se adaptar urgentemente a esse novo conceito e trazer apenas jogadores que são capazes de armar o jogo, independente da posição. A falta de criatividade não é necessariamente a falta de um camisa 10, como sempre foi jargão falar no futebol. No Flamengo do Jorge Jesus, o Rafinha e Filipe Luís são importantíssimos na armação do time. Os volantes idem. A diretoria precisa abandonar conceitos ultrapassados, mas nós torcedores também, até para cobrar corretamente da diretoria e comissão técnica.