Camisas de futebol – primórdios e evolução

Fórum do Corinthians
Tópico Lendário Entenda as regras

Mestre #1.739 @mestre.dos.magos1 em 21/01/2018 às 19:20

Pegue um calção comprido, parecendo quase uma calça Capri, Vista. Ah, não se esqueça do cinto! Pegue meias bem grossas e uma chuteira rústica, pesada, com cravos de madeira. Coloque-os. Agora, para finalizar, está vendo aquela camisa grande, feita com o mais aveludado tecido, com quase 1 kg de pura massa têxtil? Pois é, coloque-a também. Pronto? É hora de jogar futebol! Ué, por que o espanto? Era assim que os homens jogavam lá no século XIX e em boa parte do início do século XX

Com berço na Grã-Bretanha (embora existam registros bem antigos em outros países), o futebol começou a ser disputado de forma mais maciça em colégios a partir dos anos 1800, saindo das ruas e partindo para terrenos baldios. A partir de 1823, os colégios públicos ingleses começaram a praticar o esporte com as mãos e pés, misturando rúgbi e futebol. A garotada jogava com seus uniformes escolares e não se preocupava com vestimentas próprias. Resultado? Os “atletas” chutavam e arremessavam bolas com calças, camisas de mangas compridas de botões, cintos, meias e chapéus. Um verdadeiro traje “esporte fino”.

A partir da década de 1870, o futebol começou a crescer e surgiram os primeiros torneios, bem como mais regras, como a obrigatoriedade de uniformes por parte dos times. Por conta do alto custo dos tecidos de algodão coloridos, eram raras as equipes com mais de uma cor, além de os próprios jogadores terem o dever de comprar seus uniformes. Com isso, era comum ver equipes com uma só cor na camisa e calções quase sempre na cor branca. Em alguns casos específicos, clubes adotavam camisas listradas, com uma cor escura e a outra em branco. Depois de algum tempo, as agremiações passaram a financiar os uniformes graças à profissionalização e ao início da cobrança de ingressos em jogos

A profissionalização e crescente emancipação do esporte passou a influenciar diretamente nos uniformes. As equipes tinham que definir suas cores junto à federação e um uniforme reserva, que, no início, era na cor branca. Com a evolução da moda, as camisas começaram, ainda que lentamente, a mudar de tecido e ficar menos pesadas. O tal tecido de algodão, que ficava completamente encharcado ao final dos jogos e desgastava muito os atletas, deu lugar à malha de algodão, mais leve e que possibilitava a inserção de costuras diferentes. Os botões passaram a dar lugar aos cordões e novas combinações de cores começaram a surgir, além de os escudos de times e seleções ganhar espaço principalmente nos anos 1930. Nos calções, os cintos deixaram de existir para dar lugar aos cordões e os uniformes passaram a ficar cada vez mais bonitos e bem clássicos.

As décadas passaram, os números surgiram nas camisas, clubes foram ganhando cada vez mais tradição com suas cores emblemáticas, mas o algodão continuava cravado nos mantos futebolísticos. Já estávamos nos anos 1980 e lá estavam os atletas com suas verdadeiras armaduras ensopadas nos términos das partidas. Se o time vestia cores escuras e jogava num dia de sol, então, que judiação! Num jogo entre Santos e Flamengo sob calor de 34 graus, por exemplo, o Peixe já levava ligeira vantagem por vestir o branco. Já o Mengo teria sérios problemas com o vermelho e o preto, que iriam absorver ainda mais o calor dos raios solares. A celulose, presente no algodão, era responsável por reter cerca de 50% do peso perdido dos atletas durante os jogos. Ou seja, se um jogador perdia dois quilos em uma partida, um quilo ficava na camisa. Era um absurdo! Isso sem contar os calafrios que alguns atletas tinham por conta da umidade da camisa, que diminuía a possibilidade de a pele respirar e derrubava a temperatura. Com a camisa fria, o organismo precisava trabalhar mais para manter a temperatura corporal.

Nos anos 70 e 80, os clubes até tentaram amenizar o calor dando aos seus atletas calções bem curtos, mas as camisas continuavam intactas. Só na segunda metade dos anos 1980 que o poliéster iria mudar de vez as camisas de todo o mundo.

No final dos anos 90, as empresas de material esportivo começaram a criar tecnologias que ajudassem os atletas a manter a temperatura do corpo constante em qualquer situação, seja em calor extremo, seja no frio. Era preciso um tecido leve e dinâmico que oferecesse espaços para o suor evaporar. E, enfim, o alívio para os jogadores chegou com um “pequeno” atraso de mais de um século. A criação da tecnologia dry fit possibilitou tecidos inteligentes que absorviam o suor e o levava para uma rápida evaporação, acabando de vez com o desconforto durante os jogos. Essa tecnologia foi aprimorada, e, hoje, passados mais de 20 anos desde seu primeiro modelo, é 13% mais leve e tem uma passagem de ar 7% mais efetiva do que o dry fit lá do final dos anos 1990.

Vale lembrar que as empresas de matérias esportivos desenvolveram diferentes tipos de camisas com essas tecnologias e que é preciso certa atenção para distinguir tais características. Por exemplo: em 2012, o Barcelona lançou uma camisa em degradê que causou certo estranhamento para alguns, mas que teve um resultado final bem interessante. Olhando de perto as camisas dos jogadores (authentic) e dos torcedores (supporters), era possível notar que as dos jogadores eram mais leves, tinham poros entre as axilas e a parte lateral do tronco para passagem de ar e o logotipo em silkscreen. Já a dos torcedores não tinha os poros, era ligeiramente mais pesada e tinha o logotipo bordado. Notou a diferença? Tudo em prol do desempenho dos atletas. Nesse período, as empresas sempre fazem novas experiências e lançam, ano após ano, camisas ainda melhores, com mais tecnologia e até biodiversas, como a do Brasil na Copa de 2014, que tinha material reciclado de garrafas PET em sua composição.

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Rafael R. De Lima #678 @rafaellima13 em 22/01/2018 às 15:47

Vergonha alheia de quem tem preguiça de ler... Eu nunca parei pra pensar nos uniformes como interferência de desempenho - muito se fala nas chuteiras - mas essa evolução também foi muito importante. Gostaria até que o texto fosse mais aprofundado. Você que escreveu?

Nelson Ferreira Prates Junior #2.301 @nerson em 22/01/2018 às 15:29

ótimo texto, reflete com clareza a evolução e os benefícios

Dos uniformes para a pratica esportiva, Parabéns.

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Fabricio Tomaz #6.648 @alemaoocz em 23/01/2018 às 10:30

Bacana

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Jhonatan. Tgd #4.144 @japela em 23/01/2018 às 08:17

Ele resumiu daqui

https://mantosdofutebol.com.br/2017/12/camisas-de-futebol-primordios-evolucao/ https://mantosdofutebol.com.br/2017/12/camisas-de-futebol-primordios-evolucao/ mantosdofutebol.com.br

O original e mais aprofundado

Rafael #678 @rafaellima13 em 22/01/2018 às 15:47

" "

Vergonha alheia de quem tem preguiça de ler... Eu nunca parei pra pensar nos uniformes como interferência de desempenho - muito se fala nas chuteiras - mas essa evolução também foi muito importante. Gostaria até que o texto fosse mais aprofundado. Você que escreveu?

Luiz Fernando Balestrero #5.078 @luiz.fernando.balest em 23/01/2018 às 07:36

Deveria ser horrível ir para o campo vestido assim! Kkkkkkkk

Avelino Manuel Gomez Balboa #469 @avelinogb em 22/01/2018 às 21:20

Essa listrada da foto era o segundo uniforme do Corinthians inglês kkkkkkkkk

Roger Silva #229 @roger.vinicius.silva em 22/01/2018 às 21:07

Isso que é tópico bom e que infelizmente está em falta aqui no fórum, o pessoal só sabe falar de politica, dourado e cornetar.

Ramon Brian #5.326 @briann em 22/01/2018 às 21:03

Com a minha preguiça de ler consigo soubar todo povo brasileiro, sou foda!

Philippe #155 @phil.dutra em 22/01/2018 às 14:57

" "

Por isso o Brasil tá na merda.

Junior Peres #1.250 @junior.peres4 em 22/01/2018 às 20:55

Top texto

Rodrigo Corinthiano #1.888 @rodrigaviao em 22/01/2018 às 20:50

O uniforme melhorou a correria aumentou e a técnica diminuiu

Lucas Correia Rodrigues #956 @lucas.correia.rodrig em 22/01/2018 às 20:11

Pelé se fosse um jogador no Fifa, seria 100% em todos os atributos.

Não vão achar ninguém, ninguém mesmo, que tenha tudo que o Pelé tenha.

Ele é o jogador de futebol mais completo da história do futebol, e era pra ser muito mais famoso se fosse na época da rede social. Ele seria dono do mundo quase.

Rogério @rogarfil em 22/01/2018 às 19:42

" "

É amigo, você colocou uma situação que era bem real e verdadeira, então vamos a uma comparação de jogadores atuais capazes de realizar o que realizam e veja este vídeo onde o protagonista jogava com um destes uniformes ... E tem pessoas que julgam sem saber.

E vai CORINTHIANS!

Mauro Nascimento De Almeida #8.770 @mauro.kanarios em 22/01/2018 às 19:46

Fico pensando, com tudo isso tivemos, Pele, Gérson, Sócrates, Zico, sem falar da bola.