Por que futebol e política às vezes se misturam

Fórum do Corinthians

Danilo #3.887 @dangum em 15/05/2019 às 10:50

Bom dia, Fiel!

Achei este texto da BBC Sport bem interessante, e resolvi compartilhar com vocês...

O texto é um pouco grande, mas vale a leitura e reflexão do mesmo.

Em 1983. O Corinthians entra no Estádio do Morumbi, onde iria disputar a final do Campeonato local contra os poderosos rivais de São Paulo.

Nas mãos dos jogadores, uma faixa enorme diz: 'Ganhe ou Perca, mas Sempre com Democracia', uma referência à força cada vez menor da então ditadura militar do Brasil.

Os jogadores estavam refletindo um espírito que gradualmente tomou conta do país, culminando na campanha política 'Direta (Eleições) Agora', em 1984, na qual milhões de brasileiros exigiam o direito de votar em seu presidente.

Em campo, a democracia e o futebol fundiram-se para energizar esse desejo, e o governo civil foi restaurado no ano seguinte.

A história é contada em um documentário dirigido por Pedro Asbeg, Democracy in Black and White, que deve ser lançado no ano que vem.

A Asbeg entrevistou personalidades do mundo do futebol e além dela, como os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio lula da Silva, o escritor Marcelo Rubens Paiva e o publicitário Washington Olivetto.

Eles compartilharam seus pontos de vista sobre a importância do Corinthians - como o time de futebol mais popular de São Paulo - em ajudar a pavimentar o caminho para a restauração da democracia.

O filme também mostra a gênese de uma estrela conhecida por seu gênio dentro e fora do campo de futebol: Sócrates.


'O período de 1982 a 1984, a chamada Democracia Corinthiana, é única, não há nada parecido na história do futebol', disse Pedro Asbeg à BBC Brasil.

'Começando com o retorno de Sócrates da Copa do Mundo na Espanha e até meados de 1984, quando a emenda da campanha 'Direct Elections Now' foi derrubada pelo Congresso e Sócrates, desapontado, deixa o Brasil para jogar na Itália.'

Na verdade, isso foi apenas um revés temporário - um governo liderado por civis foi restaurado em 1985, apesar da derrota no Congresso, e eleições diretas se seguiriam.

Asbeg já dirigiu vários curtas-metragens sobre futebol, a maioria deles sobre o Flamengo, o time muito venerado que ele também apóia.

Democracia em preto e branco apresenta outro fenômeno associado aos esforços para restaurar a democracia, o chamado Rock Brasil, um movimento apoiado por estrelas do futebol rebelde, como o atacante Walter Casagrande e o próprio Sócrates.

O filme destaca músicas desse período como 'Inutil' (Inútil), da banda Ultraje a Rigor, questionando a incapacidade das pessoas para falar ou exercer plenamente o seu voto, e 'Tédio com um T grande para você'. B grande para você), interpretado por Legião Urbana, um retrato de punks rebeldes na capital Brasília.

'O filme mostra como essa combinação de futebol, política e rock and roll mudou a história do país', acrescenta Asbeg.

Os ex-presidentes Fernando Henrique Cardoso e lula concordam com o diretor.

Para Cardoso, a 'exuberância' inspirada na Democracia Corinthiana acelerou o ritmo da mudança, dada a capacidade do futebol de mobilizar multidões.

Lula descreve o período como a 'Era de Ouro do Corinthians', lembrando que a vitória no campo de futebol mostrou aos brasileiros a importância de votar como exemplificado pelo sistema de participação dos jogadores que foi implementado no clube.

O Kick-off
Corinthians estava em crise em 1981.

A equipe foi rebaixada para a Taça de Prata (equivalente à segunda divisão) e ficou fora da final do Campeonato Paulista.

O recém-eleito presidente do clube, Waldemar Pires, estava intimamente ligado ao controverso e poderoso predecessor Vicente Matteus, mas sentiu a pressão dos torcedores por resultados.

Gradualmente, Pires deu lugar à crescente militância dos jogadores.

Mais tarde naquele ano, a equipe saiu em turnê na América Central, e os jogadores decidiram que dois deles - o astro Paulo César Caju e o goleiro Rafael - não compartilhavam o espírito do grupo, e deveriam partir.

Pires então escolheu como diretor de futebol o sociólogo Adilson Monteiro Alves, filho de um ex-diretor do clube.

Alves permitiu que os jogadores tivessem uma opinião ainda maior. Ele era 'jovem, de mente aberta' nas palavras de Waldemar Pires, e apoiou as propostas dos mais politizados entre os jogadores, como Sócrates e Wladimir.

'O Corinthians era a metáfora perfeita para a situação do país', diz Asbeg.

'Estava deixando para trás o regime autoritário de Vicente Matteus ... E seus jogadores estavam ansiosos por mais participação. Isso era verdade em todo o país'.

Esta foi uma referência a 1982, quando o país realizou sua primeira eleição geral para um governo desde o início do regime militar, embora ainda tivesse um general como presidente.

'Quando o assessor de imprensa Washington Olivetto soube do que estava acontecendo dentro do clube, ele chamou a Democracia Corinthiana. O termo impediu e ajudou o Corinthians a sair da rotina onde estava preso e se tornar um clube nacional, o que seria confirmado. Nas décadas seguintes ', diz Asbeg.

Com nomes como Casagrande, Zenon, Juninho, Wladimir e Biro-Biro, e focado na força crítica de Sócrates, o Corinthians venceu o campeonato paulista em 1982 e 1983, algo que não acontecia há 30 anos.

'Comecei a gostar. Comecei a me sentir um cidadão', lembrou o atacante Casagrande no filme.

Entre a liga local e a nacional, os jogadores decidiram a substituição do técnico Mario Travaglini, que deixou o clube para comandar São Paulo.

A escolha foi Ze Maria, um jogador veterano.

'Adílson me ligou e disse que haveria uma reunião na casa de Wladimir. Casagrande e Sócrates também estavam lá. Sócrates disse: 'Ouvimos o que todo mundo tem a dizer e gostaríamos que você assumisse o cargo de gerente'', disse Ze. Maria disse à BBC Brasil.

'Fomos a 10 jogos do final do campeonato nacional e eu aceitei. Houve uma grande solidariedade entre nós. E acabamos fazendo um futebol muito bonito nas finais.'

'CIRCUNSTÂNCIA EXCEPCIONAL'


O comentarista esportivo Juca Kfouri seguiu de perto a Democracia Corinthiana. Ele estava ao lado de Olivetto em um seminário universitário quando o termo foi cunhado.

Kifouri, que também falou com Pedro Asbeg no filme, diz que, em termos esportivos, a Democracia Corinthiana foi um grande sucesso.

'Isso foi muito especial. Aconteceu durante circunstâncias históricas excepcionais no Brasil e foi uma feliz coincidência que esses agentes únicos se combinaram no mesmo local e ao mesmo tempo', observa Kfouri à BBC Brasil.

No entanto, Kifouri não vê um legado desse período para os jogadores atuais. Para ele, atualmente há menos participação e democracia, e o futebol continua sendo uma área reacionária.

Hoje em dia, diz ele, 'os jogadores são fantoches, pop stars, que adoram dinheiro - supérfluo e superficial culturalmente'.

Estudada por estudiosos do Brasil e do exterior, assunto de livros e agora esse documentário, a Democracia Corinthiana pagou o preço muitas vezes sofrido por movimentos inovadores, observa seu diretor.

'Nas eleições do Corinthians em 1985, o grupo apoiado pelos jogadores foi derrotado, o que levou a uma rebelião dos principais rebeldes, forçando os diretores recém-eleitos a deixar o clube pelas portas dos fundos na noite das eleições', lembra Asbeg.

Na mesma época, a Emenda do Voto Direto foi anulada pelo Congresso, deixando o Brasil com outros quatro anos de governo escolhidos pelo Colégio Eleitoral.

Apesar de receber um grande número de votos, a ausência de 112 deputados significa que a emenda falhou porque não atingiu o número mínimo de votos para aprovação na sessão parlamentar.

Dentro e fora de campo, não foi o resultado mais desejado na Democracia Corinthiana, embora em 2012 o Brasil seja agora uma democracia plena, capaz de refletir sobre essa extraordinária história.

Fonte: https://www.bbc.com/sport/football/20545435 Why football and politics do sometimes mix - BBC Sport Why football and politics do sometimes mix - BBC Sport BBC Brasil's Rodrigo Pinto looks at the wider history of Brazilian giants Corinthians bbc.com

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Alan Felisberto Gomes #598 @alan.felisberto.gom1 em 15/05/2019 às 11:50

Hoje é a política que parece tentar se misturar ao futebol; eleitores agem como torcedores, não levam em conta projetos e promessas de campanha, preferem defender seu candidato/partido como se fosse seu time de coração, seja através de acusações ou mesmo ofensas pessoais, comemorando ou lamentando as vitórias e perdas nas eleições, apenas como algo para se gabar ou se revoltar com outros eleitores, como se fossem torcedores de um time rival.

Oilson Amorim Dos Reis #2 @reyes em 15/05/2019 às 10:54

Nem tudo é política, mas a política está em tudo. Timão Pioneiro e Gigante!

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