Funcionário do Guarani revela marmelada pró-Palmeiras pra evitar rebaixamento em 1968

Funcionário do Guarani revela marmelada pró-Palmeiras pra evitar rebaixamento em 1968

O Palmeiras escapou matematicamente do rebaixamento no Campeonato Paulista de 1968 graças a um empate com o Guarani em Campinas, em partida com circunstâncias nebulosas, expostas pelo blog do jornalista Juca Kfouri no UOL, na última quarta-feira. Parte afetada diretamente pelo resultado em questão, o Comercial de Ribeirão Preto conseguiu evitar o seu descenso provando o acerto prévio entre os dois alviverdes, em atuação nos bastidores que contou até com um suborno usando um carro de luxo Simca Chambord.

Presidente do Comercial à época, o advogado José Fernando de Ataíde contou à reportagem do UOL Esporte que deu um carro deste modelo para um funcionário do Guarani em troca de documentos que atestassem a entrega de resultado ao Palmeiras, ou pelo menos que identificassem o "compromisso" de que apenas reservas bugrinos fossem mandados a campo.

"Eu estudei em Campinas e sempre tive muitos contatos por lá. Cheguei a fazer estágio em uma delegacia da cidade. Portanto, conhecia bem as pessoas. Me passaram o contato de um funcionário do Guarani que talvez pudesse me ajudar. A pessoa pediu inicialmente 50 milhões [de cruzeiros]. Depois pediu um carro igual ao meu. Na época, tinha um Simca Chambord azul claro. Mandei buscar em Ribeirão Preto", relata José Fernando de Ataíde, hoje com 75 anos, sem identificar o interlocutor em questão.

Os documentos que provam o acerto entre Palmeiras e Guarani antes do jogo decisivo de 1968 foram publicados na revista dos 100 anos do Comercial, lançada em 2011, com edição do jornalista Luiz Eduardo Arruda Rebouças. Os papéis, no entanto, hoje estão com o ex-presidente Ataíde. A história era conhecida, mas a novidade é a papelada que assegurava o acordo.

Naquele ano, o Palmeiras havia priorizado a disputa da Libertadores e acabou tendo de jogar uma série de partidas seguidas, anteriormente adiadas, no Paulista. Foi então que o Guarani escalou um time reserva e com um jogador em situação irregular, de maneira que, se a equipe do interior vencesse, o rival da capital poderia buscar na Justiça esportiva os pontos perdidos.

O Palmeiras entrava na penúltima rodada com chances remotas de rebaixamento, em situação amenizada pela vitória sobre o América de Rio Preto na partida anterior. Neste cenário, um empate asseguraria matematicamente a permanência na elite.

"Na época os times podiam escalar até dois jogadores amadores por vez. Neste dia o Guarani escalou três", conta o jornalista Luiz Eduardo Arruda Rebouças, responsável pela pesquisa histórica a respeito desta partida.

Mas a brecha para manobra no tapetão acabou não precisando ser utilizada, pois o placar de 1 a 1 no Brinco de Ouro, no dia 29 de junho de 1968, um sábado à tarde, assegurou o Palmeiras na divisão de cima do Paulista.

Prejudicado pelo empate em Campinas, o Comercial acabou destinado ao rebaixamento. Mas, inicialmente, o clube de Ribeirão Preto foi à Justiça esportiva contra a Portuguesa Santista, protestando contra escalação irregular de um jogador, e não reclamando de qualquer problema na partida entre palmeirenses e bugrinos.

"Perdemos de 8 a 1 na Federação Paulista, de 9 a 0 na antiga CBD [Confederação Brasileira de Desportos] e de 9 a 0 no pleno da mesma entidade. Somente no CND [Conselho Nacional de Desporto] conseguimos a vitória por 11 a 0. Foi só neste último julgamento que conseguimos anexar os documentos do jogo do Palmeiras", descreve o ex-presidente do Comercial, responsável pela "compra" da papelada.

Assim, o Comercial conseguiu anular seu rebaixamento e ainda fez a Federação Paulista suspender o descenso no Estadual por alguns anos. Tudo graças ao suborno do Simca Chambord e à ingenuidade dos dirigentes da época, que firmaram compromisso de favorecimento registrado em cartório.

"Temos toda a autenticidade e o reconhecimento destes documentos. Temos a prova do acerto entre os dois clubes. Um caso inédito no Brasil de entrega de jogo comprovada", afirma o jornalista Luiz Eduardo Arruda Rebouças.

*Veja mais detalhes sobre o caso e a reprodução dos documentos sobre a partida entre Guarani e Palmeiras no blog do jornalista Juca Kfouri.

Fonte: uol

Enviado por: Jorge Almeida

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