Centenário do Corinthians no Estadual começa com partida em Jundiaí

Centenário do Corinthians no Estadual começa com partida em Jundiaí

Hoje a presença do campeão mundial e dono dos maiores contratos de patrocínio no Brasil é uma das razões para a sobrevivência do Estadual, mas há cem anos isso significou uma ruptura com a tradição local.
"Naquela época, o futebol era dominado pela elite paulistana. Os times de origem humilde ficavam restritos à várzea", explica Fernando Wanner, integrante do departamento cultural corintiano.

O Corinthians, que era formado por operários, foi o primeiro time popular a disputar. A equipe abandonou a várzea em 1912 e pediu à Liga Paulista de Futebol, responsável pelo torneio, uma vaga no campeonato de 1913. Até então a entrada de novos clubes era encarada com restrição pelas equipes fundadoras da Liga --Germânia, Internacional, Mackenzie, Paulistano e Spac--, que procuravam conservar o status e o formato original.

Esses times tinham sido criados no início do século passado e a maioria era formada por estudantes de famílias tradicionais. O futebol de várzea começou a ser praticado na segunda metade da década de 1910 e ficava restrito inicialmente a região central. Depois começou a se expandir para outros bairros da capital.

"Geralmente eles começavam como times de fábricas, mas os jogos foram ficando mais acirrados e ganharam a cidade", disse Wanner.

Em 1913, a Liga Paulista iniciou um processo de reestruturação e aprovou o ingresso do Corinthians no Paulista. A decisão já acompanhava a crescente popularização. Mas, para participar do torneio o Corinthians teve de disputar dois jogos eliminatórios. O time conseguiu superar os dois rivais com quem duelou --Minas Gerais (do Brás) e São Paulo (do Bixiga).

CISÃO

A confirmação do Corinthians no campeonato criou um problema para a Liga. Foi o estopim para uma crise que levou a primeira cisão da história da competição.

O Paulistano, que abandonou o futebol em 1929, e a Associação das Palmeiras, clube já extinto, eram os sócios mais radicais em relação ao ingresso de equipes populares no Campeonato Paulista.

Contrariado, o Paulistano foi o primeiro a abandonar a Liga. Utilizou como argumento o veto ao seu campo --o Velódromo--, uma vez que a entidade optou por usar o Parque Antarctica, do Germânia, e com aluguel mais barato.

Em 24 de abril, o Paulistano criou uma nova entidade, a Apea (Associação Paulista de Esportes Atléticos). Teve a companhia da Associação das Palmeiras e do Mackenzie, que disputaram o primeiro torneio da nova entidade.

Pela primeira vez o Paulista teve dois torneios no mesmo. "Uma liga nasceu forte por ter as equipes tradicionais, enquanto a outra reuniu equipes intermediárias e jovens, como Corinthians, Ypiranga e Santos. Esta ficou conhecida como a liga dos pobres", explica Wanner.

O Corinthians competiu com Germânia, Internacional, Americano, Ypiranga e Santos. Sofreu três derrotas, empatou quatro jogos e venceu apenas um. Teve a pior campanha ao lado do Germânia (hoje Pinheiros).

O Paulistano foi campeão da Apea. Com o passar dos anos esse liga se fortaleceu e absorveu as equipes da Liga Paulista, que foi extinta em 1917. As equipes populares acabaram tendo mais espaço e o futebol local voltou a ter apenas um torneio.

OUTRAS CISÕES

Ao todo foram três cisões no futebol paulista. Após 1913, outra ocorreu em 1926. Novamente a iniciativa foi do Paulistano, que liderou os clubes mais tradicionais e criou uma liga sob a bandeira do amadorismo.

Apesar de o profissionalismo ter sido adotado oficialmente em 1933, os clubes já identificavam traços de seu início, como pagamento disfarçado ao jogadores.

A nova liga tinha o objetivo de preservar o amadorismo e contou até com o Corinthians em um dos anos, assim como Ponte Preta, Portuguesa Santista, entre outros, mas sobreviveu até 1929.

Em 1935, houve outra cisão. Novamente o racha foi motivado pelo profissionalismo. Os times contrários criaram a Liga Paulista de Futebol (sem ligação com a antecessora), mas sustentaram a disputa por apenas dois anos.

A partir de 1937 a organização do torneio ficou sob responsabilidade da Liga de Futebol Paulista. Uma espécie de embrião da Federação Paulista de Futebol, fundada em 1941 por 11 clubes.

Fonte: Folha de São Paulo

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    Rafael 702 comentários

    1º. por @rpereira

    AA. Palmeiras e Paulistano eram os clubes contrários à admissão do Corinthians na liga paulista por não admitirem a presença de um clube popular na cidade. Os dois clubes, após uma série de falências, desistências e falcatruas, se tornaram o SPFC.. Preciso falar mais alguma coisa? O lado bambi da cidade sempre conspirou contra o Corinthians, desde antes da fundação eles estão sempre do lado errado.