Federações enriquecem enquanto Estaduais têm públicos pífios

Federações enriquecem enquanto Estaduais têm públicos pífios

Federações enriquecem enquanto Estaduais têm públicos pífios

Federações enriquecem enquanto Estaduais têm públicos pífios

Rodrigo Mattos
Do UOL, em São Paulo


 Os grandes clubes nacionais seguem a questionar o espaço no calendário reservado aos Estaduais, que por conta dos fracos públicos lhes fazem perder dinheiro. Mas as federações não têm do que reclamar: seus faturamentos só têm aumentado justamente por conta dessas competições. O UOL Esporte fez um levantamento sobre os balanços de cinco das principais entidades estaduais do país e todas tiveram ganhos extras em 2012 em relação ao ano anterior. A maioria também teve queda na presença de público em seus campeonatos.

Um exemplo é a FPF (Federação Paulista de Futebol), cuja receita aumentou em 20% e atingiu um total de R$ 30,9 milhões. O crescimento da renda é maior justamente nos itens campeonatos e comerciais, que são oriundos do Paulistão.

É o maior faturamento entre todas as federações. A média de público - embora seja uma das maiores dos seus pares - está longe de empolgar, girando em torno de 6 mil pessoas por jogo. É menos da metade do Campeonato Brasileiro.

'Nosso Estadual só tem contratos melhores a cada ano. Enquanto o Estadual pagar bem, não tem porque mudar. É sinal de que vale para a televisão. Isso só sobe. Ninguém paga o que não vale', afirmou o presidente da FPF, Marco Polo Del Nero, que só admite uma revisão para 2014, com a redução de duas datas, por conta da Copa.

 Em proporções menores, Pernambuco vive realidade parecida: a federação ganha mais a cada ano, mas o Estadual teve queda no público. A federação ganhou R$ 4,8 milhões no último ano, contra R$ 3,1 milhões em 2011. O aumento de renda tem relação com o futebol e também com medidas administrativas.

'Alugamos uma parte da sede que foi modernizada. Mas também crescemos porque temos os melhores contratos de Estaduais no Nordeste, com a Coca-Cola como patrocinadora e a Globo na televisão. Ainda obtivemos apoios locais da economia, que está em ebulição', contou o presidente da federação pernambucana, Evandro Carvalho.

O público do Estadual era o melhor do país em 2012 com cerca de 9 mil, mas isso graças ao programa de nota fiscal que prevê que os torcedores possam trocar notas por ingressos. Mesmo com a manutenção desse programa, em 2013 houve queda na média. O campeonato também foi reduzido para 12 datas só para os times grandes, o que abriu datas para a Copa do Nordeste.

'Já esperávamos essa queda. Mudamos a fórmula do campeonato. Reduziu em seis clássicos no campeonato. Era um sacrifício pela Copa do Nordeste', defendeu Evandro Carvalho. Mas os clássicos realizados até agora tiveram públicos pouco empolgantes, a maioria com menos de 20 mil pessoas.

Em Minas Gerais, houve, sim, um crescimento de público, muito resultante das boas campanhas de Atlético-MG e Cruzeiro e principalmente pela reabertura de grandes estádios no Estado. O Mineirão recebeu a empolgação do público com o clássico de abertura. E o Galo tem aproveitado o Independência.  Assim, houve um salto de 3.581 para algo em torno de 5.500. Além disso, o campeonato enxuto aumentou a média.

'A torcida está em lua de mel por conta dos estádios', explicou o presidente da federação mineira, Paulo Schettino, que ressalva que o campeonato enxuto também ajuda o público. 'Temos 17 datas, com 12 clubes. Minha percepção é que tendo menos jogos aumenta a média de público.'

A renda da federação, no entanto, já vem aumentando desde o ano passado, mesmo com públicos baixos. Tanto que teve um crescimento de cerca de 27% em sua receita para 2012, atingindo R$ 7 milhões. 'Temos o contrato da Chevrolet, que já houve manifestação pela renovação. A federação ainda ganha 10% da renda dos jogos dos estaduais, e mais 8,5% no interior', explicou o presidente da federação mineira, Paulo Schettino. 

Ressalte-se que a média de público, com o crescimento, ainda está bem abaixo do Nacional. Muito mais abaixo estão as médias de campeonatos como o Gaúcho e o do Rio de Janeiro.

No Rio, o público patina em pouco mais de 2 mil de média em 2012. Nem por isso as rendas de sua federação deixaram de crescer, embora em ritmo menor do que seus pares. Em 2012, a receita atingiu R$ 12,5 milhões, cerca de R$ 500 mil a mais do que em 2011. O crescimento é próximo do índice de inflação. É resultante do contrato de publicidade do campeonato que saltou para R$ 1,5 milhão, valor que, antes, era R$ 620 mil.

O caso do Rio Grande do Sul é mais emblemático. Sua média de público é ainda mais baixa, em torno de 2.200. Mesmo assim, a federação teve aumento da receita com novos contratos como apontou seu presidente Francisco Noveletto.

'A receita vem em cima de patrocínio da Chevrolet, das placas, Globo e RBS. Fiz contrato também com uma farmácia. Até hoje podem querer me dizer o que fazer com a bola que eu não sei, mas sou comerciante. Sei vender', contou Noveletto.

Segundo ele, a queda na média de público deve-se ao fechamento do Beira-Rio e aos problemas ocorridos na Arena do Grêmio. Isso porque, contou o cartola, o Internacional teve que jogar em até seis estádios pelo interior. Mas ele admitiu que há outros fatores.

'A TV vende um pacote de R$ 50,00 que dá para assistir todo o Estadual. Fica difícil de o cara ter que pagar R$ 50,00 para o guardador, mais cachorro quente...Olha o Nacional, também caiu', argumentou o dirigente gaúcho, que também ressalta que, no interior, são vendidos pacotes para torcedores.

O Campeonato Baiano também patina na média de público até a entrada de Bahia e Vitória, que disputavam a Copa Nordeste. Conseguiu encher estádio com a inauguração da Fonte Nova, que lotou e teve disputa por ingressos. Sua média em 2012 era de apenas 4 mil. É possível um crescimento com o novo estádio, mas não será muita porque a primeira fase mal atingia mil torcedores por jogo.

Nem por isso a renda da Federação Bahiana é prejudicada. De 2011 para 2012, saltou para R$ 4,3 milhões, um crescimento em torno de um quarto. Nenhuma dessas federações está livre de dívidas - algumas muito altas. Mas, ao contrário de grandes empresas de mercados, as entidades aumentam suas receitas mesmo que seus produtos estejam longe de ser sucessos.

Foto: Reprodução/UOL

Fonte: Terceiro Tempo

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