Entrevista com o diretor de finanças do Corinthians: 'Nosso plano é internacionalizar a marca'

Entrevista com o diretor de finanças do Corinthians: 'Nosso plano é internacionalizar a marca'

Raul com Ferran Soriano, vice-presidente de finanças do Barcelona, atual CEO do Manchester United

Raul com Ferran Soriano, vice-presidente de finanças do Barcelona, atual CEO do Manchester United

O empresário e advogado Raul Corrêa da Silva foi um dos fundadores das torcidas Gaviões da Fiel e Camisa 12. Eleito conselheiro do Corinthians em 2007, ele está no cargo de diretor-financeiro desde então.

No início da gestão de Andrés Sanchez como presidente do clube, em 2009, Silva, que também é sócio-fundador e presidente da consultoria BDO RCS, estava diante de um desafio que ia além da questão profissional, mas envolvia valores sentimentais, por sua ligação com o time: restabelecer a confiança entre o clube e a torcida.

Sua primeira lição de casa foi realizar uma auditoria que levantasse todos os números do clube desde 2004. “Foi muito triste fazer esse trabalho e perceber qual era a situação. Em 2004, a dívida do clube era zero e em dezembro de 2006 já chegava a R$ 100 milhões.”

A estratégia para colocar a casa em ordem e sair em busca de receita, segundo Silva, foi aplicar um tratamento ortodoxo e buscar referência na gestão de um dos times mais valiosos da Europa, o Barcelona. “Na ocasião, paguei uma viagem do meu bolso para a Espanha, fui até lá observar o trabalho do Barcelona e fiz o convite para que eles viessem ao Brasil conversar com nossos diretores”.

A fórmula funcionou. Em relatório de sustentabilidade divulgado na segunda quinzena de maio, o clube mostra que, entre 2007 e 2012, a receita do clube cresceu 167%, saltando de R$ 134,3 milhões para R$ 358,5 milhões. Desse montante, a maior parte vem do direito de transmissão televisiva, que representa 43% do faturamento, seguido de patrocínio e publicidade, com 18%.

Nesta entrevista à DINHEIRO Online, Silva fala sobre o projeto de gestão realizado no Corinthians, que divulgou seu mais recente balanço financeiro dia 14 deste mês, e explica a estratégia do clube para fortalecer sua arca de futebol - atualmente, está avaliada em R$ 1,1 bilhão.

CORINTHIANS EM NÚMEROS

Sócios: 16,6 mil
Torcida: mais de 30 milhões
Ativo Total: R$ 1,3 bilhão
Patrimônio Líquido: R$ 75 milhões
Valor da marca: R$ 1,005 bilhão
Receitas
Total: R$ 276,8 milhões
TV: R$ 153,7 milhões
Nike: R$ 42,6 milhões
Uniforme: R$ 21,9 milhões
Fiel Torcedor: R$ 6 milhões
Licenciamento: R$ 21,5 milhões
Arrecadação: R$ 35,1 milhões

Divida em 2012: R$ 177,1 milhões
Investimentos em 2012: R$ 66,9 milhões
Fonte: Balanço do Sport Club Corinthians Paulista

Qual era a situação das finanças do Corinthians quando o senhor assumiu o cargo na direção do clube?
Raul Corrêa – Fizemos uma análise numérica do Corinthians, levantando todas as informações desde 2004, para saber o que era o clube nessa época e no que ele havia se transformado. Em 2004, a dívida era zero, em 2006 ela estava na casa de R$ 100 milhões. Puxa vida, fui um dos fundadores da Gaviões e da Camisa 12. Como corintiano, foi muito triste ver a situação na qual o clube se encontrava.

Quais as medidas tomadas em curto e médio prazos para mudar a situação?
Em curto prazo, fizemos um tratamento ortodoxo, analisando e evolução de custos e os cortes que poderíamos fazer. Ao mesmo tempo, foi feito um trabalho de marca para resgatar a tradição do clube, o orgulho do torcedor, os valores da marca. Também negociamos todos os contratos de serviços e conseguimos reduzir as despesas.

Foi tomado algum cuidado jurídico para documentar a situação deixada pela gestão do Dualibi?
Colocamos os números a partir do momento que assumimos, porque, se tivéssemos colocado as informações de 30 dias depois, diriam que a situação não era tão feia assim. Em 1971, o candidato que entrou não fez auditoria e o trabalho dele ficou manchado.

A chegada de Ronaldo ao clube, em, 2008, foi uma virada em termos de marketing

Houve um trabalho de resgate da imagem do clube diante de patrocinadores e parceiros?
Naquela mesma época, divulgamos nossos números nos principais jornais. Desde que chegamos, assumimos o compromisso de falar a verdade, nunca fugir da imprensa e adotar as regras de transparência.

Naquele período o senhor havia feito uma viagem à Espanha para conhecer o estilo do Barcelona. Que lições foram tiradas dessa experiência?
Fui até lá usando dinheiro do próprio bolso. O objetivo era observar o trabalho do Barcelona. Digo que o clube espanhol foi um benchmark informal. Eles passaram por uma situação semelhante, se recuperaram e chegaram aonde estão agora. Foi uma experiência interessante. Eu perguntei se eles topavam vir a São Paulo e se cobravam por isso. Disseram que, se custeássemos as passagens e a hospedagem, viriam.

Paralemente, o clube passou a montar equipes mais fortes dentro de campo.
É importante deixar claro que o mais importante no futebol é ter um time competitivo. Independentemente

Fonte: Revista Dinheiro

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