Gaviões da Fiel quer reunião com Emerson Sheik

Gaviões da Fiel quer reunião com Emerson Sheik

Sheik disse que foi educado assim

Sheik disse que foi educado assim

Os dirigentes do Corinthians andam no fio da navalha desde que, na última segunda-feira, Emerson Sheik colocou em seu perfil no Instagram, uma foto dando um selinho no amigo e sócio Isaac Azar, chefe de cozinha e dono do restaurante Paris 6. O beijo entre colegas se transformou numa armadilha. As torcidas uniformizadas não gostaram de virarem alvo de gozação por parte dos adversários.

O momento é de muito cuidado. Informalmente, Edu Gaspar – gerente de futebol – já conversou com Emerson. Reconheceu que o jogador tem o direito de, no âmbito privado, fazer o que quiser. Mas lembrou que com o Corinthians, tudo fica muito grande. O atleta admitiu que esperava provocar uma reação, mas não achava que seria tão grande e, no que se refere aos torcedores, agressiva.

A Camisa 12 protestou no mesmo dia, mandando integrantes com faixas ofensivas ao jogador. Sheik já tinha deixado claro que o selinho era uma brincadeira e uma provocação aos homofóbicos. Chegou a pedir desculpas para quem não gostou. Mas avisou que este era jeito, provocador, e não abria mão disso.

A galera das arquibancadas não gostou do mesmo jeito. O presidente da Gaviões da Fiel, a maior uniformizada do clube deve ter uma conversa com o atacante e os diretores ainda nesta sexta-feira. Wagner da Costa, conhecido como B.O, vai cobrar explicações e pedir cuidado com o tema. Mesmo assim, o assunto é delicado. Não dá para a Gaviões sair por aí dizendo ser contra a cena, por ter uma insinuação homossexual. Até porque é impossível assegurar que uma agremiação com mais de 10 mil sócios não tenha, em seus quadros, pessoas com diferentes orientações.

Por isso, a conversa de Edu com Sheik foi cuidadosa. Se o gerente repreendesse o jogador, estaria sendo politicamente incorreto. Se fizesse uma defesa da foto e do selinho, acirraria ainda mais os ânimos dos uniformizados. O jeito foi optar pelo silêncio oficial. Até porque há um outro tema a se falar: a situação do Corinthians em campo.

Afinal, o selinho de Emerson Sheik não é, segundo Gaspar, "um fato normal, que acontece no dia a dia do futebol". O jogador começou como reserva na partida contra o Luverdense nesta quarta-feira. O técnico Tite o puniu pela cara carrancuda que mostrou ao ser substituído no confronto contra o Coritiba, no domingo. Este é um episódio comum no mundo das quatro linhas.

Mas perder por um a zero para o Luverdense também não era esperado. "E quando o Corinthians perde, ele sempre perde mal", disse Edu. O gerente garante que é corriqueiro fazer cobranças sobre os rumos que a equipe toma durante uma temporada. "Sempre fazemos reuniões para ver onde podemos melhorar", disse. A turbulência iniciada por Emerson Sheik aumentou com a derrota em Lucas do Rio Verde (MT).

Por isso, uma vitória sobre o Vasco, neste domingo em Brasília, pode servir como uma forma de amainar os fortes ventos que começam a soprar no Parque São Jorge. "Quando o Corinthians ganha, ele ganha bem", disse Edu Gaspar. Para ajudar, o time poderá contar com a volta de Paulo Andrade. Ainda nesta quinta-feira, Renato Augusto será avaliado. O técnico Tite poderá contar com a formação titular.

Fonte: Correio do Estado

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