Corinthians vê perseguição nos tribunais e impunidade dos rivais

Corinthians vê perseguição nos tribunais e impunidade dos rivais

Corinthians vê perseguição nos tribunais e impunidade dos rivais

Corinthians vê perseguição nos tribunais e impunidade dos rivais

Gustavo Franceschini
Do UOL, em São Paulo

Na última terça, o Corinthians recebeu sua terceira punição no ano e pode ter de jogar a reta final da Copa do Brasil longe do Pacaembu. Com rivais impunes, cresce na diretoria do clube do Parque São Jorge um sentimento de perseguição, ainda que ninguém fale abertamente sobre isso.

'Teve sinalizadores em Criciúma e não houve punição. É isso que a gente acha estranho. Contra o Corinthians a mão é de ferro, contra os outros a mão é de pena. Aí é chato. Mas se tiver de cumprir, vamos cumprir sem problema algum', arriscou-se Roberto de Andrade, diretor de futebol, após o 0 a 0 contra o Grêmio.

O episódio em Criciúma a que ele se refere tem a ver justamente com a punição sofrida pelo clube na última terça. Em primeira instância, o STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) decidiu tirar dois mandos de campo do Corinthians na Copa do Brasil pelo fato de torcedores do clube terem usado sinalizadores na partida de ida contra o Luverdense, nas oitavas.

Na ocasião, o árbitro do jogo chegou a paralisar o confronto em seus minutos finais até que o artefato fosse apagado. A decisão ainda permite recurso, mas se for mantida fará com que o Corinthians eventualmente jogue a semi e a final da Copa do Brasil longe de casa.

Para o clube, o problema é que cerca de duas antes, o Corinthians tinha jogado em Criciúma pelo Campeonato Brasileiro. No fim daquele jogo, os torcedores locais também acenderam sinalizadores e, com isso, forçaram o juiz a paralisar a partida. O time catarinense foi levado ao tribunal, mas teve de pagar a modesta multa de R$ 10 mil.

A discrepância nos julgamentos irrita o corpo jurídico do Corinthians, que não descarta incluir esse argumento em seu recurso. O maior problema, no entanto, é que não foi a primeira vez que isso ocorreu em 2013.

Por conta do conflito entre corintianos e vascaínos nas arquibancadas do estádio Mané Garrincha, em Brasília, os dois clubes perderam quatro mandos de campo no Brasileiro. A briga em questão tomou parte da arquibancada do estádio e assustou famílias que estavam presentes, mas não teve nenhum ferido grave.

Uma semana antes, flamenguistas e são-paulinos brigaram na frente do mesmo estádio antes de uma partida pelo Campeonato Brasileiro. Um torcedor do time carioca foi agredido e fraturou a mandíbula. O ataque foi filmado e repetido por emissoras de televisão no dia seguinte. Nenhum dos dois clubes, porém, foi levado ao tribunal.

No dia do julgamento do recurso de Corinthians e Vasco, advogados da dupla levantaram a questão. Um dos juízes respondeu que o caso de São Paulo e Flamengo não foi denunciado porque ocorreu nas cercanias do estádio, e não dentro dele, o que eximia o STJD de responsabilidade sobre o assunto.

No primeiro semestre, a queixa foi a mesma. Por conta do incidente que vitimou o jovem Kevin Espada, de 14 anos, o Corinthians teve de jogar uma partida com portões fechados. O clube foi punido pelo tribunal da Conmebol porque sua torcida usou sinalizadores no estádio, e não por conta da morte do jovem boliviano.

O problema é que, no mesmo jogo entre Corinthians e San Jose, em que a tragédia ocorreu, torcedores locais usaram querosene para escrever com fogo no alambrado do estádio. Semanas depois, um torcedor do Newell's Old Boys sofreu afundamento do crânio após ter sido apedrejado antes de um jogo contra o Olimpia, no Paraguai.

Nenhum dos dois clubes foram punidos. Em entrevista ao UOL Esporte, Caio Rocha, presidente do tribunal da Conmebol, chegou a admitir que o caso do Corinthians foi tratado como exceção. 'O clube não pode ser responsabilizado pela morte, mas os resultados são distintos. Alguém disparou um rojão, mas como era o rojão? Feriu alguém? Se você for tratar situações distintas de forma igual, vai cometer injustiça. Aquele julgamento do Corinthians levou em consideração as circunstâncias do caso', disse ele, à época.

Fonte: Terceiro Tempo

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