Favela vizinha a estádio sela nome 'Itaquerão' e se vê incluída na Copa

Favela vizinha a estádio sela nome 'Itaquerão' e se vê incluída na Copa

A favela Vila da Paz, vizinha do futuro estádio do Corinthians, em Itaquera, zona leste de São Paulo, não será mais removida antes do início da Copa do Mundo. Ao menos 276 das 377 famílias que vivem atualmente na comunidade poderão acompanhar a cerimônia de abertura do Mundial a 800 metros do Itaquerão.

Os moradores pretendem aproveitar a proximidade do estádio para participar da Copa de alguma maneira. "Vamos estar mais perto da Copa do que a maioria das pessoas. E ser vizinho do Itaquerão pode ser uma oportunidade de trabalho para muita gente", afirmou o aposentado Drancy Silva, 58 anos, um dos diretores da Associação dos Moradores da Vila da Paz.

Nas vielas da comunidade, inclusive, não há dúvidas sobre como o estádio será chamado. Alguns corintianos argumentam que o nome correto é Arena Corinthians. "Aqui não tem outro nome. Todo mundo chama de Itaquerão", disse o motoboy Fabrício Ferreira, de 22 anos. "Esse nome pegou. É o nome do bairro, tem personalidade", completou o desempregado Célio Viera, 31 anos.

A Vila da Paz existe desde 1991. Nos últimos dois anos, seus moradores se mobilizaram para evitar que a Prefeitura desapropriasse o terreno. Embora o poder público nunca tenha confirmado um projeto definitivo para a região, chegou a ser divulgado que a favela daria lugar a um parque linear ou a um pacote de obras viárias.

A proposta da Prefeitura, agora, é remover 101 famílias da comunidade que vivem em casebres e barracos próximos ao Rio Verde, uma área considerada de risco para enchentes e deslizamentos de terra. A partir de janeiro, essas pessoas vão se mudar para unidades habitacionais produzidas por meio do programa federal Minha Casa, Minha Vida.

As 276 famílias restantes devem continuar morando na favela até 2016, quando deve ficar pronto outro conjunto habitacional na região. Os dois novos destinos dos vizinhos do Itaquerão ficam em um raio de 3,5 quilômetros do estádio.

Para a Prefeitura, a remoção das famílias não está ligada à Copa do Mundo nem à construção de nenhuma obra de melhoria urbana. O processo deve atender a uma demanda social de moradia. Na cidade de São Paulo, cerca de 890 mil famílias vivem de forma considerada precária (favelas, loteamentos irregulares, cortiços, áreas de risco).

Estima-se que para zerar o déficit de habitação seria necessário construir 230 mil unidades. A gestão Fernando Haddad (PT) se comprometeu a entregar 55 mil domicílios até o fim de 2016.

Haddad pretende visitar a Vila da Paz na próxima semana para anunciar o novo endereço de parte dos seus moradores a partir de janeiro e colocar fim aos boatos sobre a remoção da comunidade. A informação foi passada aos moradores durante audiência pública na Subprefeitura de Itaquera, quarta-feira. Aliados políticos avaliam que o gesto do prefeito pode ter efeito positivo, ao mostrar que a capital paulista não usará a Copa para fazer remoções em massa como aconteceu em outras cidades-sede do Mundial.

Vereadores ouvidos pelo UOL Esporte e que não quiseram se identificar avaliam que a cidade pode ficar com a imagem manchada, pois a imprensa internacional deve usar a proximidade de uma favela do palco de abertura da Copa para mostrar as desigualdades da capital paulista.

Os moradores da comunidade discordam da visão dos políticos. "Independente da Copa, a gente quer que olhe o lado social. Pelo menos não vão cobrir as favelas com tapume, que nem fizeram na Copa da África do Sul", diz Eliete Vieira, de 42 anos.

Fonte: Circuito MT

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