Valcke visita Arena Corinthians e tenta resolver mais um problema

Valcke visita Arena Corinthians e tenta resolver mais um problema

A Fifa chega a São Paulo para desatar o nó de como será paga a conta das estruturas complementares da Arena Corinthians. O governo estadual diz que não bota um centavo, enquanto a Prefeitura negocia com o Corinthians e o Comitê Organizador Local (COL) para ver como será a divisão dos gastos. Estima-se que o total possa chegar a R$ 70 milhões e nesta segunda, quando o secretário-geral da entidade Jérôme Valcke visitar o estádio em Itaquera, ele ouvirá que nada está resolvido.

Esse é o grande empecilho do momento para a arena que vai receber a abertura da Copa do Mundo de 2014. Tanto o governo paulista quanto a Prefeitura não assinaram o Stadium Agreement, documento que coloca as diretrizes e obrigações aos poderes públicos e privados. "O governo do estado de São Paulo não tem obrigação contratual de arcar com os custos das estruturas complementares e há determinação do governador para que os investimentos sejam estritamente para infraestrutura, mobilidade urbana e segurança", explicou ao Estado Raquel Verdenacci, coordenadora da Secretaria Executiva do Comitê Paulista.

Em 2010, um dos argumentos para tirar a Copa do Morumbi foi justamente o fato de o São Paulo não ter apresentado garantias financeiras suficientes para bancar a reforma do estádio. Mas as exigência no caso do Itaquerão foram amenizadas e a Fifa aceitou a construção do novo estádio sem a papelada que obrigava outras sedes a ter. Entre os cartolas em Zurique e mesmo entre dirigentes de outras cidades, a exceção aberta no caso do Corinthians deixou claro que a escolha havia sido política. Agora, porém, muitos na Fifa não escondem o pesadelo em que o caso se transformou para a entidade.

A queda de braço está sobre quem vai pagar os custos de instalação de estruturas complementares, como itens de TI, áreas para o trabalho da imprensa, estacionamento etc. Na realidade, o pacote de exigências é igual para todas as sedes, mas muda de acordo com a estrutura que já existe nos estádios e em seu entorno. No caso de São Paulo e Rio de Janeiro, que recebem a abertura e o encerramento do Mundial, respectivamente, os pedidos são mais amplos.

Em sua edição de domingo, o jornal Folha de S. Paulo estimou em R$ 870 milhões os gastos que Estados e cidades terão para arcar com essas estruturas – valor que, segundo a reportagem, inicialmente seria de responsabilidade exclusiva do COL.

Para se ter uma ideia, existe a necessidade de espaço para quatro mil jornalistas no primeiro jogo da Copa. Em uma partida muito importante, como uma final de Libertadores no Brasil, vão ao estádio trabalhar 300 jornalistas. Isso significa que espaços que seriam para o público terão de ser adaptados para comportar os profissionais e isso tem um custo. O Corinthians, desde sempre, avisou que não vai arcar com obras que sejam apenas para a Copa. Mas o clube está sendo pressionado a ceder e pagar parte da conta.

Dois itens que exigiriam um gasto muito grande são as instalações para acolher os voluntários e participantes da festa de abertura e o estacionamento para o público. A fim de economizar, a Prefeitura buscou alternativas de baixo ou nenhum custo. "O Shopping Itaquera, por exemplo, vai disponibilizar parte das vagas de estacionamento para os jogos da Copa. Há um esforço geral para se gastar com racionalidade", disse ao Estado Nádia Campeão, vice-prefeita de São Paulo e coordenadora do SPCopa.

Já as instalações da Fatec e Etec, ao lado do estádio em Itaquera, serão usadas para o treinamento dos voluntários. Não entra nessa conta a instalação das arquibancadas provisória, que aumentarão a capacidade da arena em 19,8 mil lugares, a um custo de R$ 38 milhões – valor que será bancado pela Ambev.

O COL arcará com os custos de segurança privada, serviços médicos e voluntários, por exemplo, enquanto a Fifa pagará a cerimônia de abertura. Na ponta do lápis, a conta não fecha e é isso que Valcke tentará resolver nesta segunda em sua visita ao canteiro de obras.

De qualquer forma, tanto a Fifa quanto o COL estão irritados com a demora na formalização do apoio financeiro às estruturas complementares. O estádio em Itaquera está atrasado, por causa do acidente que culminou na morte de dois operários, e quanto mais demorar para ser resolvido, mais difícil ficará para resolver o imbróglio, até porque existem prazo de licitação que precisam ser respeitados.

Fonte: Estadão

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