Autor de disparo que matou jovem boliviano tenta refazer a vida

Autor de disparo que matou jovem boliviano tenta refazer a vida

SÃO PAULO - Um ano depois de assumir a autoria do disparo do sinalizador que matou Kevin Espada, Hélder não frequenta mais os estádios, nem a quadra da Gaviões da Fiel. Continua fanático, mas vê os jogos pela TV. Por imposição da família e pressão da torcida, que passou a responsabilizá-lo pelas punições ao Corinthians após a tragédia, ele mudou de vida. Hoje com 18 anos, Hélder é profissional de Atendimento ao Cliente de uma grande rede de salas de cinema. É o seu primeiro emprego.

Essa vida nova, no entanto, é cheia de lacunas. Ele não diz o nome completo, nem a empresa em que trabalha, com medo de perder o emprego. Ninguém sabe do seu passado e ele acha que deve continuar anônimo para se dar bem.

Situação muito diferente do ano passado, quando alguns corintianos espalharam sua foto pelas redes sociais como um procurado e gritavam que ele tinha "prejudicado o Corinthians". Hélder apagou sua página no Facebook e foi morar com parentes em Itaquaquecetuba, na grande São Paulo. Chorou bastante nessa época.

Ele tem medo de perder o emprego porque gosta do que faz. Trabalha com o público, confere bilhetes e documentos de meia-entrada e organiza as salas. A carga horária é puxada, seis por um. Ganha um salário mínimo (R$ 724), mais os benefícios da legislação.

As horas extras são bem-vindas. Seu salário é fundamental para equilibrar o orçamento da família, formada pela mãe, costureira, a irmã do meio, que também trabalha, e o caçula, que, coincidentemente, chama-se Kelvin (o torcedor que morreu era Kevin, sem o "l").

Hoje o rapaz mora em um apartamento simples na Comunidade do Gato, conjunto residencial construído após a urbanização da Favela do Gato, no Bom Retiro. Ricardo Cabral, advogado da Gaviões, diz que ele nunca recebeu ajuda financeira da organizada para se reerguer.

Atualmente, não há sinal na sua vida do que fazia na Gaviões. Antes da excursão para a Bolívia para ver o jogo do Corinthians – R$ 200, pagos pela mãe –, ele era obreiro: carregava bandeiras e contava os instrumentos que iam para o estádio.

Quando participou do processo de seleção para trabalhar no cinema, Hélder ficou com receio de que descobrissem tudo, mas sua ficha está limpa. A Justiça brasileira arquivou o caso porque um processo com o mesmo teor foi aberto na Bolívia e, segundo o artigo 7.º do Código Penal, ninguém pode responder pelo mesmo crime em ações diferentes. "Pela lei brasileira, ele está livre", explica o promotor Thales de Oliveira, responsável pelo caso no Brasil.

Hélder concluiu o Ensino Médio e aguarda o resultado de uma prova para o curso de Técnico em Mecatrônica nas Faculdades Drummond, no Tatuapé. É só matemática, mas os amigos dizem que ele é bom aluno.

Para os poucos que o conhecem de verdade, Hélder diz que, mais do que o novo curso, o registro em carteira ou os R$ 700 de salário, ele se conforta com uma possibilidade apontada pela perícia: Kevin pode ter morrido por causa de outro sinalizador, não o que disparou.

Fonte: Estadão

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