O adeus corintiano do Pacaembu

O adeus corintiano do Pacaembu

Por Plácido Berci (do Blog quatro4dois)

No dia 27 de abril de 1940, os ponteiros marcavam três e meia da tarde, quando o presidente Getúlio Vargas inaugurou o Estádio Municipal do Pacaembu, o maior da América Latina até então.

No mesmo dia, em 2014, o relógio apontará quatro horas da tarde quando o Corinthians rolar a bolar pela última vez como dono da casa no Estádio Municipal Paulo Machado de Carvalho. Exatamente 74 anos, 30 minutos e 24 títulos depois.

Irônico o destino, não?

Quis que o clube mais presente no Pacaembu ao longo de sua história assoprasse as velinhas e depois saísse de fininho em direção a uma nova e sonhada paixão.

Convidado de honra que quase jurou amor eterno, mas pôs fim ao casamento. Motivos não faltaram: jogadas políticas, interesses escusos, reclamação de vizinhos, entre outros polêmicos fatores que ficaram no passado e já não voltam mais.

Atravessar a Avenida Pacaembu em direção ao estádio já é por si só uma viagem no tempo.

Ao passar por entre casarões, lojas modernas e, finalmente, chegar até a Praça Charles Miller o caminhante se depara com uma imponente fachada.

É possível se imaginar presente no discurso de Getúlio. Nas noites de futebol com o som entusiasmado da torcida quebrando o silêncio noturno. No título do IV Centenário em 1954. Nos gols de Marcelinho. No gol de cabeça de Paulinho.

Até que, de repente, um grito de “olha o churrasquinho Friboi” nos faz voltar à realidade e percebamos que o ano é 2014. Ano da despedida.

No domingo, quando o corintiano atravessar a Avenida Pacaembu, ciente de que essa será sua última jornada como dono daquele espaço de vale, sentirá um nó na garganta.

No Tupi Guarani, Pacaembu quer dizer terras alagadas, mas como diz meu amigo e locutor do estádio, Edson Sorriso, o verdadeiro significado da palavra deveria ser emoção. Afinal, nada define tão bem tudo o que já se passou ali dentro.

A vida segue seu fluxo e o velho dá lugar ao novo.

Ao Corinthians, uma nova história de conquistas e emoções está para começar.

Ao romântico Pacaembu, restam dois sentimentos. A esperança de que nunca se esqueçam de sua grandeza e a valorizem.

E também o da saudade. Saudade dos tempos em que ele era o maior, não da América, mas de uma nação com mais de 30 milhões de pessoas.

Fonte: Blog quatro4dois

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