Ídolo do Timão revela batalha diária na Fundação Casa: 'O pau comia'

Ídolo do Timão revela batalha diária na Fundação Casa: 'O pau comia'

Por Meu Timão

Zé Maria trabalha, desde 1999, como coordenador de esporte na Fundação Casa

Zé Maria trabalha, desde 1999, como coordenador de esporte na Fundação Casa

Foto: Divulgação

Após uma carreira extremamente bem sucedida, Zé Maria, lateral direito que fez história na sua passagem de treze anos pelo Corinthians e também na Seleção Brasileira tricampeã mundial, aceitou um grande desafio: trabalhar na Fundação Estadual do Bem-Estar do Menor, a atual Fundação Casa.

Na posição de coordenador de esportes, desde 1999, Zé afirma ter visto o recrudescimento das gerações de adolescente que tem passado por lá a cada ano, porém diz que está geração não opera com a firmeza das anteriores.

"Não eram tão cruéis como hoje, mas as rebeliões eram muito mais agressivas. Nos grandes complexos, com 12, 13 unidades, eles se programavam e quando arrebentavam, estouravam. Hoje é um pessoal mais descomprometido. São mais moleques. Desde aquela época, eles são movidos pela fuga", disse em entrevista ao UOL Esporte.

E não foi apenas os internos que mudaram, “Super Zé” contou que, tanto ele quanto os outros funcionário, também foram mudando seu comportamento ao longo dos anos. O tratamento de ambas as partes já foram mais violentos.

“Na minha época, muitas vezes a gente ia pro confronto. Tinha um enfrentamento. O pau comia. Hoje não. É uma cultura educacional totalmente diferente. Você muda a postura. Na época, eu não pensava muito nisso não. De vez em quando tinha de ir para o confronto. Normalmente eles estavam indo para cima dos funcionários. Os grupos se uniam. Não sei se conscientemente iria, mas a gente acabava se defendendo".

Nesses anos todos trabalhando na Fundação, Zé proporcionou aos garotos inúmeras atividades externas, porém, nem tudo foram flores. Numa delas, ele chegou a ser suspenso por 25 dias, acusado de facilitação de fuga.

"Foi na época em que o Celso Pitta era prefeito (1997-2000). Levamos os meninos para a sala do secretário municipal de Esportes, depois da competição. Foi a pior coisa que fizemos. Um dos moleques pediu para ligar para a casa dele. Ligou da sala do secretário e acho que contatou alguém. Fugiram seis moleques dos 18. Os guardas nem viram. Peguei 25 dias de gancho, uma suspensão de 25 dias".

Em outra situação, durante uma partida de futebol no CMTC clube, um garoto pulou o muro, fugiu para a rodoviária e conseguiu embarcar num ônibus para Rio Claro com uma passagem dada por uma assistente social.

"Avisamos o pessoal que o ônibus ia chegar lá, mas o garoto desceu antes, em Limeira. Foi o primeiro grande problema que eu tive na fundação", relata.

Porém Zé Maria afirma, categoricamente, que foi uma opção sua trabalhar lá e que acredita muito na importância da Fundação.

"A gente mexe com o filho dos outros, carentes, precisando de ajuda. Mas eu acho que eles tem uma vida melhor dentro da fundação, com algumas oportunidades e mesmo de alimentação. Por conta da minha educação, às vezes sinto um pouco de dificuldade. Tenho consciência do que é certo e errado, o que pode ou que não pode.

Falando especificamente da sua área, o esporte, o ex-jogador acredita que ele é valioso. "Ele muda e engaja os funcionários. O esporte abre os horizontes. Sempre alertamos que as atitudes deles trazem consequências futuras. O problema de fugir, de brigar, de ser expulso, é importantíssimo dentro do esporte. Mudamos um pouquinho a realidade deles".

Mesmo constatando que a violência tem se tornado algo mais marcante nos adolescentes que são enviados a Fundação Casa, ele acha que essa situação ainda é reversível. "Ainda é uma questão de oportunidade. Se eu não acreditasse que era possível, que daria para melhorar, eu talvez já tivesse saído".

Por isso que, quando perguntado sobre a redução da maioridade penal, ele se disse desconfiado sobre os efeitos que ela pode causar. "Não é questão de ser neutro, de não ter posição. Mas tem muitas feridas que precisam ser cuidadas. É dar um choque e não saber o que vai acontecer. Não sei se estão pensando na ferida certa para dar um remédio", finalizou.

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