'Corinthians: casa do povo de todas as Áfricas', por Walter Falceta

'Corinthians: casa do povo de todas as Áfricas', por Walter Falceta

Por Meu Timão

NECO discutiu a consciência negra no futebol e no Corinthians

NECO discutiu a consciência negra no futebol e no Corinthians

Foto: Walter Falceta

O NECO - Núcleo de Estudos do Corinthians - realizou, na última segunda-feira, um debate público para discutir a Consciência Negra no futebol e no Corinthians. Poucos dias depois do feriado dedicado à questão, o grupo conversou sobre o tema.

No dia seguinte à goleada em campo, o Corinthians pontuou placar muito mais importante ao discutir um tema ainda tímido no futebol (do Brasil e do mundo), onde ainda vemos demonstrações de racismo e discriminação.

Para quem não foi, o jornalista e pesquisador do NECO, Walter Falceta, enviou ao MEU TIMÃO seu relato sobre as questões levantadas no evento, que contou com a presença de estudiosos, ativistas e ex-jogadores. Confira o texto na íntegra.

"Corinthians: casa do povo de todas as Áfricas", por Walter Falceta

Noite histórica no Parque São Jorge, neste 23 de Novembro, dia que sucedeu a epopeia dos 6 a 1 sobre o São Paulo Futebol Clube.

Reuniram-se no teatro da coletividade vários protagonistas da luta secular pela construção da consciência negra no Brasil.

Iniciou-se a atividade com a exibição de um vídeo que homenageou atletas negros que atuaram na agremiação e outros destacados brasileiros afrodescendentes, como o advogado Luiz Gama, o abolicionista José do Patrocínio, a ativista Luiza Mahin, a militante política Helenira Rezende e o líder da Revolta da Chibata, João Cândido.

Rafael Castilho, coordenador do Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO), instância promotora do evento, explicou o porquê da criação do grupo e resumiu seus objetivos: resgatar a história do clube do povo e constituir instrumentos para que sirva de referência na luta popular pela universalização de direitos.

Na mesa coordenada pelo ativista Anderson Moraes, membro da Rádio Resistência, o ex-atleta Wladimir narrou histórias de preconceito e superação. Manifestou ceticismo e esperança. Recordou sua participação na articulação da Democracia Corinthiana e na luta para valorizar o preceito da igualdade racial durante a experiência.

O atual vice-presidente André Luiz de Oliveira contou das ações afirmativas do clube na inclusão do povo negro das periferias. Revelou como exigiu a instituição de uma cota para negros no conselho do SCCP.

O professor e advogado Silvio Luiz Almeida relembrou a saga no Corinthians de seu pai, o goleiro Lourival, e ministrou aos presentes uma aula sobre as complexas relações entre racismo e capitalismo.

O professor Juarez Xavier explicou o porquê da adesão histórica das comunidades negras ao Corinthians, tratou da questão dos marcadores sociais de diferença e teceu considerações sobre o processo de inclusão social dos jovens afrodescendentes por meio do futebol.

O sociólogo José Carlos Pereira apresentou um painel sobre os neoimigrantes e destacou a importância do Corinthians na criação de novas contribuições na cultura da brasilidade.

A jornalista e ativista Conceição Lourenço tratou de entraves e superações na luta da mulher negra, especialmente como participante ativa no teatro do futebol.

Membro do Conselho Nacional de Igualdade Racial, Nuno Coelho mostrou como o esporte pode constituir pontes institucionais no combate contra o racismo.

O historiador Mauricio Sabará tratou dos atletas negros pioneiros no Corinthians e traçou um perfil de Tatu, craque dos anos 1920.

O jovem imigrante haitiano Philippe Louis Jeune, do Haiti, hoje morador do bairro da Penha, ofereceu testemunho sobre as dificuldades enfrentadas pelos neoingressantes na sociedade brasileira e explicou por qual motivo se tornou torcedor do Corinthians.

Seguiu-se longo debate com a plateia.

Muitos dos participantes se dispuseram a trabalhar na construção de uma linha de pesquisa sobre igualdade racial no Núcleo de Estudos do Corinthians (NECO).

É o Corinthians, campeão também fora das canchas esportivas, fazendo história, honrando sua vocação de oferecer voz e vez ao povo, valorizando a pluralidade e a diversidade, patrocinando encontros e convergências.

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