Depois de censura na Arena, Gaviões da Fiel relembra história e critica cobertura do caso pela 'grande mídia'

Maior torcida organizada do Corinthians questionou o posicionamento da PM no jogo desta quinta-feira e criticou a cobertura do episódio pela 'grande mídia'
Gaviões publicou nota oficial após repressão em protesto na Arena

Gaviões publicou nota oficial após repressão em protesto na Arena

Foto: Reprodução

O intervalo da partida entre Corinthians e Capivariano, desta quinta-feira, ficou marcado pela confusão entre torcedores e Polícia Militar nas arquibancadas da Arena. O tumulto teve início após a PM tentar tirar as faixas de protesto levadas pelos torcedores. Após o episódio, a Gaviões da Fiel emitiu um comunicado oficial nesta sexta-feira, cobrando respostas e questionando a forma como o assunto foi abordado pela “grande mídia”.

A maior torcida organizada do Timão relembrou sua origem, citando que a torcida foi criada por um grupo de jovens que lutaram para derrubar o então presidente Walid Helu em uma época que o Brasil vivia a ditadura militar.

Segundo a nota oficial da organizada, mesmo que o regime militar já não exista mais no país, “os Gaviões da Fiel se veem novamente sob a tentativa ditatorial de censura e repressão”.

A organizada ainda declara que as três faixas levadas à Arena Corinthians, com as mensagens “Jogo às 22h também merece punição", "Rede Globo, o Corinthians não é seu quintal" e "Cadê as contas do estádio?" foram cuidadosamente pensadas para não serem consideradas uma violação do Art. 13-A, inciso IV, do Estatuto de Defesa do Torcedor, que diz que é proibido "portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo".

A torcida ainda cita direitos assegurados pela Constituição, que garantem a manifestação do pensamento e proíbe censura de “natureza política, ideológica e artística”.

Por meio da nota, a Gaviões novamente reforçou que, no período que estiver cumprindo suspensão devido ao uso de sinalizadores na final da Copa São Paulo, a diretoria não irá se responsabilizar pelos atos dos torcedores e finalizou com um recado a todos as entidades envolvidas nos protestos desta quinta-feira: “Faz 46 anos que tentam, de todas as formas, calar os Gaviões da Fiel Torcida. Até então, em vão, e assim continuará sendo!”

Confira a nota oficial na íntegra:

NOTA OFICIAL: Protesto realizado no jogo Corinthians x Capivariano

No dia 1º de julho de 1969, um grupo de jovens torcedores do Corinthians fundava o que viria a se tornar a maior torcida organizada do País: os Gaviões da Fiel.

O propósito era derrubar o então presidente - ditador - do Corinthians, Wadih Helu. Foi nessa época que o país teve conhecimento de um primeiro enterro simbólico de presidente de clube já realizado.

Não era fácil se opor ao mandatário, que fazendo valer sua fama de ditador, pagava para que pugilistas profissionais caçassem os tais dos Gaviões. Mas nada era fácil, àquela altura, afinal o Brasil vivia o período da ditadura militar.

E em uma mistura de torcida com engajamento político, os Gaviões da Fiel começaram a atuar na fiscalização do clube ao mesmo tempo em que agiam como mais um grupo pró-redemocratização do país. Nas arquibancadas, faixas de protesto contra a diretoria se confundiam com faixas que pediam "Diretas Já" e anistia ampla, geral e irrestrita.

Em tempos de pau de arara, exílio, tortura e morte, os Gaviões resolveram impor sua voz. Recém-nascida, porém forte.

Hoje, passados 31 anos, os Gaviões da Fiel se veem novamente sob a tentativa ditatorial de censura e repressão.

No jogo da última quinta-feira (11), Itaquera foi palco de uma nova caça aos Gaviões, dessa vez representada pela Polícia Militar do Estado de São Paulo (e seus mandatários).

Segundo o Art. 13-A, inciso IV, do Estatuto de Defesa do Torcedor, é proibido "portar ou ostentar cartazes, bandeiras, símbolos ou outros sinais com mensagens ofensivas, inclusive de caráter racista ou xenófobo".

E sabendo disso, tratamos de criar faixas com muito cuidado para não ferir tal artigo. As três faixas que foram expostas nas arquibancadas, eram as seguintes:

1) "Jogo às 22h também merece punição";
2) "Rede Globo, o Corinthians não é seu quintal";
3) "Cadê as contas do estádio?"

Nenhuma com mensagens ofensivas, muito menos de caráter racista ou xenófobo. Aliás, muito pelo contrário. Todas as faixas amparadas no que assegura a própria Constituição, no Artigo 5, dizendo que "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença".

E sobre liberdade de expressão, nossa Constituição segue dizendo que "a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição. E ainda completa: "é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística."

Conhecendo nossos direitos constituintes (e torcedores organizados estão igualmente enquadrados por estes), gostaríamos de entender (talvez a polícia militar e/ou poder público responsável poderiam nos responder):

a) Em qual momento o Art. 13-A, inciso IV, do Estatuto de Defesa do Torcedor, foi infringido por nós?
b) De quem partiu a ordem para que invadissem as arquibancadas e apreendessem as faixas e agredissem os torcedores?
c) Quando se adentra um estádio, perde-se os direitos constituintes?

E aproveitando o ensejo, também nos causa muita estranheza a forma como os protestos são abordados pela grande mídia. Que os veículos da família Marinho não noticiariam o fato tínhamos certeza, afinal a Rede Globo foi claramente atacada por nós.

Agora o jornalista Antero Greco, no programa Sportscenter, da ESPN Brasil, questionar e ainda dizer ter "um pé atrás a respeito da espontaneidade de certas atitudes de torcidas organizadas" é demais.

Segundo as afirmações do próprio, ele diz estranhar o fato de os Gaviões só estarem reclamando do horário do jogo agora, após tantos anos desse padrão.

Greco também questionou as cobranças de contas que fizemos, dizendo ser este um papel do Conselho e não da torcida.

Por fim, o show de críticas preconceituosas termina com uma insinuação de que as cobranças são incentivadas e patrocinadas por alguém.

O que nos deixa com o “pé atrás”, na verdade, é o fato de um jornalista não desempenhar o seu ofício como tal e sair divagando opiniões em rede nacional sem ao menos checar as informações. Sem contar o fato de que finge desconhecer o cunho fiscalizador que os Gaviões da Fiel desempenham desde sua carta de fundação, assinada pelo nosso primeiro presidente e sócio número um, Flávio La Selva.

Afinal, quem conhece minimamente os Gaviões sabe que a crítica aos horários dos jogos é feita há muitos e muitos anos. E não, não somos patrocinados por ninguém. Somos os Gaviões da Fiel Torcida, Força Independente.

Para finalizar esse já extenso texto (infelizmente), os Gaviões da Fiel Torcida vêm a público reafirmar todas as recentes posturas críticas à falta de transparência por parte da diretoria do Corinthians, aos mandos e desmandos da FPF, e ao infeliz banco de negócios futebolísticos, que coloca os interesses da Rede Globo a frente dos interesses do futebol, que deveriam envolver, sobretudo, os jogadores, clubes e torcedores.

Reafirmamos que, durante os 60 dias em que estivermos cumprindo a punição, a diretoria dos Gaviões da Fiel Torcida não se responsabilizará pelo ato de torcedores. E, acima de tudo, mandamos um recado bem claro a todos os envolvidos no episódio de ontem:

Faz 46 anos que tentam, de todas as formas, calar os Gaviões da Fiel Torcida. Até então, em vão, e assim continuará sendo!

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