Agência 'forja' engajamento da Fiel na Arena e irrita torcedores

Agência 'forja' engajamento da Fiel na Arena e irrita torcedores

Vídeo-case de ação na Arena causou polêmica entre torcedores

Vídeo-case de ação na Arena causou polêmica entre torcedores

Foto: Reprodução

Uma ação de marketing envolvendo a torcida do Corinthians não agradou muito quem esteve presente na Arena no último dia 10 de abril. Criada pela DM9DDB, a ação "Ganhar no Grito" ganhou visibilidade após um vídeo-case que foi destaque em todo o mundo e acabou irritando os torcedores.

No material, divulgado no canal do Youtube da agência, a Fiel foi convidada a gritar nome de três marcas na Arena, durante o intervalo da partida entre Corinthians e Novorizontino. Um "Gritômetro" no telão era responsável por medir o volume dos gritos: se a torcida atingisse a marca estipulada pela ação, o clube ganharia R$ 100 mil que seriam direcionados para o CT da base - orçado em R$ 41 milhões.

A ação foi observada por torcedores durante o jogo e pela equipe do Meu Timão presente em Itaquera, mas não gerou repercussão. Na última sexta-feira, porém - quase um mês depois do evento -, o material foi ao ar e causou polêmica nas redes sociais. O vídeo sugere que a Fiel aderiu à ideia e transformou a Arena em um caldeirão com nomes de patrocinadores, além de falar que o dinheiro está sendo usado para a construção do CT da base (o dinheiro arrecadado equivaleria a somente 0.24% do montante necessário), que vê as obras evoluírem com lentidão.

Os comentários negativos foram tantos que a agência optou por desabilitar a função no Youtube. Para entender a questão, o Meu Timão conversou com torcedores presentes na Arena, em diversos setores e confirmou os relatos da baixíssima adesão - e outros, se revoltaram também com a apropriação da imagem da Fiel.

Alguns torcedores, inclusive, sugeriram que o grupo que aparece no vídeo é parte do casting contratado para a DM9DBB. ”Quando entrei na Arena ouvi um dos torcedores pagos dizer que já tinha ganho o ingresso e queria saber se teria comida de graça também", contou um dos entrevistados pela reportagem.

A reportagem do Meu Timão tentou entrar em contato com a DM9DDB - agência ligada ao ex-diretor de marketing do Corinthians, Marcelo Passos - para um esclarecimento sobre a ação, mas não obteve respostas. O que se acredita é que o vídeo seja um case criado para a participação em premiações para agências de publicidade e marketing.

O Corinthians, que é representado pelo presidente Roberto de Andrade no vídeo, também não se pronunciou. O Meu Timão tentou falar com os responsáveis pelo marketing, mas não obteve resposta até a data desta publicação.

É válido lembrar que o Corinthians não tem um envolvimento oficial com as marcas e nem com a DM9DDB, embora mantenha relação com a agência (além de Passos, o superintendente de marketing, Gustavo Herbetta, trabalhava no local antes de assumir o cargo no Timão).

Entre as marcas citadas no vídeo - Gatorade, Easy Taxi e Netshoes -, o Timão só possui parcerias. Nenhuma delas é patrocinadora oficial do clube - a Easy Taxi, inclusive, é a principal concorrente da ex-patrocinadora 99Taxis. A Netshoes comanda o ShopTimão e a Gatorade é parceira oficial há anos e já realizou outras ações com o Corinthians. Todas aprovaram a participação na ação, mas não foi possível esclarecer quem financiou os R$ 100 mil doados ao clube.

A visão de quem estava lá

Fernando Martín Morales Malta - 22 anos, jornalista - Setor Sul

"Para falar a verdade, alguns torcedores gritaram, mas o pessoal que vai sempre comigo não gritou. O slogan era 'ganhar no grito' e muitos disseram que se fosse algo relacionado ao time cantariam, mas que não iriam cantar nome de marca. Eu percebi que a Leste e a Oeste foram as que mais cantaram"

Eder Sguerri - 30 anos, analista digital - Setor Oeste Superior

"Ficou a impressão que tinha um grupo que era contratado no setor. Todo mundo fez cara de dúvida quando anunciaram antes do jogo e depois tiraram barato durante a ação. Achei o vídeo bem forçado, poderiam ter arrecadado o dinheiro de outra maneira, como uma competição com torcedores no campo. O vídeo não mostra como foi no dia, só um quadradinho de torcedores gritou"

Gustavo Patrick Blum - 22 anos, encarregado de agência de turismo - Setor Norte

"Eu lembro da ação, porém o que se ouvia no estádio era por meio dos alto-falantes. Pelo menos no setor Norte, eu não vi sequer uma pessoa gritando nome de patrocinador como demonstra naquele vídeo de marketing ridículo. Não vi nada na torcida, foram somente os alto-falantes gritando e tentando incentivar o torcedor a cantar. No setor Norte ninguém gostou dos gritos durante o jogo"

Hugo Veridiano - 32 anos, vigilante - Setor Leste Inferior

"Lembro que pediram para gritar os nomes de patrocinadores, mas poucos torcedores apoiaram. Eu gritei. No começo não tinha entendido muito bem, mas depois percebi do que se tratava. Fiz pois acredito que com a ajuda da Fiel, o clube pode atrair mais investidores"

Marcel Pereira - 31 anos, comerciante - Setor Sul

"Claro que não gritei. Rolaram umas vaias e a maioria ficou indiferente. Tinha um bloco no Setor Oeste Superior, no canto direito, que eram claramente combinados. Os únicos a cantarem, umas 150 pessoas. Achei que venderam uma imagem mentirosa da Fiel. No próprio vídeo, fica claro que só um setor específico cantou. Fizeram uma edição de várias câmeras. Lamentável!"

Renata Prado - 28 anos, auxiliar administrativa - Setor Norte

"Eu reparei que passava no telão os nomes dos patrocinadores que tinha que gritar, mas quase ninguém falou nada. Não dei muita atenção. Até comentei com um amigo que estava comigo que era uma coisa besta. Não foi nada que passou no vídeo. O som da torcida cantando estava alto sim, mas era o que saia do sistema de som do estádio e não da torcida presente"

Ricardo Leonoro - 40 anos, funcionário público - Setor Sul

"Quem gritou foram as pessoas que estavam no Setor Oeste Superior. Me disseram lá no dia que eram funcionários de uma empresa e que estavam gravando um comercial. Eu estava bem abaixo deles. Posso garantir que nenhum grupo fora daquele setor participou. Eles foram até vaiados"

Rafael Rocha Garcia - 23 anos, fisioterapeuta - Setor Norte

"No intervalo, um grupo localizado na Oeste Superior começou a participar da ação. Eles devem ter ganho ingresso para estar lá, visto que é um setor que dificilmente fica cheio e era um jogo sem muito clamor. No telão, uma cena incentivava e esse grupo gritava o nome. Porém, o grio real vinha do alto-falante. O grupo não era nem 1% do público do estádio"

Update: Após a matéria, o vídeo foi removido pela agência.

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