Em meio a 'prisão política', Gaviões diz introduzir cultura de paz e recebe apoio de palmeirenses

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Por Meu Timão

Gaviões convocou entrevista em sua sede, no Bom Retiro

Gaviões convocou entrevista em sua sede, no Bom Retiro

Reprodução/Twitter

A Gaviões da Fiel voltou a se pronunciar sobre a prisão de alguns de seus associados, realizada no último dia 15 de abril como reposta do poder público às brigas que antecederam e sucederam o clássico entre Corinthians e Palmeiras do dia 3. Em entrevista coletiva concedida na quadra da torcida, no Bom Retiro, nessa segunda-feira, Chico Malfitani, um dos fundadores da uniformizada, falou em "circo armado" e alegou estar introduzindo uma cultura de paz em meio aos membros recém-chegados à torcida.

"Jogaram pólvora no fogo. Nós fomos antes do jogo, nos bairros e quebradas, dizer que seria armadilha para criminalizar as organizadas. Parece um circo armado para ter briga e confusão e depois nos culparem. Nossos meninos estão há quase um mês presos injustamente", disse Malfitani.

A Gaviões da Fiel vem reclamando da prisão considerada de cunho político, por conta dos protestos que a organizada vem fazendo desde o início do ano, de 27 membros. Uma reportagem do UOL, contudo, apurou que são 17 os associados que seguem presos. Outros dez que haviam tido mandados expedidos já teriam sido liberados.

"Sabíamos que estávamos mexendo com interesses de poderosos, nos manifestando de forma democrática. Mas começaram a surgir 'coincidências' contra nós", declarou Malfitani, conforme reproduzido pela Rede Brasil Atual.

O principal líder da maior organizada do Corinthians ainda garantiu estar havendo diálogo entre torcidas de diferentes clubes de São Paulo para justamente tentar coibir cenas de violência antes e depois de clássicos. Vale lembrar que, a pedido da Secretaria de Segurança Pública de São Paulo, está determinada torcida única em jogos entre rivais paulistas ao menos até o fim de 2016.

"Se não houver isso (diálogo entre torcidas), não vai haver paz no futebol. Você fecha uma organizada e as mesmas pessoas vão ao jogo, as do bem e as do mal. Aqui, reunimos novos integrantes em uma sala e dissemos 'quem veio achando que vai brigar, vai embora'. É uma cultura de paz que estamos introduzindo", explicou.

Palmeirenses defendem Gaviões

Em reportagem publicada também nessa segunda pela Mídia Ninja, dois dos torcedores do Palmeiras envolvidos na briga próxima ao metrô Clínicas (na qual um caminhão do departamento de bandeiras da Gaviões emparelhou com um carro com torcedores palmeirenses) negaram a teoria da polícia de que houve emboscada.

"Eu comecei a tirar um barato. A princípio, levaram na brincadeira. Mas coincidiu de pararmos juntos no outro farol. E aí foi onde aconteceu, desci do carro e houve um desentendimento. Mas não tinha ninguém escondido, ninguém pronto para o combate ali", argumentou Marcão, sócio da TUP.

"O que eu via nas matérias dos jornais é que foi um massacre, mas não foi nada disso", completa Elvis, filho de Marcão.

O caso

Há pouco mais de três semanas, policiais civis e militares fizeram a Operação Cartão Vermelho pela cidade de São Paulo, com foco nas quadras e sedes das principais organizadas de Corinthians e Palmeiras na suposta busca por envolvidos nas brigas que antecederam e sucederam o clássico do último dia 3 de abril, no Pacaembu, pelo Campeonato Paulista.

Coincidentemente, a realização da Operação, que contou com diversas viaturas, cães farejadores e até a presença do secretário de Segurança Pública Alexandre de Moraes na quadra da Gaviões, aconteceu no mesmo dia em que a organizada já havia anunciado um protesto de grandes dimensões no Vale do Anhangabaú.

Vale lembrar que, na semana passada, a Gaviões já havia emitido uma nota oficial sobre a prisão dos 27 associados, na qual contesta a manutenção do cárcere alegando falta de provas.

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