'Você não odeia a Seleção, e Tite pode provar isso', por Lucas Faraldo

'Você não odeia a Seleção, e Tite pode provar isso', por Lucas Faraldo

Yokohama foi palco, no intervalo de dez anos, de conquistas brasileiras: Seleção, em 2002, e Corinthians, em 2012

Yokohama foi palco, no intervalo de dez anos, de conquistas brasileiras: Seleção, em 2002, e Corinthians, em 2012

Técnico com mais títulos ao longo dos quase 106 anos de história do Corinthians, Tite trocou nesta terça-feira o clube do Parque São Jorge pela Seleção Brasileira. E, antes de mais nada, é totalmente compreensível que o torcedor corinthiano fique triste. Mas, como todo doloroso fim de um relacionamento, vai passar.

E é justamente a nova casa de Tite, a Seleção, que pode ajudar os milhões de torcedores alvinegros espalhados mundo afora a se recuperarem do término desse casamento que, somados todos os capítulos, durou quase seis anos.

A torcida do Corinthians (assim como a de inúmeros outros clubes brasileiros) gosta de se gabar de torcer mais pelo Timão do que pela Seleção. Uma enquete realizada pelo Meu Timão no mês passado provou isso com resultado avassalador de 98% dos votos.

E justamente no post que anunciou o resultado de tal votação, um comentário de um torcedor chama atenção: "Torcer para o Corinthians é emoção, torcer pra Seleção dá depressão". E é sobre isso que gostaria de escrever.

Torcer para a Seleção não pode ser sinônimo de depressão. A Eurocopa está dando exemplo disso com estádios cheios, coloridos e até invasão a campo de torcedor para beijar o ídolo durante comemoração de um gol.

Não é preciso ir tão longe. Nossos vizinhos deram aula de torcida na Copa do Mundo de 2014. Argentinos invadiram as cidades brasileiras e, no dia da final, no Rio de Janeiro, dormiram nas praias cariocas. Colombianos, chilenos, mexicanos... Todos impressionaram os brasileiros positivamente. Eles deixaram a rivalidade de seus clubes de coração de lado e provaram ser possível se divertir e, mais do que isso, se emocionar assistindo aos jogos das seleções de seus países.

O torcedor brasileiro, seja ele corinthiano, palmeirense, são-paulino, flamenguista ou de qualquer outro clube, não odeia a Seleção. Odeia ESSA Seleção. Odeia a equipe que vem acumulando decepções e vexames na última década. Odeia a instituição CBF que vem sendo cada vez mais desmascarada por investigações policiais.

Ou algum corinthiano seria capaz de dizer que não vibrou com a participação de Rivellino nas Copas de 1970 e 1974? E o que falar de Sócrates na lendária Seleção Brasileira de 1982? Seja honesto, torcedor do Timão: você já torceu até mesmo por Paraguai e Argentina em Mundiais graças a Gamarra e Tevez!

Talvez a última geração da Seleção Brasileira que tenha feito você, torcedor corinthiano ou de qualquer outro clube do país, se emocionar (no sentido bom da palavra) tenha sido a de 2002. Ou vai negar que acordava de madrugada para assistir aos jogos do Brasil contra Turquia, China, Costa Rica...? Você vibrou muito com cada um daqueles oito gols marcados por Ronaldo, que sete anos depois curiosamente se tornaria ídolo da Fiel.

Torcer para a Seleção Brasileira pode ser legal. E a história está aí para provar: talvez nenhuma torcida de outra nacionalidade tenha comemorado tanto quanto nós, pentacampeões.

Para essa Seleção que nos acostumamos a ver nos últimos anos, não é legal torcer. Isso é verdade. Mas por que não acreditar que Tite pode colocar a Amarelinha para brilhar de novo? Se tem alguém que já provou ser capaz de tirar leite de pedra, esse alguém é Adenor Bacchi.

Tite pode, ora bolas, repetir o "The Favela is Here" que fez em 2012 pelo Corinthians em Yokohama. Pode repetir o "100% Jardim Irene" que Cafu & cia. fizeram no mesmo estádio de Yokohama em 2002.

E você, torcedor corinthiano, pode voltar a ganhar mais um motivo para se emocionar.

* Lucas Faraldo é jornalista, foi setorista do Corinthians no Lance! e hoje escreve no Meu Timão

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