Romero relembra 6 a 1, faz coro por gêmeo no Corinthians e fala em 'fazer história'

Romero relembra 6 a 1, faz coro por gêmeo no Corinthians e fala em 'fazer história'

Artilheiro do Corinthians em 2016, Romero conversou com o Meu Timão no CT Joaquim Grava

Artilheiro do Corinthians em 2016, Romero conversou com o Meu Timão no CT Joaquim Grava

Foto: Tamara Guimarães/Meu Timão

Pergunte a Ángel Romero se uma goleada por 6 a 1 sobre um rival não é capaz de mudar a carreira de um atleta de futebol profissional. A resposta, afirmativa, tem seus argumentos. Na tarde de 22 de novembro, quando o Corinthians acabara de erguer o troféu do Campeonato Brasileiro de 2015, o atacante paraguaio entrou para a história alvinegra: marcou dois gols, sofreu pênalti e ajudou sua equipe a conquistar a maior goleada já registrada num Majestoso.

“(...) para mim foi fundamental esse jogo contra o São Paulo, porque mudou muita coisa na minha cabeça, na minha ideia também de ficar aqui no Corinthians e fazer história”, diz Romero, de apenas 24 anos.

A partir daquele domingo, a passagem do ainda garoto pelo Parque São Jorge jamais foi a mesma. Se antes o camisa 11 amargava na condição de suplente sob o comando de Tite, atualmente na Seleção Brasileira, agora o jogador é homem de confiança de Cristóvão Borges, sucessor do multicampeão de Caxias do Sul (RS). Não o bastante, é o artilheiro do time na temporada com 13 gols e principal candidato a tirar de Paolo Guerrero o posto de goleador da Arena Corinthians, casa do clube de mesmo nome desde maio de 2014.

“Parece que esse gol não vai vir nunca. Porque quando você mais quer o gol, ele não chega. E quando você menos espera, ele chega (risos)”, brinca o atacante, que ostenta 14 bolas na rede em Itaquera, uma a menos que o centroavante do Flamengo.

Em entrevista ao Meu Timão na tarde da última sexta-feira, dois dias antes de participar da vitória por 1 a 0 sobre o Internacional no Beira-Riofoi dele a assistência para o gol de Elias –, Romero abriu o jogo e recordou como o clássico em Itaquera o fez subir de patamar no Corinthians, avaliou o início de trabalho do recém-chegado Cristóvão, reforçou o desejo de atuar ao lado do irmão Óscar no Timão e expôs seu principal objetivo a curto prazo: retornar à seleção paraguaia. Acompanhe a íntegra abaixo:

Romero comemora um de seus gols na goleada por 4 a 0 sobre o Flamengo

Romero comemora um de seus gols na goleada por 4 a 0 sobre o Flamengo

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Meu Timão: 2016 tem sido um ano diferente pra você: ganhou a condição de titular, é artilheiro do Corinthians com 13 gols, tem a confiança da torcida... Por que o Romero de 2016 cresceu tanto em relação às duas temporadas anteriores?

Ángel Romero: Eu sempre trabalhei pra isso, sempre quis chegar a esse momento de fazer meu melhor aqui, fazer meu trabalho. Hoje, graças a Deus, tenho a oportunidade de jogar e estou feliz, cada vez mais confiante e adaptado também. Então quero aproveitar a oportunidade que estou tendo. Cada vez que entro em campo eu tenho a oportunidade de jogar e fazer sempre o meu melhor.

Em número de partidas disputadas e gols marcados, essa é sua melhor temporada no Corinthians. São 13 gols e 36 jogos em cerca de sete meses. A quem você credita esse sucesso? A mudança no comando da equipe ajudou?

Não, já com o Tite eu estava bem, comecei bem o ano como você mesmo falou. Eu sempre acredito no trabalho e sonhava com essa oportunidade, com esse momento que estou passando hoje. Fiquei trabalhando sempre e me adaptando cada vez mais ao Brasil, ao Corinthians, então só tinha que chegar uma oportunidade. Agora, com a chegada do Cristóvão, tendo essa sequência de jogos que para um jogador é muito importante, porque é difícil você mostrar o seu valor se você não tem oportunidade... Hoje, graças a Deus, tenho essa sequência de jogos e estou aproveitando.

Até aproveitando o assunto, como tem sido o início de trabalho do Cristóvão? É um técnico que 'fala mais' em relação ao Tite, mais reservado...?

Ele é um cara bem tranquilo como o Tite, é gente boa também, respeita os jogadores, todo mundo, trata por igual todos. Acho que é igual ao Tite, né? É uma coisa dele como se comporta aqui no Corinthians. Mas também tem algumas coisas que ele coloca aqui para o time, como ele quer que o time jogue, é normal isso. Ele trata de fazer seu melhor no trabalho e muda alguma coisa, mas a gente está bem, cada vez mais adaptado ao trabalho dele. Os números falam por si só, acho que a gente está brigando aí no Brasileiro, então vamos seguir trabalhando bem. Ele é um cara legal, gente boa, e acho que vai ter sucesso aqui.

Em tarde de Romero, Timão massacrou São Paulo por 6 a 1

Em tarde de Romero, Timão massacrou São Paulo por 6 a 1

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Você acredita que a torcida começou a te olhar com outros olhos a partir da goleada por 6 a 1 sobre o São Paulo? Em outras palavras, foi fundamental pra que você ascendesse à equipe titular em 2016?

A torcida não sei se ela está me olhando de outra forma, mas para mim foi fundamental esse jogo contra o São Paulo. Porque mudou muita coisa minha cabeça, na minha ideia também de ficar aqui no Corinthians e fazer história. E também porque ganhamos um título no ano passado que pra mim é muito importante, foi o meu segundo campeonato no Brasileirão e já consegui um título que aqui no Brasil é muito importante. Então fiquei muito feliz pelos gols e porque nessa partida a gente fez história, ganhamos de 6 a 1 de um rival como o São Paulo, e não é todo dia que você vê esse placar, ficamos na história do Corinthians esse dia. Fiquei feliz também porque estava no jogo, fiz dois gols e comemoramos depois o título. Então, como falei, na minha cabeça e na minha história aqui no Corinthians, a partir dali foi outra maneira de me preparar e de trabalhar aqui no Corinthians pra fazer meu melhor e conseguir o que eu queria, que era jogar como titular.

Em junho, você completou dois anos de Corinthians. Como você avalia sua trajetória aqui no clube? Foi o que esperava quando deixou o Cerro Porteño (PAR)?

Esse começo, não, eu esperava outra forma. Também tinha pensado dessa forma que iria ser um pouco difícil me adaptar aqui no Brasil pelo que representa o Corinthians no mundo, né? Um time grande, que nesse tempo tinha jogadores de muita qualidade, atacantes que faziam a diferença. Então falei que tinha que trabalhar sempre o dobro, triplo, pra fazer o meu melhor. Hoje eu posso falar que eu estou totalmente adaptado ao Corinthians, à torcida, ao Brasil também. E o começo foi difícil, eu estava jogando no Cerro e tinha muita moral, cheguei aqui e não estava jogando. 2014 foi um ano em que joguei, mas fiz poucos gols (um, contra o Bahia, pela Copa do Brasil) e estava incomodado comigo mesmo. 2015 foi quando chegou o Tite e tive muitas sequências de jogos, e agora quero virar tudo isso para ficar tranquilo pra fazer aqui o que eu queria: fazer gols e fazer meu melhor.

Mudando um pouquinho de assunto, como é sua vida em São Paulo? Gosta de viver aqui?

Gosto. Do trânsito, não (risos), mas gosto da cidade, de ficar em casa, sair pra jantar também. Tem muita coisa para fazer, então fico feliz.

Seu irmão, Óscar, chegou a ter um acerto verbal com o Corinthians, em 2014. Esperava jogar ao lado dele aqui? Ainda pensa nisso ou é algo que passou?

Ixi! Aqui está difícil, né? Ele tá em um time muito grande também que é o Racing, muito bem lá na Argentina e é muito difícil ele vir aqui. Mas pode acontecer, nada é impossível na vida. Mas eu tô feliz aqui e ele tá feliz também lá no Racing, fez um grande campeonato no ano passado e na Libertadores também jogou bem, então tem propostas da Europa, um monte de times quer contratá-lo. É difícil aqui agora, mas, como falei, meu sonho agora é jogar com ele na seleção (paraguaia).

Conterrâneos, Romero e Balbuena são companheiros inseparáveis no Corinthians

Conterrâneos, Romero e Balbuena são companheiros inseparáveis no Corinthians

Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

Como foi a chegada do Balbuena no clube? Ele é seu principal parceiro no Corinthians?

Agora sim. Acho que foi benéfico pra ele porque já me tem aqui, passei muitas informações, então fica fácil pra ele por essa vantagem no Brasil. Mas também para mim, porque no vestiário a gente brinca, fala em guarani (língua oficial do Paraguai ao lado do espanhol), em espanhol, ninguém entende (risos). Então a gente está bem, fico também com a esposa dele, minha namorada e eu saímos pra jantar e conhecer mais a cidade com eles. Tá bem aqui, tá jogando e feliz, indo pra seleção também, então está muito contente porque se adaptou rápido, e é isso que precisa um jogador: se adaptar rápido a um time grande como o Corinthians.

Rumbo a casa con los tres puntos gracias a Dios . #VaiCorinthians ⚪️⚫️⚪️⚫️ 💪🏼👊

Uma foto publicada por Fabian Balbuena (@fbalbuenito) em

Mesmo em grande fase aqui no Brasil, você ficou fora da lista de convocados do Paraguai para a Copa América Centenário. Esperava uma chance com o técnico Ramón Díaz?

Eu estava na pré-lista da Copa América, mas todo mundo tem a ilusão de ficar entre os 23. Mas como não estava jogando, não fiquei com muita confiança, sabia que ia ser difícil pra eu ir à Copa América porque não tinha sequência de jogos como outros jogadores estavam tendo na Europa, no México, na Argentina... Fiquei tranquilo, feliz por estar na pré-lista. Agora a minha ideia é ficar e jogar as Eliminatórias, a gente tem daqui um mês um jogo de Eliminatórias (contra o Chile) e minha ideia é que eu consiga estar na seleção.

Você está a um gol de empatar com o Guerrero na artilharia da Arena Corinthians...

Ainda não empatou (gesto de reprovação)?

...e pela sua resposta você já deve ter isso em mente, não?

Eu quero ficar na história do Corinthians, essa é a minha meta. Quase fiz um gol contra o Figueirense no último minuto. Vou ter muitas oportunidades ainda. Parece que esse gol não vai vir nunca. Porque quando você mais quer o gol, ele não chega. E quando você menos espera, ele chega (risos). Então tô tranquilo, tenho que ficar tranquilo porque cada vez que eu jogar na Arena, vou fazer o meu melhor.

Voltando ao Cristóvão, a torcida tem pegado um pouco no pé dele. Você acha justo? Ele é um cara que tem quatro vitórias, dois empates e uma derrota só, e a torcida nos últimos jogos o vaiou por algumas substituições. É justa essa cobrança vinda da torcida?

Não. Acho que ele tá se adaptando também aqui. Acho que todo mundo tem que ajudá-lo, porque não é fácil vir e, primeiro, dirigir um time como o Corinthians e, segundo, entrar no lugar do Tite. É muito difícil, todo mundo acha que ele vai fazer a mesma coisa que o Tite fez em quatro jogos, então é muito difícil isso. Ele vai fazer sua história aqui no Corinthians, tem que dar tempo ao trabalho dele. A gente teve jogos seguidos e ainda não trabalhamos com ele por muito tempo. Agora a gente teve uma semana longa e estamos trabalhando, né? Tem que dar tempo para ele para trabalhar tranquilo. Os números falam que ele está fazendo seu melhor aqui, acho que daqui a dois ou três jogos a gente vai ganhar novamente e todo mundo vai ficar feliz.

Contratado em 2014, Romero pode se tornar artilheiro da Arena, ultrapassando Guerrero

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Foto: Daniel Augusto Jr/Ag. Corinthians

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