'Desculpe o transtorno, preciso falar do Tite', por Lucas Faraldo

'Desculpe o transtorno, preciso falar do Tite', por Lucas Faraldo

Tite é o técnico mais vitorioso da história do Corinthians, com seis títulos

Tite é o técnico mais vitorioso da história do Corinthians, com seis títulos

Foto: Daniel Augusto Jr. / Agência Corinthians

Conheci ele num momento de crise. Essa frase pode parecer comum no mundo do futebol se você imaginar algum clube sofrendo derrotas e, assim, buscando um novo treinador. Mas a crise em questão era diferente, uma das maiores nos meus então 94 anos de história. Quase fui rebaixado no Campeonato Paulista e fui goleado vexatoriamente por Grêmio, Palmeiras e Atlético-PR no início de um Brasileiro que se desenhava com traços de tragédia. Enquanto isso, ele estava lá, desempregado mesmo após ter montado o surpreendente São Caetano que havia sido campeão paulista naquele ano. Nunca vou me esquecer.

Quando os treinadores fechavam treinos, ele abria. Quando brigavam com jogadores, ele conversava. Quando davam entrevistas ácidas, ele filosofava. Os olhos, quase sempre cerrados e verdes, deixavam claro que ele fazia bastante ideia do que estava fazendo. Foi paixão à primeira vista.

Passamos alguns meses, pouco mais de um ano, juntos no Parque São Jorge, mandando jogos no Pacaembu e no Morumbi. Anos depois, migramos para o CT Joaquim Grava, jogando apenas no Paulo Machado de Carvalho. De lá, fomos para a Arena, em Itaquera.

Começamos a namorar quando eu já havia tido outras tantas belas histórias de amor ao longo de décadas e décadas. Mas parecia que a vida começava ali. Na primeira passagem, transformou o risco iminente de rebaixamento em luta ponto a ponto pela parte de cima da tabela. Fizemos grandes jogos no especial ano do Centenário. Depois, começaram os títulos. Dos meus dez preferidos, uns quatro ou cinco foram sob comando dele. Dominamos o Estado de São Paulo, fomos os maiores do Brasil (duas vezes!), viajamos juntos pela América e pelo mundo... Aprendi o que era vencer uma Libertadores, uma Recopa Sul-Americana e ser bicampeão mundial, coisas que muitos clubes não sabem porque não tiveram a sorte de ser casados com ele.

Um dia, terminamos. E não foi fácil. Choramos mais que na injusta eliminação na Libertadores de 2013. Mais que nas conquistas da América e do mundo. Até hoje, não tem jogo que eu faça que alguém não diga, em algum momento: cadê ele? Parece que, pra sempre, ele vai fazer falta. Se ao menos a gente tivesse mantido alguns destaques do hexacampeonato no elenco, eu penso. Levaria pra sempre ele comigo.

Essa semana, pela milésima vez, vi reprises de conquistas e vídeos motivacionais que a gente teve juntos – não por acaso histórias de sucesso. Achei que fosse chorar tudo de novo. E o que me deu foi uma felicidade muito profunda de ter vivido um grande amor na vida. E de ter esse amor documentado na história alvinegra – e na memória de milhões e milhões de torcedores. Não falta nada.

Esse texto não foi escrito nem publicado por ninguém que responda pelo Corinthians. Trata-se de uma crônica do Meu Timão que também faz vias de paródia do texto "Desculpe o transtorno, preciso falar da Clarice", assinado por Gregorio Duvivier em sua coluna no jornal Folha de S. Paulo, nesta segunda-feira, e transformado em meme nas redes sociais.

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